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Para religiosos, apelo econômico não deve prevalecer no Natal

24 dezembro 2009 - 17h08

Publicidade e enfeites luminosos não nos deixam dúvidas de que é Natal. O conteúdo da maior parte das propagandas, no entanto, encobre o verdadeiro significado da data, o nascimento de Jesus. O consumo segue pautando parte da festa e divulga-se mais a figura do Papai Noel do que a de quem deu origem à celebração. É assim que representantes de diversas crenças cristãs veem os atuais festejos, enquanto ressaltam o sentimento de paz e fraternidade desta época.

“É um apelo para nos amarmos mais. E o amor nos leva à atitude de paz”, diz o secretário-geral da entidade kardecista Mansão do Caminho, João Neves da Rocha. E define: “Para os espíritas, é tempo de reflexão e amadurecimento”.

Com os católicos, não é diferente. O Natal vai além de mais uma entre tantas comemorações litúrgicas. “Para nós, tem esse significado mais profundo, a encarnação de Jesus, que é o ato solene de Deus se fazer homem, um de nós”, explica o padre Lázaro Muniz, secretário da Pastoral da Arquidiocese do Salvador.Ele lamenta o novo sentido dado à data: “Os presentes, a ceia, a festa, infelizmente tudo isso virou algo maior. Papai Noel acabou tomando o lugar do aniversariante”.

Para o pastor da Igreja Batista Karis (Brotas) Abraão Oliveira, “árvores são enfeitadas, à meia-noite ceiam, dão presentes, mas pouco se fala sobre o Cristo. Sabemos que a época movimenta a economia, gera empregos, mas isso não tem relação com o Natal bíblico. É mero capitalismo”.

“Desvios como o excesso do álcool, a agitação no trânsito, essa correria desenfreada são o outro lado desta época do ano. A gente procura atenuar isso com as marcas de religiosidade do nosso trabalho”, declara o espírita João Neves. Ele pondera: “Apesar dos apelos comerciais e da agitação, no final, a grande noite do Natal é uma noite de família e tranquilidade”.

Família - Na noite do dia 24, dona Laís Freitas, 74 anos, reúne a família em volta da mesa para celebrar o que ela considera ser “o aniversário do rei dos reis”. A casa fica decorada, alguns trocam presentes, mas o centro da festa é mesmo dedicado ao aniversariante. “A gente se reúne para, juntos, relembrar o que Deus fez por nós”, afirma a matriarca de uma família com três filhos, muitos netos e até bisneto.

“O Natal, para mim, traz um sentimento muito lindo. É um dia de grande significado. Se Ele veio ao mundo, foi por um sentimento profundo de amor. Tenho uma gratidão muito grande”, diz a cristã. Para ela, o festejo em família não é suficiente para celebrar a data, que se completa com o culto do dia 25 na Igreja Batista que frequenta e um trabalho de cunho social.

“Eu fico triste porque o povo não está dando ao Natal o verdadeiro significado. O comércio muito grande, as pessoas com banquetes fartos, enquanto há outro grupo à margem que nada tem para se alimentar. Crianças com brinquedos de última geração, quando outros não têm com o que brincar. Há uma discrepância muito grande na sociedade”, lamenta a idosa.

Como tentativa de minimizar a diferença, dona Laís viajou, semana passada, para levar presentes e doações para a comunidade Urupi, perto de Santo Amaro (Recôncavo).
Agraciados em atos solidárias sentem-se recompensados, como Jicélia dos Santos, 35. Ela e sete filhos participam de ações da Mansão do Caminho (Pau da Lima). Semana passada, receberam presentes: “Aqui, nos acolhem”.

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