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SAÚDE

OMS alerta para risco de disseminação sem controle do ebola

02 agosto 2014 - 15h11

oglobo.com

A epidemia da devastadora febre hemorrágica ebola que assola a África Ocidental pode ter “consequências catastróficas” e até “se espalhar para outros países”, se nada for feito para controlá-la. O alerta foi dado ontem pela diretora-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Margaret Chan, que está na região para uma reunião de emergência com autoridades de Guiné, Libéria e Serra Leoa, epicentro do surto.

"A epidemia está se alastrando com mais rapidez do que nossos esforços para controlá-la", afirmou Margaret durante a reunião emergencial. "Se a situação continuar se agravando, as consequências podem ser catastróficas em termos de perdas de vidas, mas também de graves problemas socioeconômicos e um elevado risco de disseminação para outros países".

Por isso mesmo, o anúncio, ontem, de que duas pessoas infectadas pelo vírus ebola serão transferidas para tratamento nos EUA levou pânico ao país. A população teme o alastramento da febre hemorrágica que já matou 729 pessoas na África Ocidental desde o início do último surto, em março. É a primeira vez que pessoas com a doença entrarão em território americano.

O governo não identificou os pacientes, limitando-se apenas a dizer que são cidadãos americanos. Uma organização de caridade que atua na região, no entanto, informou que os doentes são Kent Brantly, um médico texano que estava tratando vítimas da doença na Libéria, e Nancy Writebol, uma missionária da Carolina do Norte. Em princípio, eles serão tratados numa área de segurança máxima do hospital da Universidade de Emory, em Atlanta

Autoridades explicaram que o temor de uma epidemia de ebola nos Estados Unidos é totalmente injustificado.

“É importante que não deixemos o medo do desconhecido se sobrepor a uma abordagem racional de controle de qualquer doença infecciosa”, afirmou Barbara Reynolds, porta-voz do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês), envolvido no processo de transferência dos pacientes, em entrevista por e-mail ao “Washington Post”. Ela pediu à população que reclamava nas redes sociais sobre a chegada dos doentes que tivesse “compaixão pelas pessoas dos Estados Unidos que se voluntariaram para ir à África Ocidental ajudar a combater a maior epidemia de ebola da História”.

Barbara informou ainda que o avião a ser usado na transferência, que deve ocorrer até o fim da semana que vem, é capaz de transportar em segurança até mesmo quem sofre de doenças transmissíveis pelo ar, o que não é o caso do ebola. A febre hemorrágica é transmitida somente pelo contato direto de mucosas (olho, nariz e boca) com fluidos corporais de pessoas doentes.

“Lembrem-se de que o ebola não é transmitido pelo ar como muitas outras doenças letais são. Outra coisa: o ebola só é transmitido por pessoas que já mostram sinais da doença. Nós continamos trabalhando com a OMS e outras agências federais para proteger a saúde dos americanos aqui e no exterior”, escreveu a porta-voz.

Falta de confiança

O Departamento de Estado também garantiu, em comunicado, que todos os cuidados estão sendo tomados para garantir o total isolamento dos pacientes tanto no transporte quanto no hospital. Embora esta seja a primeira vez que um paciente de ebola entra nos EUA, em cinco outras ocasiões pessoas chegaram ao país com os vírus Marburg e Lassa, que causam febres hemorrágicas muito similares às provocadas pelo ebola, e não foi registrada nenhuma transmissão secundária.

Em reunião ontem com autoridades dos países afetados, a diretora da OMS lançou um plano de combate à epidemia de US$ 100 milhões. O plano prevê o aumento do número de profissionais de saúde trabalhando na região. Segundo Margaret, é urgente o deslocamento de médicos, enfermeiros, epidemiologistas e especialistas em mobilização social para a região. Para a diretora-geral, não é “inteligente” permitir que a doença continue se alastrando dentre as populações locais.

"Mutações constantes e adaptações são o mecanismo de sobrevivência dos vírus e de outros micróbios", lembrou. "Não devemos dar a esse vírus oportunidades para nos apresentar mais surpresas".

Um dos maiores especialistas do mundo em ebola, o cientista belga Peter Piot, corresponsável pela descoberta do vírus, disse ontem achar improvável que o surto na África Ocidental se transforme numa epidemia de maiores proporções ou mesmo que saia da região. Segundo ele, a falta de infraestrutura e de confiança nos profissionais de saúde teriam contribuído para a disseminação da doença nos três países.

Atualmente, um dos maiores problemas enfrentados pelos médicos na região é a fuga de pacientes. Muitas vezes, as pessoas temem ouvir um diagnóstico fatal, têm medo do estigma que a doença carrega e temem ser contaminadas. Além disso, como parte das tradições locais, é comum que as próprias famílias enterrem seus mortos, causando mais exposição ao vírus.

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