Ao considerar a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva "ganha" por seu desempenho nas pesquisas, a direção do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) no Pontal do Paranapanema (oeste de SP) decidiu iniciar ontem o que chama de mais uma jornada de luta pela reforma agrária invadindo três fazendas na região. "As ocupações não influenciam as eleições. A eleição [de Lula] está ganha. A jornada de luta começa e a partir de novembro, com certeza, vai ser intensificada e o forte dela será a ocupação, que é a melhor forma de pressão", disse o membro da direção estadual do MST Valmir Sebastião. Há uma semana, o líder do MST José Rainha Jr. afirmou que o movimento só começaria a se mobilizar após as eleições, para não prejudicar Lula nas urnas. Rainha está foragido desde terça-feira, quando o Tribunal de Justiça decretou sua prisão por dois anos e oito meses por porte ilegal de arma, ratificando decisão em primeira instância em 2003. Organizados em três grupos totalizando 300 integrantes, os sem-terra invadiram as fazendas Santa Cruz, em Mirante do Paranapanema, São José, em Teodoro Sampaio, e São Luís, em Presidente Bernardes, constantes alvos do MST --a São Luís, por exemplo, sofreu a quinta investida somente neste ano. Já na Santa Cruz, invadida pela segunda vez em 2006, os sem-terra utilizaram um trator para destruir parte da pastagem da propriedade, onde anunciaram o plantio de milho, mandioca e feijão numa extensão de 10 ha. Ao todo, neste ano o MST promoveu 45 invasões na região, quase 60% do total do Estado em 2006. A retomada das ações do MST no Pontal tem o objetivo de atacar o governo do Estado, na figura de Geraldo Alckmin (PSDB), que deixou o Palácio dos Bandeirantes para disputar a Presidência. O movimento, porém, não poupa Lula. "A reforma agrária saiu da pauta das eleições deste ano, saiu da pauta do governo Lula e na pauta do governo do Estado nunca entrou", afirmou Valmir Sebastião. Apesar das críticas, o coordenador do movimento disse acreditar que a maioria dos sem-terra votará em Lula. "Não foi bom governo [o de Lula] e não deve ser [o próximo], mas é melhor que o Alckmin, que é um governo da burguesia, que no Pontal só trouxe presídios e insegurança." O coordenador regional do Itesp, Marco Túlio Vanalli, disse que o Estado negocia atualmente a arrecadação de quatro áreas, suficientes para assentar 200 famílias. Segundo ele, o órgão aguarda parecer do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) para dar aval às negociações. Advogados dos proprietários das áreas invadidas já se mobilizavam hoje para ingressar com pedido de reintegração de posse das áreas. Bloqueio Cerca de cem integrantes do MST interditaram hoje a rodovia BR-361, na entrada do município de Olho d"Água (a 360 km de João Pessoa), na Paraíba. Os manifestantes bloquearam os dois sentidos da rodovia com pneus e pedaços de árvores. Eles querem a agilização do processo de desapropriação de uma fazenda.
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