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PCC planejava seqüestrar autoridades em São Paulo

31 março 2008 - 06h35

A facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) quer desestabilizar o sistema prisional de São Paulo. Os planos da facção foram descobertos depois que conversas entre seus líderes e o advogado Sérgio Wesley da Cunha foram interceptadas com autorização judicial pela inteligência do governo estadual. Elas mostram que a organização criminosa planejava o seqüestro ou assassinato de coordenadores do sistema. A idéia era disfarçar de advogados os homens que cumpririam essa missão a fim de que eles pudessem entrar armados nas sedes das coordenadorias.

 
Os chefes do PCC discutiram a compra de “ferramentas” (armas) para a execução do trabalho e deixaram claro: “Essa é uma prioridade financeira.” O advogado Wesley se comprometeu a fazer relatórios sobre essa atividade e alertou que usaria um computador para evitar um possível exame grafotécnico - no passado, a polícia usou esse teste para provar que um advogado trabalhava como pombo-correio da organização.

No diálogo gravado, Daniel Vinícius Canônico, porta-voz de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, pede “sigilo absoluto” sobre “essas idéias”. Ele questionou o advogado sobre a segurança das coordenadorias. Canônico perguntou ao advogado se seria possível entrar na sede da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) e o advogado explicou que lá “é embaçadinho”. Em 13 de fevereiro de 2002, o PCC atacou com granadas a sede da SAP. Na época, ela ocupava um prédio na Avenida São João, no centro de São Paulo. O atentado deixou três funcionários feridos.

A cúpula do PCC também planejou usar garotas de programa para atrair dirigentes do sistema prisional para uma armadilha. O interesse da organização criminosa nas coordenadorias pode ser explicado pela prisão de dois homens e duas mulheres em Presidente Epitácio, ocorrida em 31 de janeiro. Os quatro faziam parte de um grupo de seqüestradores que pretendia apanhar diretores de presídios da região e suas família. Os parentes dos funcionários seriam mantidos reféns enquanto os diretores seriam obrigados a facilitar a fuga da cúpula da facção - Marcola, por exemplo, cumpre pena em Presidente Venceslau. O governo reagiu. Canônico e Carambola foram internados no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD). O advogado foi preso em 10 de março. Denunciado por formação de quadrilha, a Justiça decretou sua prisão preventiva.

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