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Paraguai é "porto seguro" para americanos

28 agosto 2005 - 08h15

Com a justificativa de estarem preocupados com a instabilidade política de Bolívia, Venezuela e Equador, os Estados Unidos elegeram o Paraguai seu novo aliado estratégico na América do Sul. Soldados americanos estão na região do Chaco, com uma missão denominada humanitária, com destacamento de médicos militares e treinamento de policiais e militares paraguaios. Na teoria, a operação acaba no fim do ano que vem. Mas a ampliação da base de Mariscal Estigarribia, onde estão instalados, sugere que as tropas vão permanecer por mais tempo. À primeira vista, pode parecer que a principal preocupação de Washington é vigiar a Tríplice Fronteira, de onde acredita que partiriam financiamento para ações terroristas, ou ficar de olho no líder venezuelano Hugo Chávez. Mas para analistas consultados pelo JB, a aproximação entre os dois países tem um objetivo mais amplo: fazer do Paraguai a voz dos EUA no Mercosul, capaz de aproveitar espaços deixados por eventuais desavenças entre os principais integrantes do bloco. - A Casa Branca iniciou uma nova política estratégica, pois não tem nenhum outro aliado no Cone Sul, países são em sua maioria críticos a Washington. A escolha por Assunção não é surpresa. O Paraguai é mais aberto aos americanos, tanto a elite quanto a maioria da população. São mais influenciáveis do que na Argentina, por exemplo - explica Marta Lagos, diretora do instituto de análise política sul-americana Latinobarómetro.  Um dos motivos, aponta a cientista política paraguaia Milda Rivarola, é a personalidade da administração de Nicanor Duarte, ""na contramão das tendências social-democratas dos demais membros do Mercosul: Argentina, Brasil e Uruguai"".  - Além disso, há a debilidade da política externa, suscetível a alinhar-se com uma potência exterior em troca de promessas de abertura de mercado a o que quer que seja. Dessa vez, a negociação é da entrada de produtos têxteis paraguaios na Flórida - conta.  Para Washington, afirma Lagos, conseguir ter representação de seus interesses dentro do Cone Sul pode significar a manutenção da hegemonia mundial, pelo menos econômica, a longo prazo:  - Os EUA estão preocupados com o papel que a China pode ter no Mercosul. Os chineses são um poder econômico que cresce a cada dia e voltam suas atenções para a América do Sul. Os americanos temem perder influência na região. Ou pior, serem dominados por Pequim que, com mais aliados, teria mais poder político e de barganha.  Carlos Pereyra Mele, do Centro de Estudos Estratégicos Sul-Americanos (CEES), não mede palavras ao comentar a aproximação entre EUA e Paraguai.  - É uma cacetada no Mercosul. O que Washington quer é desestabilizar um mercado que não segue suas imposições - afirma.  A questão econômica foi justamente a justificativa paraguaia para deixar Argentina e Brasil um tanto de lado e se voltar aos EUA. Em entrevista ao jornal Última Hora, de Assunção, o vice-presidente Luis Castiglioni criticou os vizinhos.  - Aqui na região só tivemos decepções. Onde está o espírito de solidariedade quando até agora seguimos suportando os impedimentos à exportação? Não necessitamos de migalhas. O Paraguai precisa e tem o direito de buscar um relacionamento digno com outras nações - disse Castiglioni, comentando a criação pelo Mercosul dos ""fundos estruturais"". - Não queremos doação de dinheiro, queremos mercado.  - Argentina e Brasil vêm subestimando Uruguai e Paraguai no âmbito do bloco e essa é uma atitude que deveria ser corrigida - concorda Rosendo Fraga, analista do instituto Nueva Mayoría, de Buenos Aires.  Segundo o cientista político, os EUA estão explorando não só o desequilíbrio mercantil, mas também o passado do Cone Sul:  - Sem dúvida, o menosprezo que o Paraguai sente tem raízes históricas na Tríplice Aliança [formada por Brasil, Argentina e Uruguai, que entre 1864 e 1870 atacaram o vizinho, na Guerra do Paraguai].  A aproximação entre Washington e Assunção significa ainda uma mudança da política ianque não só em relação ao Mercosul. A curto prazo, e em caso de emergência, diz respeito à toda a América do Sul. Fraga lembra que a prioridade da Casa Branca para o segundo mandato de George Bush era clara: delegar ao Brasil a liderança regional, tendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como um homem respeitado o suficiente para conter a influência de Chávez no continente.  - Mas a força de paz da ONU que atua no Haiti, sob comando brasileiro, gerou dúvida no Pentágono sobre se o Brasil está disposto a usar força em caso de desestabilização na região. Neste momento, Lula encontra-se acuado pela crise política; em conseqüência, diminuiu sua capacidade de contrabalançar o venezuelano como ator político. Além disso, Chávez demonstra claro interesse de investimento na Argentina, Brasil e Uruguai, mas não no Paraguai. Estes fatos levaram o secretário de Defesa americano, Donald Rumsfeld, a visitar Assunção duas vezes este ano e a procurar estabelecer ali um ponto de apoio para intervir, se houver crise - completa.  

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