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O tempo

21 fevereiro 2011 - 11h15

Oportunizando a maioria das ascensões sociais que conhecemos, isso quando não as remete direto pelos caminhos enganosos do fracasso, o tempo atua. Modificando comportamentos intolerantes e costumes centenários, o aludido tempo renova-os repentinamente. Desse modo, o velho tempo às vezes surpreende as pessoas, agindo de maneira implacável nas areias da ampulheta, aonde escorre veloz. E faz isso, indiferente do existir das conhecidas vaidades humanas, vícios da mentira e falsos elogios artificiais.
 
Na verdade, o misterioso tempo apenas passa, muitas vezes acalmando sandices expostas. Discreto, o emblemático tempo assiste nascimentos de enormes riquezas e destas um considerável número de ganhos apenas passageiros. Mas, testemunhando as lamúrias homeomorfas dos fracassados, o senhor tempo assiste as lutas inglórias dos garimpeiros das fortunas, algumas procuradas durante uma vida inteira.
Até que um dia, cobrando essa assessoria para todos os humanos racionais, o tempo termina mostrando o seu devastador poder na plenitude. Assim, esse eterno transcorrer das eras, como primeiro freqüentador das esquinas do mundo abarrotado de loucos, finalmente acaba se transformando num perverso vilão. Equiparado, supostamente, ao tipo de um malandro asqueroso, daquele tipificado como verme que colidindo nunca dá importância aos andantes, caminhantes nas estradas da existência mortal. Pois, passando rápido, quase que discretamente pelas vidas, alheio, individualmente mascara gestos de tolerância, condenando preconceitos de raças e suas cretinices. Assim, o tempo esvai-se lentamente, assombrosamente sumindo, sem dizer adeus aos extáticos otários, na hora da despedida.
Inflexível, o arrebatador tempo não proporciona uma segunda chance para ninguém nascido de mulher. Todavia, sendo um eterno solitário, veste-se com o figurino de anos passando e deixa marcas de saudades no somatório, sejam elas feitas das lembranças dos amigos ou de parentes que leva consigo para nunca mais devolver. Certos humanos, mesmo impotentes com os caprichos do tempo, já quiseram lhe dar combate usando de artifícios científicos. Mas no final, todos os seus desafiantes acabaram derrotados.
Essas vítimas do tempo, mais exaltadas, muitas são surpreendidas pelos acontecimentos inesperados na existência e descompensadas rejeitam as hipóteses de acreditar nas causas naturais. Forte, intransigente, principalmente quando muitos se recusam aceitar as costumeiras tramas do destino, o tempo nunca transaciona no convite para não correr na hora dos ensejos felizes.
Dessa maneira, o tempo consegue fazer os inconformados radicais tentarem vender a alma imortal para o diabo e no desespero de exorcizarem frustrações, os vê afastarem-se das realidades irreversíveis na qual convivem afundados. Desses lances apalermados, não obstante a fraqueza mental dos seus sonhadores proponentes, outros recorrentes também querendo desfrutar benesses, jamais conseguiram mudar nada. Pior ficaram eles, quando estes acontecimentos, sabidamente, sabe-se que um dia fizeram parte dos seus passados vazios. Porque, estes seres humanos, inconformados com as suas biografias miseráveis, estando despossuídos das nuances coloridas do destaque social, costumam é postular por novas oportunidades, situação descompensadora, porque pedem mais tempo ao próprio tempo.
Porém, sintetizando estas minhas modestas observações temporais e para não ter que perder o meu valioso tempo com essa confraria, digo que os pensamentos desses desequilibrados, são patrimônios personificados da maioria quase racional, podendo afirmar sem temores de errar, ter sido assim que surgiram os primeiros humanos possessos nos diferenciados enfrentamentos diários da sobrevivência. Por isso, tenho certeza, é que vejo gente importante sucumbindo, fisicamente decaindo em conseqüência da idade. Destes humanos racionais aqui referidos, vários ainda imploram poderem sorver doses do elixir da eternidade. Naturalmente, o fazem orando para divindades místicas moradoras em parnasos da alucinação, as quais suplicam um gole. E quando tolamente essas pessoas imbecis acharem já ser possível fazer esse ato impossível, o tempo sem nenhuma piedade, merecidamente as abaterá.



 
 
Isaac Duarte de Barros Junior*
*advogado criminalista, jornalista.

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