A Polícia Civil de Goiás prendeu, no final da manhã desta quarta (26), Nilma de Fátima Alves Silva, 49. Ela é acusada de maus-tratos, de manter um abrigo clandestino para idosos e ainda de ter se apossado do cartão e fazer os saques dos benefícios da previdência social das pessoas que lá viviam.
O dinheiro seria usado em benefício da própria acusada, que também é acusada de fazer empréstimos consignados em nome das vítimas. O flagrante foi feito pela Delegacia da mulher de Aparecida de Goiânia, por meio de denúncia anônima.
Na casa, localizada no Bairro Veiga Jardim 2, em Aparecida de Goiânia, a polícia encontrou três mulheres com idades entre 60 e 70 anos. "Encontramos essas senhoras em situação crítica. Elas estavam trancadas em um quarto, com a porta amarrada por fora. Não tinha direito a alimentação adequada, não podiam sair e as condições de higiene eram subumanas", disse a delegada Karla Fernandes.
A delegada conta que encontrou a mais velha delas (Celi, 70) nua na cama em meio às próprias fezes. "Encontramos essa senhora numa situação deprimente. Ela tem problemas mentais, não consegue falar ou andar e está muito magra. Ela não tinha como reagir aos maus-tratos", disse a delegada. Após o flagrante, uma ambulância foi chamada ao local e providenciou o deslocamento dela para atendimento médico.
No quarto, haviam apenas duas camas. Com isso, uma delas era obrigada a dormir em um colchão estendido no chão e apresenta feridas nas pernas. Dona Esmeralda, 60, outra interna da casa, revelou à delegada que a dona do estabelecimento também a obrigava a fazer todos os serviços domésticos do abrigo clandestino. "Aqui é como uma cadeia. A gente trabalha e não recebe nada por isso", disse a interna
"Pelo que ela nos contou, tudo era feito por ela, sem nenhum pagamento. Trabalho escravo mesmo. A Nilma pegava o dinheiro do benefício delas e ainda a obriga a trabalhar", conta Karla Fernandes. A alimentação das abrigadas também era bem restrita. Em depoimento, uma delas contou que o cardápio diário era composto basicamente por arroz e tomate. Na geladeira do abrigo clandestino foram encontrados também algumas porções de carne, a maior parte imprópria para consumo.
A outra mulher encontrada no local é Tereza, 66, que também tem dificuldades para falar. Após o flagramte todas elas foram encaminhadas a um posto de saúde do município e atendidas por um geriatra. Depois foram à delegacia prestar depoimento. Até o final da tarde de ontem, os parentes das três idosas não haviam sido localizados. Com isso, elas seriam encaminhadas para um abrigo público, mantido pela prefeitura e ficarão à disposição dos parentes.
A acusada, que foi encaminhada algemada à delegacia da mulher, ainda tentou se justificar. Segundo ela, as abrigadas estavam no local sob consentimento de parentes, e os saques nos cartões também eram autorizados. "Não cometi nenhum crime. E vou provar isso. Acho que tem alguém querendo me prejudicar e por isso me denunciou", disse Nilma, logo após o flagrante.
Segundo a delegada, a acusada é reincidente. Em 1999, ela foi flagrada em um outro abrigo, no mesmo município e nas mesmas condições. "Só que, na época, ela disse que era apenas funcionária no local e acabou não sendo responsabilizada. Na época, também não tinha o Estatuto do Idoso. Agora é diferente. É crime previsto em Lei", afirmou a delegada. A polícia também acredita que, desde 99, Nilma tenha continuado a praticar o crime, em casas alugadas no município.
Nilma foi autuada com base em três artigos do Estatuto de Idoso: 99 (comprometer integridade física e exposição de idosos a locais insalubres), 102 (retenção ou desvio de benefícios de idosos) e 104 (apropriar-se do cartão de benefícios)- Esses crimes prevêem pena de 2 a 4 anos de prisão. A delegada também afirmou que Nilma pode ser indiciada por suposto crime de submeter terceiros a regime de escravidão.
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