Menu
Busca domingo, 24 de janeiro de 2021
(67) 99257-3397
VIDA SAUDÁVEL

Pela saúde, douradenses deixam carro e vão ao trabalho de bike

14 janeiro 2016 - 09h38

Bancário de longa carreira, 50 anos de idade, morador do bairro Parque Alvorada em Dourados, bem vestido, carro na garagem e uma bicicleta. Lendo esse perfil, imagina essa pessoa indo ao trabalho todos os dias com qual meio de transporte? Bom, se a primeira imagem que lhe veio à mente é que vai “de carro, é óbvio!”, saiba que pode estar equivocado. Ari Luiz de Souza se encaixa exatamente nesse perfil citado e todos os dias, por opção, deixa o carro na garagem e vai ao trabalho de bicicleta em busca de levar uma vida mais saudável.

“Eu sempre andei de bicicleta, mas adotei como prática para ir ao trabalho há dois anos. Eu tinha usado [bike] há muito tempo, mas a gente fica ‘folgado’, para e vai vendo que as coisas ficam ruins. Então voltei”, conta ele.

Ari estava sem fazer qualquer exercício físico quando adotou a ‘bike’. Precisava movimentar o corpo, mas a caminhada, ele acha monótona, “você fica circulando, rodando num lugar só. Sou muito assim de aventura, então a minha bicicleta é uma montain bike e eu comprei porque no final de semana saia pelas estradas rurais, andando, vendo a natureza e fazendo exercícios”, relata. Depois dessa decisão, a disposição melhorou consideravelmente, assim como a saúde e o alívio no estresse do dia-a-dia.

Começou com a estratégia de ir ao trabalho de bicicleta quando ainda trabalhava em Mundo Novo. Mudou-se para Dourados em setembro do ano passado e atualmente está lotado numa agência que fica na avenida Weimar Torres, bem no centro da cidade. A prática de usar a bicicleta não mudou com a cidade.

Todos os dias, ele leva em torno de 15 minutos para chegar ao trabalho - do Parque Alvorada até o centro -, de carro faz o mesmo trajeto em 10 minutos. E de bicicleta só demora um pouco mais devido a alguns obstáculos que ainda enfrentam aqueles que a usam: a falta de ciclovias na cidade e a conscientização de todos no trânsito.

“De bicicleta tem que ter mais cuidado, não tem ciclovia, a maioria dos cruzamentos é difícil de fazer, com os carros você tem que ficar parando, porque eles não respeitam o ciclista”, exemplifica Ari. Mesmo assim, ele prefere usá-la. “Eu gosto de pedalar e me sinto bem vindo de bicicleta”, acrescenta.

O gosto pela bicicleta foi tanto, que ele até vendeu um dos dois carros que tinha. “O outro ficava parado na garagem, sem uso”, conta. Além de ir ao trabalho, por prazer, Ari faz questão de usar a bike para ir a qualquer lugar que precise, inclusive aos finais de semana. “Eu vou a todo lugar de bicicleta, faço questão. Só vou de carro se estiver chovendo ou tiver que trazer alguma coisa, situação que não tem como mesmo”, frisou.

Conta que muita gente, principalmente as pessoas menos esclarecidas, ainda se espanta com sua opção ou acham até que é por economia. “Muita gente ainda vê andando de bicicleta e fala ‘olha o cara, não tem dinheiro para comprar um carro, para colocar gasolina’. Não vê que eu estou indo por opção”, conta Souza, lembrando que para adotar esse estilo, tem que ser desprendido do que os outros vão pensar ao vê-lo andando de bicicleta. Mas, ressalva que há quem entenda seu estilo e ouve elogias, inclusive de colegas de trabalho que dizem ter orgulho de vê-lo chegando de bicicleta.

A economia foi apenas uma consequência da escolha que ele fez, afinal poderia pagar pela gasolina sem prejudicar as finanças da família. “Eu sempre computei o custo da gasolina na minha despesa e nem faço por economia, ando de bicicleta porque eu gosto e para mim faz bem. O primeiro motivo é gostar de vir, pedalar, de saúde; o segundo é ecológico e o terceiro é a economia”, relata.

A bicicleta que ele tem á daquelas um pouco mais “invocadas”, profissional e custa em torno de R$ 4 mil no mercado. Ele colocou ainda alguns equipamentos, como buzina e farol. Como segurança, usa sempre um capacete para ir ao trabalho. A roupa é a mesma que usa durante o dia, calça social, sapato e camisa. Garante que não chega tão suado, já que o condicionamento ajuda. Nas aventuras pelas estradas – que em Dourados ainda não começou a fazer -, acrescenta joelheira e cotoveleira.

Mas, Ari ressalta que não é preciso ter uma bicicleta como a dele para começar a pedalar no dia-a-dia. Existem boas opções no mercado que podem ser compradas por pelo menos R$ 1.300, como a que ele tinha antes de adquirir a que usa atualmente. Estas cumprem a função, inclusive para iniciantes embarcarem em aventuras. É possível também montar uma bicicleta do zero, comprando boas peças separadamente. “Muitas vezes você consegue fazer uma bicicleta até melhor do que a de marca, com o preço reduzido”, esclarece.

Ela também usa bike para trabalhar e desestressar, mas emagreceu sem nem perceber

Neiva Salazar, 39, também é um exemplo disso. Ela é administradora de empresas por formação, concurseira por ofício escolhido e atualmente trabalha como auxiliar administrativo pela Funsaud (Fundação de Serviços de Saúde de Dourados) no Hospital da Vida. Comprou uma bicicleta que custa em torno de R$ 1.300, do tipo que não é das mais “tops” do mercado, mas também não é das mais simples. Foi o suficiente para se apaixonar pelo pedal.

