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O GRITO DE SOCORRO DO CAMPO

07 maio 2006 - 09h17

Há muito tempo desde os surtos inflacionários da década de 1980/90, a atividade agropecuária vem perdendo rentabilidade.Os ganhos de tecnologia com aumento da produtividade serviram apenas para tapar buracos originados pela elevação dos custos de produção, juros elevados, descompasso de custos cambiais  e do aumento da carga tributária.Em 2003 o produtor comprou insumos com dólar a R$3,50 e vendeu a safra em 2004 com dólar a R$3,00, em 2005 vendeu a safra com dólar a R$2,50 e este ano esta vendendo a safra com dólar praticamente a R$2,00 com uma defasagem de 75 % em três anos. O preço do diesel, na safra 1999/2000 era de R$0,53 (soja era R$15,85/sc.) , equivalente a U$0,29 /litro, passou para R$1,42 ou U$0,48 na safra 2003/04 e atualmente esta em R$2,10/lt ou U$1,00/lt. Como se vê o diesel aumentou 344 % em dólar e 415 % em real nas ultimas cinco safras, isto é porque o BRASIL se tornou auto-suficiente em petróleo.O boi gordo que foi vendido a R$60,00/@ em janeiro de 2004, esta cotado atualmente  a R$45,00/@ em abril de 2006 com defasagem de 33% em 2 anos. O leite teve redução de 20% na sua cotação no ultimo ano, passando de R$0,57/lt em 2005 para R$0,47/litro em 2006, o que naturalmente não cobre custos de produção. O álcool vendido pela usinas ao monopólio estatal da Petrobras a R$1,00 o litro (já que usina não pode vender diretamente ao consumidor por imposição legal ), sofre ágio de 100 % quando repassado ao consumidor final, sendo vendido a R$2,00 o litro.Estimam-se por fontes diversas, valores a serem confirmados, que só a carga tributária imposta à distribuição de combustíveis no Brasil arrecada aos cofres públicos valores da ordem de R$90,00 bilhões. Naturalmente que todos pagamos, mas quem são mais sacrificados são o produtor rural e o caminhoneiro que esta trabalhando praticamente “de graça” no transporte de cargas no Brasil, enfrentando péssimas estradas, absurdas taxas de pedágio, já que os impostos arrecadados que deveriam servir para dar manutenção nas estradas são desviados para manter as mordomias da máquina pública, que ao que parece  não esta aí para servir ao pais, mas sim para servir-se dele. Com todos estes fatores adversos os produtores ainda aumentaram a produção graças ao espírito empreendedor e capacidade de absolver tecnologias. O agro negócio é responsável por mais de um terço do PIB brasileiro, por quase metade das exportações e o governo LULA se beneficiou política e economicamente da expansão da produção agrícola, das exportações geradas pelo agro negócio que alem de reforçarem o caixa do pais em dólar, gerou empregos e reduziu a inflação pela grande oferta e baixo preço dos alimentos.Resultado de todo este trabalho é a falência econômica do setor e a qualificação de “caloteiro” imposta ao produtor rural pelo Presidente LULA, ao mesmo tempo em que incentivou os “sem terras” a invadir propriedades rurais. O BRASIL está muito bom para quem não está diretamente ligado ao setor produtivo,  haja visto a altíssima lucratividade dos bancos, e os excelentes salários e benefícios do funcionalismo publico de modo geral que tem emprego e salário garantido, faça chuva ou faça sol.Esta bom também para os setores ligados ao monopólio estatal como a  Petrobras, as concessionárias de energia elétrica , telefonia, fornecimento de água, etc., que tem seus preços corrigidos anualmente por índices até acima da inflação e garantia de um  mercado consumidor de 180 milhões de brasileiros, sem  se preocupar com concorrência. Haja vista que o Brasil pratica as maiores tarifas do mundo na maioria dos itens acima  citados.Segundo dados do MINISTERIO DO PLANEJAMENTO, somente os servidores públicos federais receberão este ano de salários e benefícios o valor de R$108,64 bilhões que corresponde a mais de 4 safras de soja de 51 milhões de toneladas, cujo valor de venda no ano de 2005 foi de  R$24,79 bilhões.A previdência social arrecada R$120,54 bilhões (sendo 80% pago pelo setor privado) e paga benefícios da ordem de R$159,57 bilhões com um déficit de R$39,03 bilhões serenamente absolvidos pelo governo federal, que alias não chama  a isto de subsidio. O que se paga de aposentadoria  equivale praticamente ao faturamento de todo o agro negócio brasileiro, ai incluído desde algodão, amendoim, arroz, batata, cacau, café, cana de açúcar, cebola, feijão, fumo, laranja, mamona, mandioca, milho, soja, trigo, uva, carne bovina, suínos, frango, leite e ovos, que teve um valor total de comercialização de R$167,76 bilhões no ano de 2005 (dados CNA,IBGE e outros). Sabe-se que o setor publico, com suas milionárias aposentadorias absolve mais de 60 % dos benefícios da previdência social, ou seja mais de R$95,00 bilhões. Diante deste quadro, nota-se que no BRASIL é melhor trabalhar para o governo ou dedicar-se a algum setor ligado ao monopólio estatal do que se dedicar à agropecuária.Como não é possível toda a população trabalhar para o governo, e diante da sua total insensibilidade com os pleitos do campo, só nos resta fazer uma greve geral , como a iniciada pelos sojicultores,  com bloqueio de armazéns, estradas, a ser ampliada com bloqueio de  frigoríficos, laticínios etc., com corte radical no fornecimento de alimentos para que a sociedade mobilizada entenda que os produtores rurais não podem continuar a produzir desta forma em total prejuízo . Esta se vendendo um saco de soja por R$19,00 quando seu custo de produção é de R$26,00, esta se vendendo um saco de milho por R$9,00 quando seu custo de produção é de R$15,00. As safras agrícolas e pecuárias são anuais e ano a ano os seus custos devem ser cobertos, não se admitindo acumulo de dividas de anos anteriores.Se houve perda por motivo climático o seguro agrícola deve cobrir.Se não se consegue pagar nem os custos da safra atual, como pagar custos de safras passadas?Desta forma, cabe às lideranças rurais, fazer um levantamento do passivo do agro negócio, ai incluídas dívidas de securitização que foram originadas pela hiper-inflação do governo Sarney, Plano Collor, Plano Verão, etc,  e as atuais dividas com bancos, fornecedores de máquinas, insumos, combustíveis,etc., dividas comprovadamente ligadas ao agro negócio, de forma a se determinar um “quantum” a ser coberto pelo governo federal, ressarcindo cada produtor rural na proporção do seu prejuízo, zerando as dividas vencidas, para que o mesmo possa continuar produzindo sem carregar a terrível carga de dividas passadas pelas quais não teve culpa e não tem como pagar . Não adianta prorrogar. Só a defasagem cambial de 2003  a 2006 representa 75 % de deságio no  dos valor do produtos, embora os custos continuaram a subir.Estima-se que os valores destas dividas são da ordem de R$30,00 a R$40,00 bilhões de reais (equivalente ao subsidio anual do governo federal  à previdência social), o que representa pouco para um governo que gasta R$800,00 bilhões de reais por ano no seu orçamento .O governo ao absolver estas dividas não faz nenhum favor ao produtor rural, pois é a maneira de manter a agropecuária funcionando, pois sem a produção de alimentos no país haverá o caos. Há que se atender o principio constitucional do art. 187

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