Os delicados traços de Oscar Niemeyer são praticamente vizinhos de uma das mais brutais guerras do século 21: o arquiteto brasileiro está presente no Oriente Médio com uma grandiosa obra pouco conhecida, e hoje em estado semiabandonado, na metrópole libanesa de Trípoli, a apenas 30 quilômetros da Síria.
Trípoli é atualmente uma cidade proibida, classificada como "não vá para lá de jeito nenhum" pelo governo do Reino Unido. Nos últimos anos, o local, por sua proximidade com o território sírio, tem sido assediado por grupos armados (o Estado Islâmico e a Frente al-Nusra entre eles) que combatem o regime de Bashar al-Assad.
Sangrentos embates envolvendo essas organizações, o Exército libanês e a comunidade alauita de Trípoli (a mesma vertente do islã à qual pertence Assad) já ocorreram na cidade, à curta distância do projeto de Niemeyer.
Tal obra foi batizada de Feira Internacional Rashid Karami, um complexo para sediar eventos comerciais e culturais desenhado pelo brasileiro no começo dos anos 1960 e que teve suas obras interrompidas em 1975, quando o Líbano foi engolido por outro conflito: uma guerra civil que duraria 15 anos. Hoje, muitas edificações do lugar se encontram em estado fantasmagórico, capazes de arrebatar e assustar o visitante em iguais medidas.
"Quando Niemeyer desembarcou em Beirute em 1962, o Líbano estava vivendo sua chamada 'era de ouro'", explica o arquiteto libanês Jad Tabet. "Uma pequena guerra civil havia afetado o país nos anos 50 e o presidente da época, Fuad Shehab, conduzia uma série de políticas de desenvolvimento socioeconômico para reconstruir a unidade nacional. A construção de um moderno complexo de eventos em Trípoli fazia parte desse contexto".
Tabet afirma que, na época, "Niemeyer já era o aclamado arquiteto de Brasília" e um nome ideal para projetar o empreendimento.
Apesar de usado como esconderijo e armazém de armas por combatentes durante a guerra civil que começou em 1975, o complexo arquitetônico de Niemeyer não foi seriamente danificado no conflito.
A maioria dos seus edifícios, porém, jamais foi concluída pelo governo libanês e, atualmente, a área parece uma cidade fantasma do futuro que pousou na antiquíssima Trípoli, local que foi porto fenício na era pré-cristã, bastião das Cruzadas no século 11 e, até hoje, abriga um centro que pulsa entre mesquitas e escolas corânicas do século 13.
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Paisagem da Feira Internacional Rashid Karami, projetada por Oscar Niemeyer (Foto: Marcel Vincenti/UOL)