De bicicleta, Neiva deixou para trás o estresse dos estudos (Foto: Arquivo Pessoal)

Há um ano, quando ainda não havia assumido o concurso da Funsaud, ela estava com uma carga horária de estudos muito alta. Precisava arrumar uma alternativa para diminuir o estresse. “Eu não conseguia mais assimilar a informação, aí eu tinha que arrumar alguma coisa para resolver isso”, conta. Ela queria andar de bicicleta já fazia um tempo, mas não tinha iniciativa por preguiça de ir sozinha. Então, começou a pedalar com um amigo uma vez por semana, depois duas e assim por diante.

Há sete meses, ela pedala todos os dias entre 20 km e 40 km, mas já chegou a pedalar 60 km, isso sem contar os quilômetros para ir ao trabalho. Assim como Ari, há quatro meses ela optou em adotar a bicicleta como meio de transporte para o serviço. São 5 km para ir da casa dela até o Hospital da Vida, e mais 5 km para voltar. O horário ajuda, já que ela entra às 7h e sai às 17h, ou seja, horários em que o sol já está mais ameno.

“Quando comecei a usar para trabalhar, fui analisando a questão financeira, um dia vim de carro, no outro de ônibus e então falei: já estou andando de bicicleta, vou de bicicleta”, relatou. Ela então fez o cálculo que com o carro gastaria mais devido ao preço do combustível e ainda faria o percurso em 15 minutos, de ônibus também ficaria caro e ela ia levar 40 minutos para chegar ao trabalho.

A bicicleta foi a alternativa mais viável, já que sem gastar gasolina e pedalando bem, chega ao hospital em 12 minutos. “Isso porque eu já tenho a prática”, relata. Ela ainda conta com o bônus da facilidade para estacionar ao redor do Hospital. Então optou por deixar na garagem o carro que possui, um Sandero da marca Renaut, e usar a bicicleta tanto para o trabalho quanto para o lazer depois do expediente. Só vai de carro em caso de emergência ou chuva.

A roupa não é diferente da que usa para trabalhar. Uma camiseta simples, calça jeans ou legging e sapatilha. Garante que não chega toda suada. “O horário que eu chego ajuda e o condicionamento físico também”, relata.

Além de diminuir o estresse, a administradora ainda reduziu o manequim do 44 para o 40 em apenas sete meses, como? Só pedalando. “Isso sem nem buscar perder peso, não era o objetivo. O objetivo era a fuga para desestressar dos estudos e foi começando a aparecer esse outro resultado que eu não estava buscando e nem prestando a atenção que estava acontecendo, meus amigos que falavam que eu estava emagrecendo”, relatou. A alimentação então mudou um pouco, só trocou pão por tapioca e nada mais.

A concurseira hoje aproveita para desestressar, mas está se preparando para voltar os estudos. Também já passou em dois concursos federais e está aguardando apenas a nomeação. Isso lhe dará uma renda maior e com isso, o que ela pretende fazer? “Eu não vou trocar de carro, como todo mundo faz, eu vou trocar de bicicleta, comprar uma melhor”, contou se divertindo com a opção. “Eu descobri algo que eu gosto de fazer, que me dá prazer”, relata.

Ela conta que apesar de ter um bom relacionamento com a equipe de trabalho, o hospital é um ambiente por si só pesado, afinal, é o local que recebe as pessoas quando estão doentes ou tristes pelos familiares que ali estão. “Quando você sai no corredor só vê coisa triste, gente doente. Quando pega a estrada é outra coisa, eu vejo belas paisagens, um pôr do sol na avenida Guaicurus que é uma coisa linda”, relata. Ela costuma fazer os trajetos pós-expediente sozinha ou com integrantes do grupo Pedal Livre, que estimula o uso da bicicleta.

Registro de paisagens é comum na vida de Neiva (Foto: Arquivo Pessoal)

Deixe seu Comentário

Leia Também

BRASIL
MPT alerta para risco de fragilização e precarização do instituto da aprendizagem profissional
Estados brasileiros começam a receber vacina de Oxford
COVID-19
Estados brasileiros começam a receber vacina de Oxford
Covid-19 mantém 258 sul-mato-grossenses em leitos de UTI
PANDEMIA
Covid-19 mantém 258 sul-mato-grossenses em leitos de UTI
Estado aguarda atualização de 4,7 mil possíveis casos de Covid-19 nos municípios
PANDEMIA
Estado aguarda atualização de 4,7 mil possíveis casos de Covid-19 nos municípios
Prêmio Sesc de Literatura abre inscrições para obras inéditas
BRASIL
Prêmio Sesc de Literatura abre inscrições para obras inéditas
DOURADOS
Pré-matrículas na rede municipal vão de segunda a sexta-feira
PANDEMIA
Fiocruz negocia mais 15 milhões de doses de vacina da AstraZeneca
CLIMA
Em alerta, Dourados pode ter janeiro mais chuvoso da história
ESTADO
Startup de design investe em site para vender produtos sul-mato-grossenses
COVID-19
Promotora pede esclarecimentos sobre vacinação em Dourados e Laguna Carapã

Mais Lidas

CENTRO
Primeiro acidente de trânsito com vítima fatal neste ano é registrado em Dourados
TRAGÉDIA
Segundo acidente de trânsito com vítima fatal é registrado em Dourados
TRAGÉDIA
Vídeo mostra momento exato de acidente com vítima fatal em Dourados
DOURADOS
Motociclista que morreu após colisão em cruzamento invadiu via preferencial