Menu
Busca terça, 27 de outubro de 2020
(67) 99659-5905
ALERTA

Pesquisa encontra 10 mil bactérias e fungos em roupas íntimas

27 novembro 2017 - 13h05Por G 1

Uma pesquisa feita em Campinas, no interior de São Paulo com roupas íntimas - calcinhas, cuecas e sutiãs - encontrou 10 mil bactérias e fungos nas peças usadas, após várias lavagens, e contaminação também nas novas, recém-compradas. O risco para a saúde vai desde alergias até infecções graves e incontinência urinária.

O estudo, feito na Faculdade Devry Metrocamp, analisou 52 peças, sendo 27 novas - com contaminação em 85% por bactérias resistentes -, e 25 usadas - com risco de doenças em 92% delas. Mulheres e homens entre 20 e 55 anos participaram do estudo. Para idosos e crianças, os itens novos integraram as amostras e também geraram preocupação.

"A gente analisou o forro, a parte que fica muito mais em contato com o ânus e a região vaginal ou peniana. [...] Se a pessoa já tem uma predisposição, fez uma cirurgia ou está com uma ferida, pode desenvolver dias depois um desconforto. É uma irritação, uma ardência e isso pode levar a um quadro de infecção mais grave", afirma a doutora em ciência de alimentos, bióloga e pesquisadora Rosana Siqueira.

Peças usadas

A falta de higienização correta foi a grande vilã da pesquisa. Nas calcinhas e cuecas usadas foi encontrado o maior número de micro-organismos - até 10 mil - responsáveis por causar corrimento, dor, febre, alergia, ardência, irritação na pele, infecções de urina graves, anais e penianas, além de inflamações.

Representam risco ainda maior para quem possui hemorróidas e fístulas anais, em mulheres e homens."Mais de mil [micro-organismos] já é preocupante", diz Rosana.

Peças novas

Nas peças novas vale o alerta para quem tem "preguiça" de lavá-las antes de usar, e também para quem as experimenta antes de comprar. A pesquisadora encontrou nas amostras de calcinhas, sutiãs e cuecas - compradas em lojas de shoppings e também em comércio de rua - até 250 bactérias resistentes.

"[Encontramos] Staphylococcus aureus, Staphylococcus saprophyticus e Candida albicans, que são micro-organismo que fazem parte da microbiota da maioria da população. Ou são provenientes do material utilizado, dos manipuladores, ou das pessoas que estavam ali para comprar. O novo não é sinônimo de segurança", diz Rosana.

O cuidado com os sutiãs é preciso principalmente nos casos em que a mulher amamenta - possui nos mamilos uma "porta aberta" com pequenas fissuras - ou passou por cirurgia de mama e está em fase de recuperação.

Os fungos e bactérias encontrados - entre elas a Escherichia coli - podem causar desde irritação na pele até furúnculo, inflamações nos mamilos, micoses e manchas.

Infecções e transmissão de doenças

O ginecologista, obstetra e professor Carlos Tadayuki Oshikata, que atua no Hospital Celso Pierro da PUC de Campinas, alerta que, dependendo da paciente, as infecções urinárias podem atingir formas graves.

Oshikata relaciona o risco à falta de cuidado com a higiene da vagina, que possui proteção natural devido à sua acidez, mas fica vulnerável com o uso de roupas de material sintético e o abafamento da região, por exemplo.

"Isso faz com que haja uma proliferação de micro-organismos potencialmente patogênicos. A partir daí você vai ter uma infecção, que pode ser bacteriana ou fúngica. Uma vez que estabelece esse desequilíbrio na flora, vai predispor à infecção urinária", afirma o ginecologista.

No caso dos homens, o chefe da urologia da Hospital da PUC, André Meirelles, pontua que há risco de transmissão de doenças se houver compartilhamento das peças íntimas, principalmente se a pessoa é portadora de doenças sexualmente transmissíveis. Mas, a ocorrência é remota.

Higienização ideal

Segundo Rosana, o ideal é que as roupas íntimas não sejam lavadas com sabão em pó ou outros produtos durante o banho, como shampoo, mas com sabão neutro. Também é importante não misturá-las com outras peças de roupa e, principalmente, não deixar dias no cesto aguardando a lavagem. A contaminação se alastra.

Na hora de colocar para secar, vale cuidar para que as peças não estejam do lado do avesso, pois correm o risco de serem contaminadas por insetos. Antes do uso vale, ainda, um "choque" de temperatura.

"A maioria dos micro-organismos não é resistente a altas temperaturas. Não usar ferro a vapor, por conta da umidade", completa a bióloga.

O ginecologista Carlos Tadayuki Oshikata ressalta, ainda, que a mulher deve se preocupar mais em manter a saúde da vagina como forma de proteção. Por exemplo, usar calcinha de algodão e até dormir sem calcinha, para manter o ambiente arejado.

"Em relação à higiene, mais em adolescentes e crianças pelo fato de não saberem se limpar, após a evacuaçãoo é comum a contaminação. A limpeza deve ser da vagina para trás", ensina.

 

Deixe seu Comentário

Leia Também

BATAGUASSU
Homem esfaqueia marido da ex por não aceitar fim de relacionamento
OBSERVATÓRIO DO CLIMA
Fundo Amazônia tem R$ 2,9 bilhões paralisados pelo governo Bolsonaro
MEIO AMBIENTE
Dois são autuados por derrubada de árvores para exploração de madeira
EDUCAÇÃO
Sesi/MS oferece aulão online gratuito preparatório para o Enem
CASSILÂNDIA
Cliente não paga conta de bar e atira contra o comerciante
EVENTO
VI Encontro Estadual de Juízes dos Juizados Especiais será em novembro
CRIME AMBIENTAL
Paranaense é preso com pescado abaixo da medida e acima da cota
ESPORTE
Piso no Guanandizão para a Supercopa de Vôlei começa a ser montado
TRÁFICO
Polícia Federal prende mecânico com 85 quilos de cocaína em Dourados
OPERAÇÃO SERÁ
Polícia tenta localizar possíveis músicas inéditas de Renato Russo

Mais Lidas

DOURADOS
Guarda encerra festa organizada por adolescente em plena pandemia, apreende droga e até arma artesanal
DOURADOS
PM é acionada e consegue evitar suicídio de homem em hotel
DOURADOS
Homem invade casa, tenta estuprar jovem e é detido por populares
DOURADOS
Homem é socorrido às pressas após levar golpes de facão na cabeça