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Para Embrapa, transgênico carece de estudo

12 outubro 2003 - 07h22

A eventual liberação definitiva do plantio de soja transgênica carece de experimentos adequados à realidade ambiental do Brasil, diz o presidente da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), Clayton Campanhola. Em outras palavras, não há garantia de que o plantio do transgênico, liberado por medida provisória, não comprometa o solo e a saúde de consumidores."Há muitos dados, inclusive do exterior [sobre a suposta segurança da soja transgênica]. São nesses dados que os pesquisadores da Embrapa têm se baseado para se posicionar", diz Campanhola. ""Precisamos de informações mais direcionadas às nossas condições, até porque o país é extremamente heterogêneo e tem uma diversidade muito grande em termos de recursos naturais", completou, em entrevista concedida na sexta.O presidente da Embrapa argumenta que se poderia ""validar" parte dos testes promovidos em outros países, mas, em outros casos --que ele não especificou--, seriam necessários estudos locais. ""Não significa generalizar, dizer: "Foi feito estudo no exterior, logo está tudo bem"".A Embrapa se encontra no epicentro da discussão de transgênicos no Brasil. O órgão de pesquisa é subordinado ao ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, que defende a liberação do cultivo de transgênicos. Simultaneamente, a Embrapa mantém acordos assinados, desde 1997, com a Monsanto, multinacional do setor de biotecnologia. Nos últimos anos, a Embrapa desenvolveu sementes de soja modificadas a partir de genes cujos direitos de patente pertencem à Monsanto.As sementes contrabandeadas (da Argentina) usadas nas plantações no Brasil têm tecnologia patenteada pela Monsanto.De acordo com o presidente da Embrapa, não caberia à empresa do governo promover a análise científica para verificar a ""segurança" dos transgênicos. ""Cabe a quem registra, quem detém a patente cumprir essa legislação. Na verdade, a Embrapa não está se antecipando a isso [ou seja, não estaria se preparando ou promovendo testes com as sementes usadas pelos agricultores]", sustentou o executivo.Campanhola recorre a dois discursos (um científico e outro político, quando não tergiversante) ao externar seu posicionamento sobre os transgênicos. Primeiro, o científico: a Embrapa defende a pesquisa. "Entendemos que a transgenia é uma das biotecnologias e, portanto, não pode ser descartada. Por outro lado, temos que nos preocupar com a questão da biossegurança, que seria a avaliação dos possíveis riscos ao ambiente e à saúde humana." Para completar: "É uma reivindicação da sociedade brasileira e temos que ter humildade para entender essa preocupação. O compromisso da pesquisa é dar resposta a essas inquietações".Sobre a decisão do governo de liberar o plantio (que já começou) e a comercialização de soja transgênica até dezembro de 2004 e sobre sua eventual ratificação no futuro, o discurso político. "Neste caso específico da medida provisória, é uma posição de governo, não uma posição da Embrapa. Está fora de nossa competência tratar desse assunto", diz.O presidente da Embrapa afirma não ter participado das discussões para a liberação do plantio de transgênicos. "Foi tratado dentro de outra instância, por ministros. O que estamos fazendo [as pesquisas] está em acordo com a legislação do Ibama [Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis]; enquanto a questão não se resolve, seguimos a legislação."A referência é à elaboração de um projeto de lei favorável à liberação definitiva dos transgênicos no país. "Estamos nos antecipando para ver como podemos utilizar a transgenia a favor dos agricultores. Seria outra opção que pode ser colocada para ele [agricultor]. Não deixaremos de produzir sementes convencionais."Além da soja, a Embrapa tem pesquisas para produção de milho, mamão, batata, feijão e algodão transgênicos, vinculadas a indústrias químicas e institutos internacionais. ""Está tudo sendo feito ainda em laboratório. Agora que testaremos o mamão em pequenos campos." Parte desses experimentos, segundo ele, poderia no futuro ser vinculada a projetos de agricultura familiar.Indagado se a liberação do plantio na atual safra não significaria um caminho "sem volta" para a disseminação da soja transgênica em território nacional, ele afirmou que um dos maiores erros dos agricultores é plantar grãos e não sementes. ""Representa um grande risco para a agricultura. Ele perde em qualidade, pode perder em produtividade. É uma questão acima de tudo técnica. Todo o tema está sendo tratado de maneira atípica, provisória. Esperamos que o projeto de lei que vai ser tramitado resolva essas questões."Tampouco quis comentar a decisão do CTA (Comitê Técnico de Assessoramento para Agrotóxico) contrária ao uso de glifosato sobre as plantações de soja. "Não cabe à Embrapa opinar sobre decisões tomadas por outros órgãos e pelo ministério", afirmou.

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