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Oscar 2010 premia drama militar e Bigelow é rainha da noite

08 março 2010 - 07h41

Não, desta vez James Cameron não pôde subir ao palco para mais uma vez gritar que era "o rei do mundo" ou, quem sabe, o rei de Pandora, satélite onde se passa o seu arrasa-quarteirão Avatar. Em lugar dele, sua ex foi a grande figura da cerimônia e fez história - já que, na bilheteria, Cameron é rei. A rainha da noite foi a diretora Kathryn Bigelow, que um dia já foi mulher de Cameron e hoje, sem ele, é vencedora do Oscar com uma produção modesta sobre personagens americanos na Guerra do Iraque.

Com Guerra ao Terror, Kathryn e seus companheiros de equipe conseguiram seis estatuetas durante a noite, incluindo a de Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Roteiro para Mark Boal, Melhor Edição de Som, Melhor Som e Melhor Montagem.

Cotado como um dos favoritos (apesar de sua alma de telefilme), em razão de vários outros prêmios que já havia embolsado - entre eles o Bafta, o Oscar inglês-, Guerra ao Terror tenta disfarçar caminhos ideológicos ao retratar o drama pessoal de um desarmador de bombas a serviço do exército americano que ocupa o Iraque. Não vai muito além desse espaço narrativo do anti-herói que, apesar de toda a carga explosiva que ele carrega em seu espaço público e privado, se veste sempre de vítima.

Avatar, que também estava sendo aguardado para receber vários prêmios, terminou a noite com os Oscar técnicos de Direção de Arte, Fotografia e Efeitos Especiais.

Entre os momentos mais emocionantes da noite, pontua-se o Oscar de Melhor Ator para Jeff Bridges, o "Dude" que todos em Hollywood parecem amar, mas que nunca havia recebido o devido reconhecido da Academia - ele que já havia sido indicado outras quatro vezes.

Igualmente lacrimejante foi o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante para Mo'nique, a mãe bruta e brutalizada de Preciosa. Assim como aconteceu quando Bridges ganhou o prêmio, Mo'nique foi aplaudida de pé no que pareceu ser um consenso sobre sua interpretação imbatível em Preciosa. Os demais prêmios que levaram a chique e recatada audiência do evento a se levantar para aplaudir foram o de Melhor Direção para Bigelow e o de Melhor Atriz para Sandra Bullock.

Aliás, nesta última categoria, algo estranhamento curioso - e talvez sintomático de um certo distúrbio bipolar hollywoodiano - se concretizou quando Bullock subiu ao palco para receber o prêmio. Ela, que 24 horas antes estava no Framboesa para receber o prêmio de pior atriz do ano por Maluca Paixão, levou o Oscar por sua atuação em Um Sonho Possível. Viver Leigh Anne Tuoh - a mãe de família e empresária que, no alto de sua riqueza, decidiu adotar um jovem negro e o encorajar na carreira de jogador de futebol americano - fez com que Bullock saisse da cerimônia acompanhada do cobiçado rapazinho dourado.

Há quem diga que o papel de Leigh Anne está para Bullock assim como Erin Brockovich estava para Julia Roberts. As semelhanças são muitas: Leigh Anne, que deu o Oscar a Bullock, e Brockovich, que deu o Oscar a Roberts, são duas mulheres reais que, mesmo acostumadas a um cotidiano de poucas resoluções extremas, conseguiram ficar conhecidas por seus momentos altruístas.

Em tempo: para Meryl Streep, coerentemente chamada de "simplesmente a melhor" por seu colega de filme (Julie & Julia) Stanley Tucci, restou o título de "amante" de Sandra Bullock, que lembrou do beijo que as duas deram este ano durante a cerimônia do Critic's Choise Awards.

Confira então os melhores, piores e mais bizarros momentos da noite:

Maior surpresa
Estava mais do que certo no caderninho de apostas de todo mundo que A Fita Branca, de Michael Haneke, ia levar Melhor Filme Estrangeiro. Mas eis que o envelope se abre e o nome anunciado é o de O Segredo de seus Olhos, filme argentino que desbancou o favorito concorrente alemão, dono da Palma de Ouro em Cannes em 2009.

