Estaciona na vaga destinada a pessoas com necessidades especiais, para em pista dupla, vira sem dar seta, fecha os demais veículos na rua, ultrapassa sinal vermelho, excede o limite de velocidade, fala ao celular enquanto dirige e não respeita a faixa de pedestre. Qualquer semelhança com muitos dos condutores douradenses não é mera coincidência.
Os pequenos hábitos de cometer infrações que não parecem tão relevantes no momento, mas formam o conjunto de atitudes que contribuem para que o trânsito da cidade esteja como está, são o tema desta reportagem da série que o Dourados News preparou em alusão à Semana do Trânsito chamada “A Culpa é de Todos”.
O pintor Moacir das Graças Vieira, 36, tem propriedade para falar sobre o tema. Ele mora no BNH 4º Plano e anda pelo menos 30 quilômetros por dia de bicicleta para chegar aos locais onde presta serviço. A quantidade de “pequenas” infrações que ele vê são volumosas e atrapalham a vida do ciclista.
“A cidade melhorou nos últimos anos a sinalização, pelo menos nas ruas que eu passo. Mas, ainda não está toda preparada para o ciclista, então enfrentamos dificuldades. Só que eu acredito que o maior problema não está só aí, mas na falta de educação de quem está no trânsito. Tem gente que para em pista dupla, fica com a porta do carro aberta, não dá seta. Isso tudo atrapalha quem está de bicicleta e coloca a gente em risco”, relata Moacir.
Regiane Dengo, 29, costuma transitar mais pela cidade usando a moto. “É mais econômica e nesse trânsito, mais prática para estacionar”, mas conta que não é fácil. Quando questionada sobre o que acha do trânsito da cidade, ela nem titubeia ao dizer: “Está um caos”, conta, relatando que a falta de respeito com as pessoas com deficiência, idosos e crianças são ainda maiores.
Ela conta várias histórias de falta de respeito que presenciou e acidente que sofreu. Já teve sua moto fechada várias vezes. “Teve uma vez que foi ao lado de uma viatura da PM com policiais dentro, sabe o que fizeram? Nada”, conta ela. Afirma que se a pessoa que foi prejudicada reclama ao outro condutor, ainda é capaz de “ouvir palavras de baixo calão e dizerem que a gente é que está errada em reclamar ainda”.
A mãe dela, Goreti Dengo, 52, ainda conta que toma cuidado dobrado quando transita pelo centro, principalmente a pé. “O pedestre é o que mais sofre, é muito pior se você resolver andar a pé. Se você está passando pela faixa de pedestres num semáforo e no meio do caminho fica verde para os carros, eles não esperam você atravessar. Eles vão logo seguindo quase atropelando a gente”, conta. Mãe e filha ainda alegam fiscalização precária.
Os números de multas confirmam o que todos veem pelas ruas, ainda que nem todos irregulares sejam flagrados ou tenham suas infrações registradas pelos órgãos de segurança. Entre janeiro e agosto deste ano, foram 1.588 multas só para pessoas que dirigem falando ao celular.
Os dados fornecidos pelo Detran/MS (Departamento Estadual de Trânsito) ao Dourados News ainda apontam que foram 1.069 multas enviadas aos que ultrapassaram o sinal vermelho. Se contabilizado o estacionamento irregular, o quantitativo sobe bastante. Na lista, gente que estaciona na calçada (288), no ponto de ônibus (339), em horário e local proibidos pela sinalização (442) e muitos outros.
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Estacionar em local destinado a pessoas com deficiência é retrato da falta de respeito no trânsito (Foto: Fabiane Dorta)