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'Não desejo o mal dele', diz professora agredida por aluno

28 junho 2007 - 14h32

Agredida moralmente e fisicamente e ainda ter de mudar de vida por causa de um estudante. É essa a situação que uma professora de 26 anos diz estar enfrentando desde o dia 18, quando levou socos no rosto e no pescoço de um de seus alunos, um adolescente de 15 anos. Ele cursava a 8ª série do ensino fundamental em uma escola pública de Suzano, na Grande São Paulo.

Por decisão da diretoria da escola, o garoto foi transferido de unidade, mas a revolta da professora não diminuiu. “Eu me sinto indignada. Na minha época, tínhamos devoção pelo professor”, disse ela, em entrevista ao G1. Para a mulher, a mudança do garoto “só transfere o problema”.

A agressão começou porque o aluno discordou dos argumentos da professora sobre a escolha de um grupo que representaria a escola em um evento. Por não ter boas notas e bom comportamento, o adolescente foi um dos excluídos. Após o término da aula, o rapaz atacou a educadora no corredor do primeiro andar, onde estudava.

“Ele me segurou pelo avental, pegou minha cabeça e começou a dar socos por cima”, relatou. O primeiro pensamento foi se defender das pancadas, mas a professora confessou que quis revidar. “Eu tentei reagir, mas não consegui porque o garoto é mais alto do que eu. Nem sei como desci as escadas (para ir à direção)”. O resultado foi um olho roxo, hematomas e mãos machucadas.

Apesar da indignação com a violência sofrida, a educadora disse que não quer o mal do aluno, que “sempre deu problema”. “Não desejo o mal dele, mas gostaria que se redimisse porque é jovem ainda. Espero que tenha a consciência dos seus atos e a tenha a chance de mudar”.

A professora, na escola desde o início do ano, está de licença médica por 30 dias. Não sabe se vai voltar. Evita até mesmo passar pelo local de trabalho, tamanho medo de represálias. Ela criticou a formação dos alunos de instituições públicas no estado. “A estrutura de ensino público em São Paulo forma qualquer coisa menos cidadãos com noções de respeito”.

Pesquisa

Para conhecer melhor a relação entre alunos, professores e pais, o Sindicato dos Professores de São Paulo (Apeoesp) realizou uma pesquisa com 684 profissionais da rede estadual de ensino. A surpresa foi constatar que em 25% dos casos as agressões físicas e verbais contra os educadores partem dos responsáveis pelos estudantes.

Os dados foram colhidos em dezembro e mostram ainda que 87% dos professores afirmaram ter presenciado algum ato violento dentro da escola e que 93% deles foram cometidos por alunos. A violência em sala de aula e o ambiente hostil fizeram com que 29% dos mestres admitissem a possibilidade de deixar de lecionar.

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