O entrevistado desta semana do Dourados News é o empresário e presidente da Fiems (Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul), Sérgio Marcolino Longen. À frente da entidade desde 2007 ele fala sobre a crise econômica vivida no país e que reflete em Mato Grosso do Sul. Nos questionamentos, feito via e-mail, ele relata sobre Projeto de Lei 57/2015 aprovada pelo Senado, classificando-o como a “Lei do Desemprego”, e que deve motivar milhares de demissões no setor até o final do ano.
“Até o fim deste ano, o setor industrial de Mato Grosso do Sul deve atingir a marca de 20 mil postos de trabalho encerrados em decorrência da aprovação, pelo Senado, do Projeto de Lei 57/2015, que altera a política de desoneração da folha e aumenta as alíquotas de impostos sobre 56 setores da economia”, disse.
Longen também é vice-presidente do Siams (Sindicato das Indústrias da Alimentação de Mato Grosso do Sul) e 2º diretor-secretário da CNI (Confederação Nacional da Indústria).
Veja a entrevista na íntegra
Dourados News- Como o senhor avalia o momento econômico da indústria em MS?
Sérgio Marcolino Longen- Apesar do cenário de crise econômica, o setor industrial sul-mato-grossense deve reverter esse quadro e retomar o crescimento registrado nos últimos anos. Não podemos acreditar que tudo está perdido, a direção que devemos seguir é a de muito trabalho. Essa é a linha que temos procurado avançar com a consolidação da indústria no Estado. Dentro do PDR (Programa de Desenvolvimento Regional) já estão elencados investimentos de mais de R$ 36 bilhões em 10 municípios de Mato Grosso do Sul - Água Clara, Bela Vista, Caarapó, Campo Grande, Chapadão do Sul, Maracaju, Ribas do Rio Pardo, São Gabriel do Oeste, Paranaíba e Três Lagoas. Nós entendemos que a indústria vai fazer a diferença em um ano de muitas dificuldades. Apesar de o Governo Federal não estar colaborando para reverter essa situação, de uma maneira geral, o setor industrial está tentando construir ações para amenizar os impactos da crise econômica, que está aí fazendo um estrago muito grande, principalmente, no emprego do trabalhador.
D.N.- A Fiems vem mostrando aumento de desemprego no setor industrial, no último levantamento falava-se em 12 mil demitidos entre janeiro a julho, por que isso está acontecendo?
S.M.L- Até o fim deste ano, o setor industrial de Mato Grosso do Sul deve atingir a marca de 20 mil postos de trabalho encerrados em decorrência da aprovação, pelo Senado, do Projeto de Lei 57/2015, que altera a política de desoneração da folha e aumenta as alíquotas de impostos sobre 56 setores da economia. Até julho este ano, de acordo com levantamento do Radar Industrial da Fiems, já foram fechadas 12 mil vagas de emprego nas indústrias do Estado e, com o agravamento da crise econômica aliada à política fiscal da União, esse número deve chegar a 20 mil como forma de ajuste por parte dos empresários devido a um cenário ainda pior para 2016. Quando se transfere esse custo para os produtos finais, você diminui o poder de compra da população e, com a restrição do consumo, automaticamente as indústrias reduzem a produção, resultando em demissões. Por isso, o setor produtivo classificou essa medida do Governo de ‘Lei do Desemprego’ e nós empresários a combatemos no Congresso Nacional. Infelizmente, os nossos políticos acabaram por permitir que o Planalto avançasse com essa medida sobre a sociedade.
D.N.-Explique o Projeto de Lei 57/2015 aprovado pelo Senado?
S.M.L- Antes da desoneração da folha de pagamento de 56 setores da economia, as indústrias pagavam 20% da folha para o INSS como contribuição. O Governo, entendendo que a contribuição era pesada, criou uma condição de melhoria para o setor empresarial, criando as alíquotas de 1% e 2% sobre o faturamento bruto das empresas. Passada essa fase, a União entendeu que estava precisando arrecadar cerca de R$ 22 bilhões a mais e voltou à carga, subindo as alíquotas de 1% para 2,5% e de 2,5% para 4,5%, então são aumentos impossíveis de não serem repassados. Em Mato Grosso do Sul, para se ter ideia, os setores industrial e comercial vão passar a pagar ao Planalto cerca de R$ 900 milhões a mais com o fim da desoneração da folha de pagamento. Nós vivemos em um Brasil que, por mais que seja democrático, o Governo tem nos faltado e a classe política também.
