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Pedrossian Filho quer o Pokèmon novo na TV

01 novembro 2001 - 17h02


Em meio a acalorados debates sobre a ética na política, a conduta e o decoro parlamentar, justamente na hora em que deputados e senadores mostram amadurecimento ao propor o fim da imunidade parlamentar para crimes comuns, o Pokémon, personagem de um desenho animado infantil japonês, emergiu nas discussões do Congresso Nacional, no último dia 18, levantando um alerta sobre a banalização da ação parlamentar. Além da repetição de seriados de TV, temas como a disposição do capô de carros, os riscos de se andar de escadas rolantes, a escolha de nomes para pontes e viadutos, a criação de datas nacionais ou a regulamentação do valor de gorjetas para garçons têm causado preocupação entre alguns dos ilustres representantes da população brasileira no Congresso.
O deputado federal Pedro Pedrossian Filho (PPB-MS) patrocinou um arranhão na imagem da Câmara dos Deputados (CD), causou embaraço entre seus pares e executivos do setor de telecomunicações, e ainda deu motivos para que novas críticas e chacotas sobre a casa voltassem a ocorrer. Casado e pai de um menino, Pedro Filho levou à Comissão de Defesa do Consumidor projeto de lei sugerindo que 70% da programação da televisão a cabo seja inédita e transmitida até cinco dias após sua veiculação no país de origem.
“A grade de programação atual é defasada e antiquada, por isso a necessidade de adaptá-la à nossa cultura. Acredito que devemos melhorar a qualidade da TV nacional e defender os direitos do consumidor brasileiro", afirmou o parlamentar, que ainda pediu a atualização das novas aventuras do amarelinho Pokémom. “Lancem novos episódios. Meu filho adora", reivindicou. Ele passou boa parte da semana passada tentado minimizar o estrago que provocou. Porém, quanto mais explicações dava, mais se complicava. “Não estou aqui para agradar meu filho ou fazendo qualquer tipo de lobby. Na verdade, fui deturpado pela imprensa. Um amigo irritado me pediu e apresentei o projeto", explicou.
Proposições esdrúxulas não faltam na Câmara dos Deputados. Há quem acredite ser a casa o lugar ideal para a discussão, por exemplo, da melhor posição da maçaneta dos capôs dos automóveis. “Acho que a segurança dos motoristas e passageiros é um motivo forte. Há muitas regulamentações dos modelos da indústria automobilística sendo feitas por meio de Projeto de Lei", defende-se o deputado Murilo Domingos PTB-MT). Ele sugeriu que a porta do motor seja aberta do lado oposto ao atual. “Se ela abrir de repente pode prejudicar a visão do motorista e até causar danos maiores", preocupa-se Domingos.
A segurança da população levou o mineiro Silas Brasileiro (PMDB) a sugerir a instalação de alarmes sonoros em esteiras e escadas rolantes. A idéia é de criar um dispositivo sonoro que avise a parada abrupta dos similares. Segundo sua assessoria, a intenção é beneficiar idosos e portadores de necessidades especiais. Outro tipo de preocupação é com o batismo de obras. Três parlamentares paraibanos, Inaldo Leitão (PSDB), Dominiciano Cabral (PSDB) e Enivaldo Ribeiro (PPB) apresentaram, cada um, projeto dando nome ao mesmo viaduto.
O deputado José Carlos Coutinho (PFL-RJ) sugeriu o acréscimo de gorjetas nos salários dos garçons. Já seu colega paulista, Chico Sardelli (PFL), está mais preocupado com a regulamentação da profissão de coveiro. “Não acho que seja esdrúxulo criar condições de salubridade a uma categoria. São mais de 50 mil sepultadores só no meu Estado. Se o governo não dá a devida prioridade fazemos a nossa parte", justifica.
Outro exemplo da banalização do processo legislativo são as constantes homenagens. Sessões solenes são realizadas semanalmente, e indiscriminadamente, tanto para famosos quanto para anônimos. Para a deputada Nair Lobo (PMDB-GO) há datas suficientes para lembrar profissionais, categorias e manifestações. Entre 1º de agosto e 19 de outubro deste ano ela apresentou cinco projetos reservando para cozinheiros, gays, guias de turismo, catadores de lixo e peões de rodeios um dia no calendário nacional. Na esteira de Nair, Salvador Zimbaldi (PSDB-SP) apresentou proposta para criar o dia nacional dos Vicentinos.
A jurisprudência da Comissão de Constituição e Justiça e de Redação (CCJ) entende que matérias tratando de datas comemorativas e denominações de rodovia e logradouro público são injurídicas. O deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) é favorável à criação de uma Comissão de Normas para tramitações diferenciadas. “Um projeto sobre emendas do orçamento não pode ter o mesmo ritual que aquele que dá nome para uma ponte", defende.

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