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Morreu quem salvou muitas vidas com R$ 0,50

03 fevereiro 2010 - 07h10

Tive a alegria de conhecer uma santa - no verdadeiro sentido da palavra, alguém que deu do que ganhou: a “inteligência”, de modo generoso - para o bem de tantos filhos de Deus. Conheci Zilda Arns pessoalmente e através do seu trabalho, as Pastorais do Idoso e da Criança, da qual fui voluntário quando adolescente e jovem.
Ao longo das últimas décadas, Zilda Arns Neumann, irmã do cardeal-arcebispo emérito de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns, tornou-se uma personalidade na defesa da saúde, bem-estar físico e mental das crianças e da população brasileira, tendo recebido prêmios nacionais, como a Medalha de Mérito Oswaldo Cruz, conferida em novembro passado pelo ministro Temporão, além de prêmios internacionais.
Sua atuação também é tida como fundamental para a sustentação de práticas hoje arraigadas no SUS, como o controle social e o cuidado com a saúde indígena. Zilda Arns era atualmente coordenadora da Pastoral da Criança Internacional, presente em 27 países da América Latina e África. Estava no Haiti, disseminando entre religiosos de comunidades carentes daquele país as práticas da Pastoral.
Cada criança atendida saía, quando ela começou a Pastoral da Criança, juntamente com o Cardeal Geraldo Magela, arcebispo de Salvador-Ba, pelos valores de hoje, cerca de R$ 0,50. A grandeza desse programa contra a mortalidade infantil é justamente este: muito barato e, ao mesmo tempo, muito eficiente. Usando as estruturas da Igreja Católica (que a propagou e ainda o faz) e voluntários, quase todos mães, a Pastoral da Criança ensina as mulheres a cuidar dos filhos, com medidas básicas de alimentação e higiene. Mulheres aprendem a aproveitar a comida usando o que se
imaginava ser resto.
A doutora Zilda Arns, com a Igreja Católica, desenvolveu uma potente tecnologia social, fazendo tanto com tão pouco. Por ter salvado em tão pouco tempo tantas vidas, foi indicada três vezes ao prêmio Nobel da Paz. É bom recordar o provérbio: “Pelo fruto conhecereis a árvore”, assim pelos frutos da Pastoral da Criança podemos conhecer Zilda, e através dela, a fé que professava em Jesus e na Igreja. Por isso, é bom recordar o que disseram algumas personalidades sobre esta mulher de fé.
“Era uma mulher extraordinária que simbolizava ‘como ninguém’ o trabalho da Pastoral da Criança - que tem mais de 150 mil voluntários em 3.400 mil municípios do país, que contribuiu no combate à mortalidade infantil. A forte queda da mortalidade [infantil] deve-se muito à ação da Pastoral”. (Governador de São Paulo, José Serra) “A doutora Zilda Arns, ao longo de quase 30 anos, construiu uma obra incomparável no Brasil que é a Pastoral da Criança, e mais recentemente a Pastoral da Pessoa Idosa.
Inspirada no próprio Evangelho, ela assumiu a causa da criança como sendo a causa da sua vida e se dedicou a isso. Ela mostrou com um método simples e ao alcance de todos que se pode fazer muito pela defesa da vida”. (Dom Geraldo, Presidente da CNBB)
“A morte de Zilda Arns deixa de luto não só os integrantes de sua família, mas também os muitos filhos adotados por ela em seu trabalho na Pastoral da Criança e na Pastoral do Idoso.” (Michel Temer, Presidente da Câmara dos Deputados).
"Na tragédia que atingiu o Haiti, perdemos, todos os brasileiros, uma das nossas mais importantes referências no campo social. Os inúmeros exemplos que doutora Zilda nos deixa de solidariedade, de responsabilidade compartilhada e amor pelo Brasil ficarão, no entanto, para sempre. Para nós, significam um verdadeiro legado capaz de iluminar o caminho do país na direção da justiça e equidade." (Aécio Neves, Governador de Minas Gerais)
"O fato de Zilda, aos 75 anos, estar no Haiti para levar sua palavra de solidariedade mostra sua dedicação. Ela era um exemplo. Eu, que a conheci, sempre a admirei e respeitei muito. Ela tinha um trabalho muito bonito, principalmente para com as crianças, no Brasil e no mundo”. (Eduardo Suplicy, senador).
“Com profundo pesar, lamento a morte de Zilda Arns. Médica e idealizadora da Pastoral da Criança, Zilda Arns foi uma grande humanista. Dedicou toda a sua vida ao próximo, contribuindo decisivamente para a redução da mortalidade infantil e das desigualdades sociais no Brasil. O seu trabalho e a sua dedicação à causa social, cuja importância lhe rendeu vários títulos internacionais e indicações para o Prêmio Nobel da Paz, permanecerão como exemplo para as futuras gerações de brasileiros.” (Gilberto Kassab, Prefeito de São Paulo)
“A morte surpreende sempre, mas no caso de Zilda Arns, acresce à surpresa, um grande sentimento de perda em face do seu trabalho, do seu compromisso com a vida, com a dignidade humana e com os valores éticos. Ela morreu ensinando e cumprindo sua missão." (Patrus Ananias, ministro do Desenvolvimento Social).
“Alguém que foi capaz de traduzir os valores do Evangelho na prática. A perda é muito dolorosa.” (Marina Silva, senadora) “A morte de Zilda Arns, em plena ação missionária, no Haiti, tem a dimensão trágica e poética do artista que morre em cena. Dedicou toda a sua vida de médica
sanitarista à causa dos desvalidos. Sacrificou a perspectiva de uma vida regular e confortável, que sua qualificação profissional lhe permitia, ao nobre ideal de submeter-se ao mandamento cristão de amar ao próximo como a si mesmo.” (Cezar Britto, presidente da OAB, Ordem dos Advogados do Brasil) A morte leva o corpo, mas deixa permanecer o testemunho!
A Diocese de Dourados lamenta profundamente a morte da doutora Zilda Arns, mas continuará seu trabalho, através das Pastorais da Criança e do Idoso, onde assisti mais de 10 mil crianças e
centenas de idosos.
 
 
Pe. Crispim Guimarães
Assessor de Comunicação e Coordenador de Pastoral da Diocese de Dourados.

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