Quando depara com treinadores que adotam o esquema tático 3-6-1, com apenas um atacante fixo, o técnico José Macia, o Pepe, torce o nariz e critica: "Estão matando os centroavantes".
Pepe é um apologista do futebol ofensivo e sua história no futebol justifica essa postura. Foi atacante, fazia gols e jogou no grande Santos das décadas de 1950 e 60, acostumado a goleadas.
Esse ex-ponteiro-esquerdo tem uma vida estreitamente ligada ao futebol. No grande Santos, bicampeão mundial interclubes em 1962/63, atuou num ataque com Dorval, Coutinho, Pelé e Pepe. Esse quarteto era coadjuvado por meio-campistas que chegavam com freqüência ao ataque, casos do volante Zito e do meia de armação Mengálvio.
Nos tempos em que o futebol contava com ponteiros, quer pela direita, quer pela esquerda, esse especialista era rotulado de assistente de goleador. Geralmente era veloz e habilidoso, costumava levar vantagem sobre laterais, levava a bola ao fundo do campo e fazia precisos cruzamentos, geralmente com curva, encontrando o centroavante de frente para o gol. Desde aquela época Pepe já se diferenciava dos colegas de posição, pois sabia fechar bem em diagonal e, de qualquer distância, arriscava seu chute forte, que assustava os goleiros. A bola era chutada com tanta força que ele ganhou o apelido de
"Canhão da Vila".
Para se ter a dimensão da força do chute de Pepe, estatísticas indicam a velocidade de 122 quilômetros por hora. O petardo de canhota colocou Pepe na condição de segundo maior artilheiro do clube de todos os tempos, com 405 gols em 750 partidas. Ele também entrou para a história do Santos como segundo jogador que mais vestiu a camisa do clube. Perdeu só para Pelé, que jogou 1.116 partidas.
A satisfação de jogar no time fantástico rendeu-lhe nove títulos paulistas, cinco pela Taça do Brasil, quatro no Torneio Rio-São Paulo, dois pela Libertadores da América e dois Mundiais Interclubes, sempre pelo Santos. Pepe jogou apenas no alvinegro praiano, exceto a seleção brasileira.
Ainda nos anos 60, uma seqüência de contusões implicou na perda da posição, inicialmente para Abel, e posteriormente para Edu Jonas. E quando pendurou as chuteiras como jogador, a lamentação se restringiu à infelicidade de não ter jogado em Copa do Mundo. Foi convocado, tanto em 1958 como 1962, mas deixou o lugar para Zagalo devido às contusões às vésperas da competição.
E foi no próprio Santos que iniciou uma trajetória igualmente vitoriosa como treinador. Após "rodagem" por várias agremiações, em 1986 rompeu a tradição de só grandes clubes conquistarem o Campeonato Paulista e entrou para a história como primeiro treinador a levar um clube do interior, caso da Inter de Limeira, ao título do campeonato.
Hoje, na iminência de completar 72 anos de idade, Pepe não perde o bom humor característico. Espirituoso, têm sacadas geniais e é tido pela "boleirada" como um paizão. Também tem psicologia no relacionamento com jogadores e sabe extrair deles aquilo que podem render tecnicamente. Exatamente por isso não se prende a rigorosos esquemas táticos.
Hoje, com a idade avançada, Pepe atua no futebol mais como coordenador técnico, repassando a experiência às comissões técnicas.
Por Ariovaldo Izac
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