Paulo Figueiredo (*)
O termo maquiavélico é usado frequentemente para expressar uma característica não muito recomendável de uma pessoa. O significado que recebe é: Que tem dolo, má-fé; astuto, velhaco, ardiloso (Dicionário Aurélio).
Tem origem no nome de Nicolau Maquiavel (1.469 – 1.527), pensador italiano, autor do livro “O Príncipe”, no qual relatou todas as formas de se alcançar o poder, de se manter no poder e de como reconquistar o poder perdido.
Sua narrativa baseia-se, fundamentalmente, no estudo e observações de fatos históricos relacionados com as conquistas e decadências de governos e governantes. São acontecimentos reais, concretos ... de lutas, conquistas e derrotas, que explicam e justificam suas idéias, sem divagações ou “filosofias” políticas. Os fatos históricos, para Maquiavel, são cíclicos, praticamente previsíveis. É quase uma ciência exata! Seu livro é um tratado de leis de ação e reação política.
“Porque em toda cidade se encontram duas tendências: a primeira origina-se do fato que o povo não deseja ser governado nem oprimido pelos poderosos e a segunda de que os poderosos desejam governar e oprimir o povo. E destas tendências se implanta nas cidades, ou o principado, ou a liberdade, ou a anarquia.”
Após estudar a formação de governos de diferentes povos em diferentes épocas, concluiu que são 4 (quatro) as maneiras de se conquistar o poder: pela força, pela fortuna/sorte, pela perversidade e pelo consentimento dos cidadãos.
“São duas as formas de lutar: uma pelas leis e outra pela força.”
“... a única forma de vencer um homem livre é liquidá-lo” (literalmente).
Cita que o Duque de Milão para se manter no poder e enfraquecer os adversários assim agiu:
“ ... deu altos cargos, grandes pensões e concedeu honrarias ... o que fez com que (seus adversários) aderissem ao seu governo e abandonassem seus antigos partidos”
(qualquer semelhança com atitudes de governantes modernos não será mera coincidência!).
Maquiavel profetiza:
“ ... o homem que pretender em todas as partes fazer profissão de bondade, encontrará sua desgraça num mundo repleto de homens perversos.”
(Afinal, qual foi o fim do líder negro Martin Luther King; de John Lennon; o lider seringueiro e ecologista Chico Mendes; o líder indígena Marçal de Souza; Zumbi do Quilombo de Palmares; etc.)
Maquiavel descreveu em seu livro “O Príncipe” as “fórmulas” utilizadas, consciente ou inconscientemente, pelos governantes ao longo da história, “recomendando” a utilização das mesmas conforme as circunstâncias e objetivos a serem alcançados.
“Não pode, portanto, um príncipe (governante) habilidoso manter a palavra empenhada, quando o seu cumprimento é contra seus interesses e as causas que a determinaram já não existem.”
(Isto nos faz lembrar das promessas de campanha dos candidatos a cargos eletivos!)
...........
“Assim, como já ressaltei, um príncipe (governante) para manter-se no poder é muitas vezes obrigado a não ser bom, porque quando a facção que ele julga necessária para manter-se no poder, quer seja do povo, do exército ou dos próceres, é corrupta, convém atender as suas imposições, pois se os contrariar praticará boa ação, que redundará em seu prejuízo.”
(Esta é a explicação do entranhamento da corrupção no poder, como um “câncer” que vai se espalhando pelo tecido político).
As conclusões de Maquiavel, até as mais perversas, estão sendo reproduzidas pelos governantes até em nossos dias! Na Rússia, por exemplo, o presidente Vlademir Putin está sendo acusado de eliminar seus inimigos através de envenenamento; Evo Morales, presidente da Bolívia, ameaça fechar o Senado onde a oposição é maioria; etc, isto para não citar os casos domésticos.
Portanto defendo a premissa de que Maquiavel ao escrever “O Príncipe” não expressou o seu “sentimento íntimo” ou a sua “postura política de cidadão”, apenas, de uma maneira quase científica, traçou postulados que desnudam o ambiente político e, por isso, ... não merece ser chamado de maquiavélico!
“Senhor, tende piedade de nós e nos livre da hipocrisia”
(*) O autor é Engenheiro Civil
Obs.: A leitura do livro “O Príncipe” de Maquiavel é recomendada apenas para leigos ou políticos iniciantes; os políticos “profissionais” não encontrarão nele nenhuma novidade, mas poderão contribuir com sua experiência pessoal para o enriquecimento da leitura, ilustrações e exemplos.
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