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Paraná: Presa quadrilha internacional de clonagem de celulares

21 setembro 2004 - 20h27

O Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), da Polícia Civil do Paraná, apresentou no final desta manhã os integrantes de uma quadrilha que clonava aparelhos de telefone celular.
Conforme as investigações a quadrilha internacional era responsável pela clonagem de mais de 200 mil telefones celulares no Brasil.
A polícia acredita que esta seja a maior quadrilha do país, responsável por pelo menos 70% das clonagens feitas nos aparelhos das operadoras nacionais.
As prisões foram feitas na cidade de Campinas (SP) após investigações baseadas em denúncia da operadora TIM Sul de telefonia celular.
Na cidade de Campinas (SP), a polícia paranaense prendeu o chefe da quadrilha, Willian Wadith Zakhour, 47; Mariana Ferreira Cardoso da Silva, 25, que seria amante de Willian; seu irmão Abrahão Correia da Silva Filho, 32; Rosa Soares de Oliveira Gomes e o vietnamita Tran Van Quang, 46.
Indícios levam a polícia a acreditar que as centrais telefônicas operacionalizadas por Zakhour, em Campinas, fossem também utilizadas por criminosos organizados do mundo todo, incluindo máfia russa e vietnamita.
 “Agora, a relação dos envolvidos com a quadrilha será analisada e periciada, tanto nos documentos apreendidos como nos disquetes, cd´s e computadores. Eles serão chamados para depor e serão responsabilizados criminalmente”, explica o delegado chefe do Cope, Marcus Vinícius Michelotto, que coordenou o trabalho.
Esquema
Foi a operadora de telefonia celular nos estados do Paraná e Santa Catarina, TIM Sul, que denunciou a suspeita de uma série de clonagens para a polícia, há cerca de três meses. “Através do sistema antifraude da empresa, foi detectado o aumento no número de ligações nacionais e internacionais, fora da rotina dos clientes da operadora, o que gerou a suspeita e a denúncia que motivou a investigação”, conta Michelotto.
Foram descobertos seis endereços na cidade de Campinas, onde funcionavam as centrais telefônicas para a clonagem dos aparelhos. Com dezenas de mandados de prisão e busca e apreensão, uma equipe de 21 policiais e três delegados do Cope se deslocou para Campinas e, com o apoio da Delegacia Anti-Seqüestro da cidade, desmontou os escritórios e prendeu integrantes da quadrilha.
Segundo material de divulgação da Secretaria de Segurança Pública do Paraná, nos endereços, a polícia encontrou centrais telefônicas que operam com equipamentos de última geração em informática, como notebooks e computadores, ligados a uma instalação de linhas telefônicas fixas uma espécie de “pabx moderno”.
Foi encontrado também um programa de computador que viabiliza a clonagem e que teria sido elaborado por um técnico que trabalha em uma multinacional nos Estados Unidos.
Por isso, o Cope repassou várias informações para a polícia norte-americana que vai participar das investigações. Ainda foram encontrados “radares”, que são equipamentos que instalados próximos a aeroportos captam até dez mil números de telefones dos sistemas TDMA e CDMA e permitem o posterior uso das linhas pela quadrilha. Os policiais apreenderam também agendas telefônicas, que mostram relações entre Willian Zakhour e pessoas dos EUA, Argentina, Bolívia, países do antigo bloco socialista, tais como Polônia, Rússia e Cazaquistão, além dos países árabes, entre eles o Líbano e Kwait.
“Ele parece ser de origem árabe, mas seu documento é brasileiro, natural do Espírito Santo e seu passaporte indica o nascimento em São José dos Pinhais (PR). No entanto, ele tem dificuldades em expressar-se e entender a língua portuguesa e seu sotaque é da língua árabe”, explica Michelotto.
O setor de inteligência do Cope descobriu também que Zakhour já havia sido condenado a seis anos e três meses de prisão pela Justiça Federal de Guarapuava (PR) pelo mesmo crime, mas estava foragido.
De acordo com as informações apuradas pela polícia, o faturamento do chefe da quadrilha, com as clonagens, seria de milhares de dólares por semana.
Os levantamentos da polícia paranaense também mostram que Tran Van Quang, natural da República Socialista do Vietnã, teria na quadrilha a função de viabilizar as ligações de clientes do bloco Socialista.
“Sabemos que as organizações criminosas eram os principais usuários desses celulares clonados. Essa quadrilha facilitava o tráfico de drogas, por exemplo, em vários lugares do mundo”, conclui Michelotto.

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