D.N. - Existe alguma ação por parte da Fiems como forma de pressionar o Governo contra esse projeto?
S.M.L- A Fiems está indignada com a política econômica do Governo Federal e ainda mais com a classe política do Estado, que validou uma medida que transfere para a sociedade um custo pesado por meio de novos impostos. Nos próximos dias, vamos até Brasília (DF), onde teremos uma reunião na CNI (Confederação Nacional da Indústria) para avaliar e tentar encontrar uma saída que não seja repassar os custos para a sociedade.
D.N.- Qual os segmentos da indústria que mais sentem os efeitos da crise em Mato Grosso do Sul?
S.M.L- As indústrias da construção civil e de alimentos, com certeza, foram a mais afetadas pela crise.
D.N.- Como a alta do dólar tem influenciado a atividade industrial no Estado?
S.M.L- Não é possível fazer um diagnóstico de quais são os efeitos do câmbio sobre a atividade industrial em sua totalidade. Afinal, dependendo do segmento ou mesmo empresa um câmbio mais valorizado pode ser melhor para os negócios, por outro lado, o contrário também é verdadeiro. Ou seja, inúmeras empresas e segmentos têm mais benefícios com um câmbio mais desvalorizado, pois pode dificultar a entrada de produtos concorrentes de outros países, bem como ainda pode favorecer as exportações. Porém, uma coisa é verdadeira para ambos, as oscilações como têm ocorrido são prejudiciais. Seja qual for o nível da taxa de câmbio é preciso que se tenha confiança em relação ao seu comportamento por um período considerável de tempo. Pois, só assim as empresas conseguirão elaborar com um pouco mais de clareza suas estratégias. Um exemplo, como uma empresa fará seu planejamento de vendas desse jeito? Se ela exporta, que preço ela poderá fechar com seu cliente se o câmbio não para de oscilar? Ou se ela importa, como ela definirá se seu fornecedor será local ou de fora do país? Enfim, como tudo em economia o que se precisa é um mínimo de previsibilidade.
D.N.- O senhor se mostrou contrário a unificação do ICMS, por qual motivo?
S.M.L.- A aprovação do Projeto de Resolução do Senado, que prevê a unificação das alíquotas do ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) em todo o País trará perda de competitividade, saída das indústrias de Mato Grosso do Sul e desinteresse de outras em se instalar no Estado. O momento é de se buscar alternativas para desenvolver os Estados e não criar situações nas quais as empresas percam competitividade e acabem por fechar as portas. Por isso, a Fiems defende quatro pontos: defesa da alíquota diferenciada do ICMS para os Estados em desenvolvimento; incentivos fiscais regionalizados; governança e a governabilidade; e criação de um Fundo de Compensação do ICMS.
D.N.-A Fiems tem atuado para a qualificação da mão de obra local. Mesmo com essa crise, ainda existem oportunidades para essas pessoas?
S.M.L- A educação profissional é a base para a inserção dos jovens no mercado de trabalho e para a construção de uma carreira promissora. A qualificação dos trabalhadores é fundamental para as indústrias, pois, somente por meio dela, eles serão capazes de utilizar e interpretar as novas tecnologias, aumentando a produtividade da indústria. Por isso, ao longo deste ano, o Sistema Fiems oferece 125.784 vagas em 311 cursos de educação profissional do Sesi, Senai e IEL, distribuídos por 52 cidades. Do total de vagas, 90.193 estão sendo disponibilizadas pelo Senai ao longo do ano em 228 cursos das modalidades de educação profissional técnica de nível médio, qualificação profissional, iniciação profissional, especialização profissional, superior e pós-graduação distribuídos por 52 municípios do Estado, enquanto o Sesi oferece 25.017 vagas em 62 cursos nas modalidades de educação, saúde, saúde e segurança no trabalho, responsabilidade social e estilo de vida saudável distribuídos por 7 cidades e, no caso do IEL, são 10.574 vagas em 22 cursos nas mais diversas modalidades distribuídas por 29 cidades do Estado.
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Sérgio Marcolino Longen, empresário e presidente da Fiems -Foto: Arquivo Pessoal