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Perda de mercado interno para China atinge 45% das empresas

03 fevereiro 2011 - 18h10

Quase a metade (exatamente 45%) das empresas industriais brasileiras que competem com empresas da China perdeu participação no mercado doméstico em 2010. A revelação é da Sondagem Especial China, divulgada nesta quinta-feira, 3 de fevereiro, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
A pesquisa, realizada com 1.529 empresas entre 4 e 19 de outubro último, informa que em quatro setores – produtos de metal, couros, calçados e têxteis - a queda na participação das vendas no mercado interno pela concorrência com produtos chineses atingiu mais da metade das indústrias. No setor de couros, 31% das empresas pesquisadas informaram ter sido significativa a perda de mercado no ano passado.

Segundo o levantamento da CNI, embora as pequenas empresas estivessem menos expostas à disputa com produtos chineses, foi esse grupo que mais sofreu os impactos da concorrência no mercado interno.

“Entre as pequenas empresas, o percentual que registrou queda na participação de mercado de seus produtos alcançou 49%. O percentual se reduz para 32% entre as grandes empresas”, assinala a Sondagem Especial China.

O gerente-executivo da Unidade de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, que divulgou a pesquisa, atribuiu principalmente à valorização cambial o processo de perda de mercado. “Há fatores de competitividade bem mais favoráveis para a China, como custo salarial menor, juros mais baixos, infraestrutura mais eficiente, escala de produção muito maior, menores barreiras burocráticas, mas o fator mais relevante é o câmbio”, assinalou.

O estudo da CNI mostra que a concorrência interna com produtos da China afeta uma em cada quatro empresas industriais brasileiras, alcançando 28% delas. A exposição à concorrência, observa a entidade, aumenta conforme o tamanho das empresas. O percentual das pequenas empresas que afirmam concorrer com produtos chineses no mercado doméstico é de 24%, enquanto nas médias é de 32% e alcança 41% entre as empresas de grande porte.

A presença chinesa é mais intensa em seis setores industriais, entre os quais material eletrônico e de comunicação, têxteis, equipamentos hospitalares e de precisão, calçados e máquinas e equipamentos. Nos segmentos de material eletrônico e de comunicação e têxteis, a competição interna com os chineses é especialmente intensa, atingindo mais de 70% das empresas dos dois setores, detectou a pesquisa.

Mais acirrada - A Sondagem Especial constata que a competição com produtos chineses é mais acirrada no mercado externo do que internamente. Nada menos do que 67% das empresas brasileiras exportadoras que concorrem com empresas chinesas no mercado internacional registraram perda de clientes. Exatos 4,2% deixaram de exportar devido à disputa e apenas 27% mantiveram ou até aumentaram o número de clientes apesar da concorrência chinesa.
Pesquisa semelhante realizada pela CNI em 2006 apontava percentual praticamente idêntico de empresas sujeitas à concorrência externa com a China – 54%, contra 55% agora -, mas a perda de clientela tinha sido significativamente menor, afetando, há quatro anos, 58% das indústrias exportadoras, em oposição aos 67% detectados em outubro passado.

O levantamento da CNI constata que metade das empresas brasileiras já adotou estratégia para disputar o mercado com a China, interna e externamente, priorizando os investimentos na qualidade ou design dos produtos, mais do que a redução de custos e ganhos de produtividade.

Conforme a pesquisa, 48% das indústrias estão investindo na qualidade ou design e 45% em diminuição de custos e ganhos de produtividade. No estudo de 2006, tais percentuais eram de 40% e 48%, respectivamente, demonstrando haver, hoje, maior preocupação com a qualidade.

A Sondagem Especial China revela ainda que 10% das grandes empresas brasileiras têm fábrica própria na China e 5% terceirizam parte da produção com empresas chinesas, possivelmente como resposta à concorrência. Nada menos do que 21% das empresas pesquisadas importaram matéria-prima da China, 9% adquiriram lá produtos finais e 8% compraram máquinas e equipamentos.

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