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Mudanças no sono antecedem puberdade, mostra estudo

18 dezembro 2009 - 09h08

Os pais devem ficar atentos ao sono dos filhos quando eles chegam à puberdade --e mesmo antes disso. É o que sugere um estudo israelense publicado na revista "Sleep", que mostra que, previamente ao surgimento dos primeiros sintomas físicos típicos dessa fase, crianças com idades entre dez e 11 anos podem apresentar mudanças no padrão de sono.
Foram acompanhadas 94 crianças por dois anos. Elas passaram a dormir cerca de 50 minutos mais tarde e tiveram sono com duração mais curta --37 minutos a menos, em média. Alguns entrevistados também começaram a acordar com mais frequência à noite. Os meninos tiveram melhor qualidade de sono do que as garotas, o que já havia sido observado em outros estudos.
Segundo Avi Sadeh, professor de psicologia da Universidade de Tel Aviv e autor do estudo, o atraso na hora de dormir pode causar privação de sono, pois, como em geral as crianças precisam acordar no outro dia cedo para ir à escola, acabam dormindo menos. "Isso pode gerar impacto negativo nas habilidades cognitivas e de aprendizado, nas notas escolares e na modulação do humor e das emoções. Os pais devem manter um horário de dormir razoável para prevenir a privação de sono", aconselha.
Benito Lourenço, hebiatra da USP e da Santa Casa de São Paulo e vice-presidente da Associação Brasileira de Adolescência, lembra que o sono de qualidade é necessário para as transformações da puberdade. "Os hormônios responsáveis pelo crescimento e pelo desenvolvimento dos testículos e das mamas são liberados mais no período noturno e dependem de uma regularidade de sono."
Internet
Para Lourenço, as principais razões que levam às mudanças de sono nessa fase são sociais. "O adolescente hoje é muito estimulado. Vai a baladas, assiste à TV ou fica na internet até tarde. Ele passa também a regrar o próprio sono, não é a mãe que manda dormir", enumera.
A neuropediatra Márcia Pradella Halliman, coordenadora do setor de pediatria do Instituto do Sono de São Paulo, diz que a exposição noturna à luz dos monitores da TV e do computador dificulta a liberação de melatonina, o hormônio que ajuda a dormir. "O relógio biológico da pessoa reconhece o ambiente como se fosse de dia."
Ela diz, ainda, que fatores biológicos também parecem contribuir para as mudanças no sono --ainda não se sabe por que, mas provavelmente há relação com hormônios. Estudos brasileiros mostram que mesmo adolescentes de tribos indígenas e moradores da zona rural, que vivem em locais com menos luz e com um estilo de vida diferente, têm um atraso no relógio biológico nessa fase -apesar de a magnitude das mudanças ser menor do que no caso de jovens urbanos.
Halliman diz que normalmente essas mudanças ocorrem com adolescentes um pouco mais velhos do que os entrevistados pela pesquisa israelense. "Mas pode ser que venham acontecendo mais cedo atualmente por causa das mudanças no estilo de vida", avalia.

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