A entrevista desta semana do Dourados News é com as representantes da Rede Feminina de do Combate ao Câncer de Dourados,Cleusa dos Reis Holsback e Silvana Soares de Almeida. Com a chegada do Outubro Rosa em que a questão da prevenção do câncer de mama é debatida nacionalmente, abordaremos com as representantes como serão essas ações no município e como é o trabalho da Rede com os pacientes em busca de apoia-los no tratamento.
Cleusa é presidente e está a frente da entidade desde 2013 e em abril desse ano iniciou o seu segundo mandato que segue até 2017. Anterior a isso, ela atuou como voluntária na rede desde 2006 e posteriormente como vice-presidente.
Ela cita sobre as dificuldades que a Rede tem para abrigar os pacientes que vem da região e dar suporte aos que são do município, visto que dependem de doações e não contam com ajuda financeira do poder executivo.
A presidente fala sobre os trabalhos beneficentes que são constantes para ajudar a manter a estrutura do local.
Ela destaca ainda o apoio de voluntários na entidade que dão um importante suporte para que as ações continuem, como enfermeiros que auxiliam em diversas situações, estagiários da área de saúde e pessoas que ministram mini cursos.
No quesito prevenção, a Silvana Soares, que é coordenadora destaca que ainda são necessários avanços e que há o medo de enfrentar a doença, o que gera prejuízos já que quanto antes diagnosticada, mais tem chance de cura.
Veja a entrevista na íntegra
Dourados News- Quantos novos casos de câncer de mama foram registrados esse ano em Dourados?
Cleusa dos Reis Holsback- É difícil um número sobre isso pois podemos falar dos que acompanhamos aqui pela Rede. São cerca de 60 pacientes que atendemos mensalmente e desses 1/3 é desse tipo de caso. Outro tipo que tem sido bastante comum é o câncer de pele.
D.N- Pode se considerar esse número alta incidência de câncer de mama em Dourados?
C.R.H- A incidência aqui tem sido normal e se iguala a incidência de outros tipos de câncer. Nesse caso quando o câncer é detectado cedo se tem cura, já quando se deixa a doença ir avançando e não se cuida fica difícil o tratamento.
D.N- Como é o atendimento da Rede Feminina de Combate ao Câncer?
C.R.H- Procuramos dar um apoio total. Os homens e mulheres de municípios da região vem e são alojados aqui na casa. Oferecemos quatro refeições por dia e todo o amparo, conforto, tem o carro que leva e traz na oncologia ou para outros tratamentos necessários. Atualmente tem um colaborador também que ajuda com assistência jurídica. Nós temos 30 leitos, tem semanas que todos os leitos estão ocupados e em outras não, depende muito do tratamento realizado na oncologia. Isso varia, há por exemplo pacientes que vem e irão realizar 30 quimioterapias e aí vai ficar aqui quatro semanas no caso. Já o outro por exemplo, vai fazer radioterapia e fica certo tempo, então não temos uma base, varia muito. Acontece de ter semana que não temos leito para todos, vale lembrar que atendemos toda a região. Os pacientes aqui do município a gente dá apoio também, nesse caso levamos e buscamos quando necessário, doamos cestas básicas, verduras aos mais necessitados, verduras, entre outros itens que recebemos.
D.N -Atualmente são quantos atendimentos mensalmente?
C.R.H- Atendemos cerca de 60 pessoas por mês na casa mas, esse número varia.
D.N- Como a pessoa deve fazer para receber esse acompanhamento?
C.R.H- Acontece de muitos virem encaminhados pelas prefeituras dos municípios, nós recebemos qualquer pessoa que precise da assistência por enfrentar a doença é só trazer as documentações necessárias.
D.N- Quais os serviços oferecidos?
C.R.H- Dentre as nossas ações cotidianas temos as alunas que fazem estágio de psicologia e prestam um grande apoio as pessoas que frequentam a rede, temos também as voluntárias que ensinam artesanato como crochê, tricô, bordado e várias outras artes, o que é uma terapia muito importante, vem e aprendem a fazer algo e ficam felizes, há uma troca de conhecimento e isso é muito bom. Nós estamos sempre abertos a esse tipo de trabalho voluntariado acreditamos que só tem acrescentar, trabalhamos em uma equipe muito pequena de quatro funcionários e necessitamos de ajuda para esse tipo de trabalho.
D.N- Quais os casos mais comuns que são atendidos na rede?
C.R.H- Atendemos casos de pacientes com câncer na garganta, no esôfago, faringe, estômago, mama, útero, reto, na cabeça, pulmão, são esses os casos, pessoas de todas as idades. Fazemos também visitas nos hospitais, as pessoas estão internadas com esse problema e nem conhecem a casa, aí vamos e apresentamos nosso trabalho e essas pessoas acabam vindo para cá também e notamos que isso os ajuda muito. Nosso apoio acaba as vezes por se estender aos acompanhantes dos pacientes também pois, muitas vezes encontramos esses nos hospitais sem ter como arcar com custos de alimentação, aí trazemos para cá, ajudamos nesse sentido e depois levamos novamente e assim vai entre outras situações.
