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MÚSICA

Morto há 35 anos, John Lennon cresce cada vez mais como símbolo de uma era

08 dezembro 2015 - 14h09

Um músico brasileiro que detesta Beatles afirmou certa vez que não podia entender como a banda, musicalmente, poderia ser considerada relevante, mas entendia perfeitamente como os quatro integrantes se tornaram ícones pop de importância inimaginável. “Até gaita com sua assinatura John Lennon tem…'', lamentou o exímio guitarrista.

Ele se referia à John Lennon Harmonica Signature, gaita lançada pela fábrica alemã Hohner em meados da década passada – Bob Dylan também tem a sua. E olha que Lennon foi um gaitista medíocre.

O tamanho de Lennon na cultura pop é impossível de ser medido. Faria 75 anos de idade neste, caso não tivesse sido covardemente assassinado em dezembro de 1980 por um lunático em frente ao prédio onde morava. Hoje faz 35 anos de sua morte.

Gigante como ícone cultural e monstruoso como músico inquieto e instigante, conseguiu algo que seus pares nem sequer sonharam: mesmo em silêncio, ficou cada vez maior, seja recluso cuidado do filho Sean; seja sepultado e calado para sempre.

Mais controvertido dos quatro beatles, e ainda considerado o mais rocker e rebelde, praticamente foi “canonizado'' quando morreu, para desgosto de Paul McCartney. Quase virou santo.

A morte transformou roqueiros em mitos perpétuos – Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jim Morrison – mas, no caso de Lennon, a divindade passou perto. Sua imagem é tão poderosa que rivaliza nas camisetas de todos no mundo com a de Che Guevara.

O beatle morto em 1980 representou por muito tempo a imagem do nosso tempo. Apesar de sua frase icônica, era a personificação de que o sonho sempre seria possível. Nem mesmo com o seu desaparecimento pode-se dizer que o sonho acabou.

Muitos dizem que a figura de Lennon ainda hoje é onipresente e até opressiva, de tão marcante a sua trajetória. Os beatles ainda vivos, McCartney e Ringo Starr, já superaram essa questão, mas ainda relutam em reconhecer o gigantismo que o antigo companheiro adquiriu. Há quem diga que seria candidatíssimo ao prêmio Nobel da Paz se estivesse vivo.

Se a carreira solo nos anos 70 derrapou após suas desavenças e disputas com o FBI e o governo norte-americano por conta de sua permanência definitiva em Nova York, por outro lado suas opiniões e postura o transformaram no principal roqueiro ativista, seja político, seja cultural, seja ecológico.

George Harrison se lançou à filantropia c om o Concerto para Bangladesh, em 1971, seguido por Paul McCartney no Concerto para o Camboja, em 1979. Mas foi Lennon quem atraiu a atenção com a língua ferina e a postura belicosa ao chutas canelas e esmurrar cabeças apenas com sarcasmo e ironia.

Não há dúvidas de que a morte canoniza, e Lennon seria candidato natural, e com todos os méritos. A morte trágica e precoce do ídolo musical criou um abismo dentro da cultura popular e fez o impensável – transformou até mesmo seus erros em pontos destacados para corroborar a “santificação''.

Lennon em vida incomodava e se mostrava necessário em muitos sentidos. Morto, atingiu um ponto em que é impossível ficar indiferente em relação à figura pessoal e ao seu legado.

Quase 35 anos depois de sua morte, continua tão presente e intenso que mantém a aura de um dos grandes símbolos do nosso tempo, e com toda a justiça.

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