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O ‘prefeitaço’ do governador, elogio ou ironia?

26 janeiro 2010 - 09h11

O governador André Puccinelli, em evento público recente realizado na Capital do Estado, saiu com mais uma pérola para nomear o prefeito de Dourados, Sr. Ari Artuzi, conforme matéria publicada pela imprensa, chamou-o de ‘prefeitaço’. Esse negócio de chamar prefeito de prefeitaço não é novidade, muita gente utiliza para desqualificar, designar qualidades negativas do administrador municipal. Porém, pode subentender também qualidade positiva de um grande prefeito.
Mas tratando-se do governador André e do prefeito Artuzi é bom ficar com um pé atrás, mesmo que a imprensa tenha noticiado uma aproximação política entre os dois, inclusive que em breve estariam na mesma legenda, o PMDB. A relação tem sido conflituosa, as desavenças de ambos vêm de longe. André Puccinelli já chamou Ari Artuzi de “animal de pelo curto”, mandou “ir para a escola” e alcunhou o de “obtuso”. São palavras duras dirigidas de uma autoridade pública para outra e no caso recente, ‘prefeitaço’ seria um grande elogio.
Nas reportagens que li sobre o episódio, a imprensa trata o caso do ‘prefeitaço’ como mais uma ironia do governador André a gestão do prefeito de Dourados. O fato aconteceu na manhã do dia 21 de janeiro último, sem a presença de Artuzi, na solenidade de comemoração dos 31 anos da Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul – Sanesul.
No mesmo dia, só que no período da tarde, em outra solenidade na Assomasul (Associação dos Municípios de MS) o governador e o prefeito se encontraram em clima de muita amizade, caminharam abraçados, sentaram juntos na mesa de autoridade, um ao lado do outro e, segundo o jornal virtual “capitalnews” quando “André disse que ajudaria o município de Dourados e Artuzi recostou a cabeça no ombro do governador”. Vai daí que a relação entre ambos pode estar muito boa.
Como se pode ver, fica difícil entender a relação do governador com o prefeito. Vamos agora pensar que o governador se referiu ao Sr. Ari Artuzi como sendo o ‘prefeitaço’ que faz uma grande administração pública, aí seria o momento de convidar o Sr. André para dar um passeio pelo município e verificar in loco a real situação da “capital do agronegócio e cidade universitária”. Como é médico de profissão o governador ficaria o primeiro dia conhecendo as “mil maravilhas” pelo qual passa a saúde pública nos postos e hospitais. Talvez até implantaria no estado alguma novidade encontrada por aqui nesse setor...
O segundo dia reservaria para conhecer as vias, praças e parques públicos. O governador ficaria “maravilhado” com a condição das pistas de rolamentos, a organização do trânsito e a beleza dos canteiros centrais. Nos parques e praças o governador deve se “encantar” com a limpeza e a alegria do povo passeando pelos belos e conservados locais. Sobrou um tempinho nesse segundo dia, aproveite para conhecer as escolas municipais, inclusive as da reserva indígena.
Bom, o terceiro dia em Dourados fica reservado para o governador visitar as obras públicas em andamento na cidade, começando pelas do Programa de Aceleração do Crescimento – PAC, do governo Lula, especialmente as administradas pela Sanesul, geradora do ‘elogio’ desferido ao prefeito Artuzi lá na Capital. Em seguida visite as obras de responsabilidade da prefeitura, não esquecendo de passar pelo jardim Colibri, onde existe uma gigantesca reforma em um Centro de Educação Infantil – CEIM, lá a comitiva do governador poderá ver como é empregado o dinheiro público.
Antes do retorno à Campo Grande, o governador terá que passar pela Câmara Municipal, órgão responsável pela fiscalização da aplicação dos recursos públicos e elaboração de leis que beneficiem o conjunto da população. Aí a comitiva governamental entenderá que em Dourados tudo vai bem porque a cidade, além de um ‘prefeitaço’ tem também uma ‘grande câmara’.

 
 
*Ribeiro Arce
*professor da rede estadual de ensino. E-mail: ribeiroarce@gmail.com

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