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MEMÓRIA VIVA

Parques no meio do nada livraram Dourados de ter buracão

03 dezembro 2015 - 07h48

Imagine só a seguinte cena: um “buracão” - bem grande mesmo, com vários metros e do tipo que parece querer engolir a cidade -, bem ali na rua Cuiabá, importante via de acesso a vários bairros de Dourados. Esta reportagem da série “Memória Viva” em homenagem aos 80 anos da cidade, vai mostrar que isso poderia ser uma realidade, não fossem duas estruturas importantes que a cidade ganhou na década de 1980: os Parques Antenor Martins e Arnulpho Fioravante que na época foram construídos “no meio do nada”.

Naquele período, a parte alta da cidade tinha em torno de 40% da ocupação que tem atualmente. A parte mais baixa a partir da rua Cuiabá, era tudo ocupado de mato e pastagem, ou seja, distantes de serem os espaços povoados como vemos hoje.

Nessa época havia um projeto para a cidade elaborado pelo renomado arquiteto e urbanista Jaime Lerner que indicava que o município precisava desses dois parques onde eles são. A partir daí já é fácil perceber que a medida foi preventiva.

O prefeito de Dourados na época de implantação dos parques era José Elias Moreira, o Zé Elias. Ele conta que os lagos eram uma necessidade para funcionarem como dissipadores de energia das águas que vem da chuva.

Zé Elias explica que uma das bacias de escoamento de água pluvial na cidade corre da parte mais alta do município, passa pelo centro da cidade com destino à região em que está a rua Cuiabá – que hoje “morre” no Parque Arnulpho Fioravante. Dessa forma, o lago deste parque se tornou um dissipador para receber esse volume de água.

Do outro lado da cidade, água da chuva que cai a partir da rua Floriano Peixoto, corre para os lados de onde hoje é o Parque Antenor Martins, cujo lago também recebe esse volume. “Os dois lagos são dissipadores de energia, dividindo os mananciais de água. Isso evitou erosão urbana e um monte de outros problemas”, exemplifica o ex-prefeito.

Os parques que estava em espaços ainda quase inabitados, foram feitos pensando no futuro. Todo o cálculo da drenagem e dimensão da tubulação foram feitos já pensando em como a cidade ficaria.

Mas, porque teria o buracão e não teve? Na época em que os parques foram feitos a cidade era toda de ruas de terra. A água da chuva infiltrava bastante no solo e não tinha a velocidade que tem hoje. Com a construção de mais casas, calçadas, implantação de asfalto, por exemplo, a água acumula na superfície e desce numa velocidade maior.

Se não tivessem os dissipadores, Dourados poderia enfrentar os prejuízos de ter um buracão, como aconteceu em Glória de Dourados no início dos anos 70, e como enfrenta até hoje Ivinhema que tem uma “voçoroca” preocupante que compromete a estrutura da cidade.

Apesar de não terem sido feitos ao acaso e possuírem essa importante função para a cidade, desde que foram concebidos os parques já eram destinados à atividades de cultura, esporte e lazer. Também foram criados para serem áreas de preservação ambiental.

À época, ao Parque Antenor Martins foram destinados 30 hectares de área e ao Arnulpho Fioravante, 100 hectares. Porém este último reduziu um pouco de tamanho, já que ocupava no passado também aquela área onde hoje existe shopping e hotel.

Atualmente, o Arnulpho Fioravante é espaço recorrente de uso para práticas esportivas, como treinamento para corredores de rua e outros adeptos do atletismo; moradores que gostam de jogar futebol e outros. O lago que dá acesso ao Córrego Paragem ainda é usado para treinamentos promovidos por órgãos policiais e guarda.

Já o Parque Antenor Martins, além da prática esportiva, ainda é muito usado para lazer e palco de diversos eventos promovidos no município. Shows, atividades culturais e outros são realizados no local.

Parque Antenor Martins localizado no Jardim Flórida em Dourados (Foto: Divulgação)

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