O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, determinou ontem (19), a montagem de um gabinete de crise no Rio de Janeiro para o enfrentamento da dengue no município. Os secretários de Vigilância em Saúde, Gerson Penna, e de Atenção à Saúde, José Noronha, ficarão responsáveis por acompanhar a evolução da situação da doença .junto com o governo de estado. Enquanto que no restante do País houve uma queda de 40% na incidência dos casos de dengue neste início de ano, a capital fluminense superou em mais de 100% o número de casos em comparação ao mesmo período em 2007.
O gabinete de crise vai trabalhar de forma integrada com o Governo do Estado e as Forças Armadas. Até a próxima segunda-feira (24), os governos federal e estadual já terão em mãos um levantamento das necessidades de contratação de pessoal, para trabalhar em caráter emergencial, além do mapeamento das exigências na atenção à saúde da população em risco. As informações vão subsidiar a reunião que será realizada também na segunda-feira, com a presença a prefeitura do Rio de Janeiro e os secretários de Saúde dos municípios da Baixada Fluminense. O objetivo é redobrar o combate ao mosquito transmissor e garantir o atendimento às pessoas doentes.
O Ministério da Saúde considera que um dos problemas enfrentados no Rio de Janeiro é a baixa implementação das equipes de saúde da família e a desestruturação da atenção básica. Atualmente, as equipes de saúde da família cobrem apenas 8% da população do município. O ministério reafirma que o fortalecimento da atenção básica é essencial para as ações de prevenção e um instrumento fundamental para se evitar as mortes relacionadas à dengue.
Em 2007, no município de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, houve uma incidência da doença tão grave quanto a que está ocorrendo no Rio de Janeiro. Ocorreu apenas um óbito porque a qualidade do atendimento primário em Campo Grande era muito boa, principalmente pela cobertura do Programa Saúde da Família. E eram os mesmos tipos de vírus circulando: os dos tipos 2 e 3.
Outro exemplo é Belo Horizonte, onde a cobertura do PSF é de 70%. A capital mineira tem se mantido fora, nos últimos anos, de qualquer surto epidêmico, de dengue ou de outras doenças infecciosas, apesar de favelas, de violência, de problemas de acesso.
Já em outubro do ano passado, o Ministério da Saúde alertou a população e governos, em especial do Rio de Janeiro, sobre a possibilidade de uma epidemia de dengue neste verão. No mês seguinte, um levantamento da infestação dos mosquitos transmissores na cidade mostrou que ações mais objetivas deveriam ser realizadas pelo gestor local, pois o quadro era alarmante.
O Ministério da Saúde reitera que, além das ações das três esferas do governo, é importante a participação da sociedade no combate ao mosquito da dengue Aedes Aegypti. A população deve combater o mosquito, eliminando todos os locais de água parada, ideal para a reprodução do vetor da doença. Sem a mobilização da sociedade todos os esforços serão em vão.
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