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O agronegócio e os agricultores

30 março 2008 - 06h51

A safra de verão vai chegando ao fim e já se pode afirmar que foi uma boa safra. Algumas perdas por conta da Ferrugem Asiática no norte e outras perdas no Mato Grosso do sul por muitos casos de Antracnose, mas nada que se possa dizer serem grandes prejuízos.

Até o susto com a queda das bolsas freando a subida constante nos preços da soja e do milho já passou e apesar dos preços ainda não terem se recuperado totalmente, tudo indica, se manterão altos. A demanda mundial, especialmente por China e Índia, por alimentos, dá certa segurança aos investidores e sinaliza bons preços futuros.

Pena que a grande maioria dos agricultores não pôde aproveitar dos atuais bons preços – explico: para implantar a safra tiveram que vender antecipadamente sua produção. Para plantar mil hectares de soja são necessários investimentos de mais de um milhão de reais em adubo, herbicidas, inseticidas, óleo combustível e salários. Poucos agricultores conseguem plantar somente com os escassos recursos bancários que o governo disponibiliza. Precisam recorrer antecipadamente aos exportadores que os financia, mas exigem – e com razão – o compromisso de venda antecipada. Foi aí que o bicho pegou e os agricultores – a grande maioria – se endividaram.

O lucro de duas ou três safras – apesar dos bons preços atuais – não os tira do prejuízo. Eles precisam de um prazo maior para continuar plantando. E por que batem às portas do governo e não nas multinacionais? Porque precisam de prazo maior e juros menores para a dívida antiga, coisa que o governo deve fazer, pois lhe deve esse retorno por todo o superávit que eles lhe fizeram na balança comercial – e continuam fazendo. Quanto às multinacionais, essas continuarão financiando-os, mas como sempre, somente a safra atual.

Na semana passada uma caravana de agricultores – uns seiscentos deles – esteve em Brasília levados pela APROSOJA, Associação dos Produtores de Soja, para convencer deputados e senadores a pressionar o governo por uma prorrogação de suas dívidas. O ambiente esteve bom e, no final, ficou aberto um canal direto entre eles e o Congresso. Formou-se uma Frente Parlamentar na defesa dos interesses da agricultura nacional. Agricultores de doze estados saíram de lá satisfeitos com o bom diálogo aberto pela Aprosoja com o governo federal.

Por falar em APROSOJA, outra boa notícia a ser comemorada é a disposição do governador de Mato Grosso do Sul, André Puccinelli, em criar um fundo de amparo à cultura de soja, como fez o estado vizinho de Mato Grosso, através de repasses de recursos – arrecadados dos próprios produtores – à associação dos produtores, dando assim, condições financeiras para que eventos como o da semana passada em Brasília sejam realizados. A primeira iniciativa nesse sentido partiu de produtores brasileiros de algodão que se associaram e gastaram um milhão de dólares com advogados internacionais, mas conseguiram impor seus direitos na OMC. Hoje os produtores de algodão continuam bem organizados através da ABRAPA e graças aos seus bons recursos financeiros, arrecadados dos próprios produtores, continuam defendendo os interesses comerciais brasileiros lá fora.

O agricultor brasileiro é dos melhores do mundo, da porteira pra dentro, mas precisa aprender a ser bom também fora da porteira para conseguir o lucro que imaginava quando entrou no negócio. Tenho certeza, aposto que vai conseguir.


 
Waldir Guerra *
* Cidadão douradense; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal.
wguerra@terra.com.br/


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