Qualquer ocupação que se preze tem batucada, gritos exaltados em alto-falantes, cartazes com denúncias e, eventualmente, críticas contra a tal "imprensa burguesa". Os estudantes da Universidade de Brasília (UnB) que permanecem desde 3 de abril no gabinete do reitor licenciado Timothy Mulholland seguem a cartilha padrão de manifestações do gênero. A diferença é que certos elementos da vida universitária foram incorporados ao protesto.
Professores que apóiam o movimento dão aulas (de direito, antropologia, canto) no prédio da reitoria; pela noite, formam-se rodas de música, do forró ao chorinho; pais, sindicatos e até desconhecidos doam comida a estudantes; e, por falar nos universitários, há quem aproveite o intervalo de uma assembléia e outra para atender às reivindicações do coração, flertar, fazer "novas amizades" e, bingo, procurar uma paquera...
Os garotos da antropologia
"Tem uns gatinhos da antropologia aqui, ainda bem", alivia-se Bruna Paixão, 19 anos. A estudante de serviço social visitou o prédio um dia depois da ocupação do gabinete. Desde então, faz questão de acompanhar o protesto, sem deixar de lado os estudos e sempre tranqüilizando a mãe. "Ela fica com medo de a polícia chegar e me matar", exagera.
Na avaliação da aluna Bárbara Ribeiro, 20, a repercussão do movimento superou as expectativas. "Não esperava que fosse durar tanto", admite ela. A paquera no local, diz Bárbara, não é tão forte assim. "As meninas não chegam [nos meninos] porque eles estão fedidos, sem tomar banho há um bom tempo. Mas admiramos todos eles", ressalta ela.
'Racismo institucionalizado'
O estudante de engenharia florestal Abayoni Mandela, 22, admite que teve uma "aproximação" e criou "elos fortes" com uma colega, mas a principal lembrança que ele tem do protesto é de um caso que define como "racismo institucionalizado".
"No dia da ocupação, [os seguranças] pensaram que eu era africano, me viram e ameaçaram me deportar", diz ele, que é brasileiro.
Alimentação
Para abastecer os estômagos de tanta gente, o movimento conta com o apoio de universitários, professores e até pessoas não vinculadas à UnB que acompanham o noticiário.
"A causa dos estudantes é justa. Sou uma cidadã", identificou-se assim uma mulher que entregou sacolas com comida na quinta-feira (10).
Big Brother UnB
Uma das principais vozes de liderança dos universitários, a estudante de história Catharina Lincoln, 20, só reencontrou o pai após a ocupação completar seis dias. "A família fica preocupada, liga muito, para saber se está tudo bem", conta ela. Catharina fez questão de passar todas as noites na reitoria.
No primeiro dia, quando a ocupação estava restrita ao gabinete, houve até quem dormisse no caixão colocado em cima da mesa de Mulholland. O G1 tentou entrar em contato com a figura, mas não obteve resposta.
"Os primeiros dias pareciam um 'Big Brother'. Muitas pessoas que não se conheciam tendo que conviver em um mesmo ambiente por 24 horas, conversando, dormindo", lembra Catharina. "Mas superamos as primeiras barreiras, criamos amizades, há um bom clima, conforto emocional, toda hora tem um abraço coletivo."
Quem ele é?
No momento, um dos principais 'mistérios'da ocupação é a identidade do estudante que, caracterizado como o personagem Borat, vestiu um bizarro maiô verde, deu o ar da graça na parte externa do prédio da reitoria e atraiu a atenção de fotógrafos.
Não é toda ocupação que pode se gabar de ter um personagem tão, digamos, exótico
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