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Pesquisadora da UFMS lança livro sobre ensino nos EUA

25 novembro 2004 - 11h38

A cientista social e professora da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), Juliana do Couto Ghisolfi, lança hoje, às 17 horas, durante a III Semana de Ciências Socias na unidade VI, do campus de Campo Grande, pela série Questões da nossa época, o livro Políticas de educação superior norte-americanas: faça o que digo, mas não faça o que faço?, que tem a primeira edição publicada pela Editora Cortez. O conteúdo da publicação é com base na dissertação de mestrado apresentada por Juliana Ghisolfi na Unicamp (Universidade de Campinas), aprovada com louvor e que vem preencher uma lacuna em relação a falta de informações de valor científico e de análises mais precisas sobre a influência norte-americana no sistema educacional brasileiro. A pesquisa teve como propósito conhecer um pouco mais sobre o sistema de ensino superior norte-americano, modelo que inspira (falsos) discursos que acabam por determinar os rumos das políticas públicas dos países em desenvolvimento. Discorre sobre as principais características do ensino superior dos EUA, em sua forma atual e sua evolução nos últimos 200 anos. É um cenário indispensável para analisar as recomendações que autoridades daquele país fazem aos países do chamado Terceiro Mundo e em desenvolvimento, através de entidades multilaterais como o Banco Mundial e o FMI (Fundo Monetário Internacional). "Aquilo que agora eles nos dizem - e dizem agora - deve ser confrontado com o que fazem e dizem, e com o que fizeram e diziam. São coisas diferentes. Isso faz diferença," ressalta a pesquisadora. Para Juliana Ghisolfi, os Estados Unidos tem o maior sistema de ensino superior do mundo, com um enorme grau de massificação, atingido através da diversificação institucional, descentralização e ampliação social do acesso. Tudo isso, com a participação decisiva do poder público, através do estímulo, regulação legal e financiamento. "Conhecê-lo é uma obrigação para quem procura pensar as alternativas que temos e aquelas que nos querem impor", ressalta. No trabalho analisam-se alguns aspectos da história da sociedade estadunidense e da história das políticas de educação superior daquele país para melhor compreender como se deu o processo de implementação dos Community Colleges. Estas instituições integram o maior sistema de educação pós-secundária do mundo, que registra 76% das matrículas no setor público de ensino superior. No entanto, uma série de documentos do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), expõem um projeto de implementação de instituições de ensino pós-secundário na América Latina, inspirado nos Community Colleges norte-americanos, modelo de educação que oferece cursos superiores profissionalizantes e preparatórios de dois anos de duração.No Brasil, Juliana Ghisolfi aponta que diversas medidas privatizantes foram adotadas nos anos 1980-90, inclusive no que diz respeito às políticas públicas de educação superior: incentivo às instituições privadas e um amplo processo de estancamento e mesmo retrocesso das instituições superiores públicas de ensino e pesquisa. "Um dos argumentos usados pelos liberais brasileiros é de que o ensino superior nos EUA seria privado, e que deveríamos seguir o exemplo da maior nação do capitalismo mundial", pondera. A autora salienta que a atuação do governo federal norte-americano (e do poder público como um todo) foi e é essencial na formação e manutenção do sistema educacional do mais rico país da face da Terra. Ou seja, as políticas educacionais norte-americanas dependem - e sempre dependeram - da atuação firme do Estado, ao contrário do que muitas vezes os discursos liberalizantes e algumas correntes da Ciência Política contemporânea nos levam a crer.Por ser um sistema de ensino estabelecido em um país rico e desenvolvido (que passou por um processo de desenvolvimento histórico muito diferente dos demais países da América), a pesquisadora Juliana Ghisolfi avalia ser perverso transplantar este modelo para países com altos índices de concentração de renda, desemprego e empobrecimento - causados, em parte, pelas medidas recomendadas por agências multilaterais como o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), FMI e o World Bank, que condicionam empréstimos para países em desenvolvimento à adoção de seu modelo de privatização de serviços. O livro também aborda o papel das agências multilaterais (FMI, Banco Mundial, BID) que têm os EUA como principal financiador e, portanto, formulador de medidas, que há muito tempo dá sentido de privatizar empresas, reduzir o aparato estatal e privatizar serviços públicos, como a saúde, a previdência e a educação. Destaca que o Banco Mundial é muito claro em afirmar, nas metas para América Latina e o Caribe, que o Estado deve se responsabilizar apenas pela educação fundamental. 

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