D.N- Para que esse atendimento fosse ampliado, o que seria necessário?
C.R.H- Nós vivemos aqui apenas de doações, precisaríamos de mais ajuda. As prefeituras não ajudam com nada. Nem os pacientes que ficam na cidade, onde deveria haver o serviço da prefeitura com a ambulância, de levar e buscar, não fazem e nós que temos que fazer isso, pois não temos ajuda. O que acontece com isso é que temos que trabalhar muito para levantar o sustento da rede, fazemos promoções diversas por necessidade. No final de outubro teremos a Expoflor que é uma das ações que nos ajuda muito e para ainda esse ano estamos organizando um bobó beneficente. Essa situação nos causa muita preocupação. O que nos motiva a continuar é o fato de gostarmos muito daqui, a gente trabalha e vai se apegando muito aos pacientes e quando vemos já estamos assumindo e encarando as situações.
D.N- Na visão da presidente, o que poderia ser melhorado com mais apoio?
C.R.H- Um benefício muito grande aqui seria termos um profissional de enfermagem de dia e de noite para cuidar desses pacientes, pois precisamos muito, temos esse profissional como voluntário vem quando precisa com urgência. Tem vezes que precisamos ajudar mesmo sem ter o conhecimento total na área mas acabamos fazendo algo, temos que “se virar” como diz o ditado. Podemos dizer que alimentos para eles não tem faltado, o carro conseguimos também e foi de grande importância, agora o que falta muito são os mais variados tipos de medicamento, pois não é sempre que tem na farmácia ou no PAM (Pronto Atendimento Médico) que teria que ter e acontece de não ter e eles tem que comprar e muitas vezes temos que ajudar.
D.N- As doações tem sido o bastante?
C.R.H- Olha, graças a Deus a população ajuda bastante com o bazar conseguimos obter bastante auxílio com roupas tanto usadas, como das lojas que recebemos final de estoque, manda utensílios domésticos, fogão, geladeira, o que mandar a gente vende e transforma em renda para a rede.
D.N- Em que a cidade ainda precisa avançar no quesito atendimento a quem trata de câncer?
C.R.H- A casa tem melhorado muito apesar das dificuldades. Os carros mesmo vieram por uma emenda dos deputados e temos batalhado por outras melhorias. Já fizemos uma garagem grande e pintamos a casa por dentro, temos conseguido tornar o lugar agradável. Ao que eu sei, não há reclamações da oncologia aqui, os pacientes afirmam que o serviço aqui no município é bom.
D.N-Como são as ações/campanhas de prevenção e de arrecadamento de apoio ao longo do ano?
C.R.H- Sempre realizamos parcerias para palestras sobre prevenção ao câncer e outras ações práticas. Quanto ao trabalho para arrecadar fundos para a casa, são diversos. Como fixo podemos citar o bazar que temos como falei com roupas doadas que uma vez ao mês é feito algo maior com eletrônicos, calçados e utensílios e muitos já conhecem e sempre colaboram. A Expoflor nos “salva” muito também no quesito financeiro, de tudo que é vendido lá 20% é doado para a Rede feminina.*
D.N- Como serão as ações do Outubro Rosa?
C.R.H- Teremos palestras, coletas de preventivos e exames clínicos de mama, debates, entre outras atividades e o fechamento será especial com uma caminhada e aulão de zumba e outras atrações na Praça Antonio João no dia 31 de outubro.
D.N- As mulheres têm se conscientizado mais sobre prevenção?
Silvana Soares de Almeida- Continua falha a questão da conscientização, existe o medo do diagnostico ou aquela situação de pensar que isso nunca vai acontecer com ela, apenas com outras. Infelizmente muitas mulheres deixam de lado esse cuidado, não realizam o toque, a vaidade existe apenas por fora, com as questões de saúde não tem, não vai ao médico deixa a saúde de lado. Tudo isso é bastante ruim, pois com os avanços dos tratamentos há a possibilidade de cura mas, o diagnostico precisa ser rápido e o tratamento seguido de acordo. A pessoa tem que se atentar a qualquer coisa que esteja errado no corpo dela, caroços, vermelhidões nada disso é normal deve haver uma análise médica. Acontece que se não houver um cuidado correto o câncer pode se alastrar para outros órgãos e assim o tratamento fica mais doloroso e difícil claro. A campanha vem para fazermos um alerta de uma maneira geral sobre prevenção, cuidados é para chamar a atenção mesmo. Acredito que quanto mais as pessoas se envolverem melhor, a população tem que “abraçar” a causa, usar a camiseta como apoio, nisso é importante ressaltar que já estamos vendendo a mesma.*
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Para coordenadora, conscientização ainda precisa ser trabalhada (Foto: Gizele Almeida)