Melhores piadas
Avatar no palco - Ben Stiller perde o estilo, mas não perde a piada de jeito nenhum. Vestido de smoking, ele podia passar despercebido não entrasse em cena como um Na'Vi, o alienígena azul de Avatar. E na hora de finalmente anunciar o vencedor na categoria Maquiagem, eis que seu rabo começa a atrapalhar o pronunciamento. Boa sacada do humorista.

Terror na cama - Steve Martin e Alec Baldwin brincando de Atividade Paranormal foi certamente um dos melhores momentos da noite. A dupla, que estava bem sincronizada, provou que filme de horror mesmo é dormir mal acompanhando.

Maiores micos
O sumiço de Farrah Fawcett - esqueceram de citar, no obituário que a Academia apresenta todo ano, o nome da eterna Pantera. Mico grande para a Academia.

Fora de tempo - a cerimônia começou atipicamente atrasada este ano e, para um evento que se alonga pela noite, qualquer minuto fora de hora não é bem-vindo.

Casal de Crepúsculo - Kristen Stewart e Taylor Lautner apresentaram um tributo aos filmes de terror. Mas, para desconforto de ambos os atores, a música de fundo não baixou quando os dois começaram a ler o teleprompter. Kristen, nervosa, não parecia nada à vontade na missão e até tossiu no meio do anúncio.

Números musicais no palco - ok, esse costuma ser o momento de pegar algo na geladeira, mas este ano os números musicais que apresentaram os indicados a melhor trilha sonora original foi entediante além da cota e da conta.

Confira a lista de todos os vencedores:

Melhor Filme
Guerra ao Terror de Kathryn Bigelow, Mark Boal, Nicolas Chartier e Greg Shapiro

Melhor Direção
Kathryn Bigelow, Guerra ao Terror

Melhor Atriz
Sandra Bullock, Um Sonho Possível

Melhor Ator
Jeff Bridges, Coração Louco

Melhor Atriz Coadjuvante
Mo'Nique, Preciosa - Uma História de Esperança

Melhor Ator Coadjuvante
Christoph Waltz, Bastardos Inglórios

Melhor Filme Estrangeiro
O Segredo dos Seus Olhos, de Juan José Campanella (Argentina)

Melhor Animação
Up - Altas Aventuras - Pete Docter

Melhor Direção de Arte
Avatar - Rick Carter e Robert Stromberg

Melhor Fotografia
Avatar - Mauro Fiore

Melhor Figurino
The Young Victoria - Sandy Powell

Melhor Montagem
Guerra ao Terror - Bob Murawski e Chris Innis

Melhor Maquiagem
Star Trek - Barney Burman, Mindy Hall e Joel Harlow

Melhor Trilha Sonora
Up - Altas Aventuras - Michael Giacchino

Melhor Canção Original
The Weary Kind, Coração Louco - Ryan Bingham e T Bone Burnett

Melhor Roteiro Original
Guerra ao Terror - Mark Boal

Melhor Roteiro Adaptado
Preciosa - Uma História de Esperança - Geoffrey Fletcher

Melhores Efeitos Visuais
Avatar - Joe Letteri, Stephen Rosenbaum, Richard Baneham e Andrew R. Jones

Melhor Edição de Som
Guerra ao Terror - Paul N.J. Ottosson

Melhor Mixagem de Som
Guerra ao Terror - Paul N.J. Ottosson e Ray Beckett

Melhor Documentário
The Cove - Louie Psihoyos e Fisher Stevens

Melhor Documentário em Curta-Metragem
Music by Prudence - Roger Ross Williams e Elinor Burkett

Melhor Curta-Metragem
The New Tenants - Joachim Back e Tivi Magnusson

Melhor Curta-Metragem de Animação
Logorama - Nicolas Schmerkin


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