No próximo dia 20, os paraguaios escolherão quem vai substituir Nicanor Duarte na Presidência do país nos próximos cinco anos. Mais de 2,8 milhões de eleitores irão às urnas, segundo dados da Justiça Eleitoral da República do Paraguai. A previsão é de que o resultado oficial seja divulgado no dia 23 de maio. A posse do novo presidente será em agosto.
Pela primeira vez em 60 anos, o Partido Colorado, no poder desde o início da ditadura militar em 1954, quando o general Alfredo Stroessner deu um golpe de Estado e assumiu a Presidência, pode deixar o poder. Pesquisas de opinião apontam uma diferença mínima entre a candidata do partido, Blanca Ovelar, e o ex-bispo Fernando Lugo, candidato da Aliança Patriótica para a Mudança (APC, na sigla em espanhol). Nas eleições majoritárias – para presidente e governador – basta alcançar maioria simples dos votos para ser eleito, não é necessário obter mais de 50%. “Um voto define a eleição”, diz o embaixador do Paraguai no Brasil, Luis Gonzalez Arias.
Além de presidente e governador dos departamentos (o equivalente aos estados brasileiros), também serão eleitos deputados, senadores, parlamentares do Mercado Comum do Sul (Mercosul) e representantes para as Juntas Departamentais. No caso dos parlamentares, o critério para a eleição é proporcional, com sistema de listas. Gonzalez Arias explica que os partidos elegem um candidato para cada 15 mil votos que a lista recebe.
Entre os principais candidatos a presidente, além de Blanca Ovelar (Partido Colorado) e Fernando Lugo (APC), também está o ex-general Lino Oviedo, pela União Nacional dos Cidadãos Éticos (Unace). Um dos pontos mais discutidos na campanha é a renegociação do contrato da Usina Binacional de Itaipu, defendida especialmente por Lugo. De acordo com o tratado, cada um dos países tem 50% da energia produzida pela usina. O que o Paraguai não consome ele deve necessariamente repassar ao Brasil, por um valor definido a partir de cálculos descritos no próprio contrato.
Lugo afirma que o preço pago pelo Brasil ao Paraguai pela energia excedente não é justo e, em visita ao Brasil, pediu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que seja aberta uma mesa de negociação para discutir o tratado. Segundo o Ministério das Relações Exteriores (MRE), não foi solicitado ao Brasil que envie observadores para acompanhar o processo eleitoral. Haviam sido oferecidas urnas eletrônicas, mas as eleições serão realizadas da forma tradicional, com cédulas de papel.
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