A entrevista desta semana do Dourados News é com o ex-deputado federal Marçal Gonçalves Leite Filho, 50. Atualmente como radialista na 94 FM, profissão a qual se dedica há muitos anos, ele já está próximo de oficializar sua filiação ao PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira) em busca de retornar a carreira pública.
Na política, Marçal começou como vereador em Dourados no ano de 1993 e em 1996 assumiu como deputado federal, cargo o qual exerceu por mais quatro mandatos. No ano passado, ele tentou a reeleição, porém, sem sucesso e chegou a afirmar que abandonaria a política.
Atualmente Marçal diz que a afirmação foi e um momento de emoção e destaca que já há uma pré-candidatura no novo partido pelo qual irá atuar para concorrer a prefeitura de Dourados e afirmou não se preocupar com quem seja o adversário, caso seja escolhido pelo partido.
"Se o partido vier a escolher o meu nome e achar que é adequado para disputar a eleição, eu vou apresentar as minhas ideias, o meu projeto o que penso para a cidade onde nasci, não importando para mim quem esteja do outro lado".
Formado em Direito no ano de 1989, Marçal advogou por dois anos. Porém, como desde os 11 trabalhava com rádio, optou por retornar ao veículo de comunicação e assim atuou nas rádios Caiuás, 92FM e rádio Transamérica e posteriormente em 2001 fundou a 94 FM, na qual atua até hoje.
Quanto ao PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro) seu ex-partido, ele relembra que um acordo não cumprido o motivou a deixar a sigla, o qual era previsto que ele fosse o candidato a prefeito nas eleições de 2012, o que não aconteceu.
Para ele, o PMDB tem se tornado cada dia mais um projeto pessoal de seu atual líder, Geraldo Resende, e isso tem gerado um grande descontentamento entre os participantes, o que na opinião dele fará com diretor perca a equipe num todo.
Com foco em oficializar-se no novo partido, e na pré candidatura a prefeito, Marçal destaca que as parcerias e a definição de seu nome para o cargo dependerão do que a equipe do PSDB definir.
Veja a entrevista na íntegra
Dourados News - O senhor tentou a reeleição para a Câmara dos Deputados e acabou não conseguindo, como tem sido esses meses afastado da política?
Marçal Gonçalves Leite Filho- Bom, estou me dedicando ao que mais gosto que é o rádio. O que eu amo fazer é comunicação e eu tenho me dedicado muito a 94 FM. Mas, claro que a política está no sangue, não deixa de fazer falta. Acho que o fato de Dourados perder representatividade tendo um deputado federal que o represente e não dois como tinha anteriormente é significante. Se você colocar em consideração que cada deputado tem R$ 15 milhões em emendas individuais e desse valor eu colocava a metade para Dourados, então atualmente são R$ 7,5 milhões a menos com a falta de um deputado federal. Então isso me incomoda, o fato de ter ficado fora e não poder continuar a fazer esse trabalho.
D.N- Após as eleições de 2014, em depoimento no seu programa de rádio, você alegou que deixaria a política. Mudou de ideia?
M.G.L.F- Continuo pensando que no atual sistema político sem uma reforma muito profunda é difícil disputar uma eleição sem ter muitos recursos financeiros. Eu espero que o vem acontecendo nessas operações da Justiça, que estão mostrando de onde vem o dinheiro para as campanhas políticas, sirva para que se mude o sistema de eleições porque todas essas coisas estão sendo mostradas é sobre o uso do dinheiro indevido para campanhas que costumam “levar” muitos recursos. Eu senti um pouco disso na minha última campanha e foi muito forte. Deu para ver claramente que o poderio econômico falou alto por conta desse sistema eleitoral que precisa ser mudado. Um exemplo é o voto distrital, esse voto ele barateia a campanha política quando você a faz em apenas uma região. Você valoriza a região porque o deputado só pode trabalhar por aquela região, aí ele só vai ser votado naquela, não pode ser votado em outra. Então hoje, dos 79 municípios do Mato Grosso do Sul, os parlamentares precisam buscar votos em todos eles e para fazer isso é preciso ter estrutura de campanha em todos e aí depois quando se elege, não tem condições de atender os municípios. Agora, aquela minha radicalização de dizer que não seria mais candidato a nada foi no momento de emoção por ter perdido a eleição, hoje eu não digo mais isso não, não digo “desta água não beberei” mas, continuo achando muito difícil fazer campanha e espero que mude para gente ter oportunidade de disputar uma eleição. Na realidade é nesse período que os partidos entregam as filiações na Justiça para que fique definido os filiados.
D.N- Como está o andamento para a filiação ao PSDB?
M.G.L.F- Eu praticamente estou filiado ao PSDB, não legalmente ainda mas simbolicamente, porém já assumi esse compromisso e quero só organizar um encontro para fazer a efetiva filiação. Já estive em um encontro do partido em Campo Grande fiz uma participação e o governador já abonou minha ficha e para a questão de efetivar junto a Justiça Eleitoral, temos até setembro para isso.
D.N- Mas, já há uma data em vista para a filiação oficial?
M.G.L.F- Não, ainda não há uma data, já conversei com vários companheiros mas, ainda não definimos. A ideia é fazer um evento para filiação aqui em Dourados.
D.N– O convite surgiu como?
M.G.L.F- O governador Reinaldo Azambuja me convidou. Eu e ele já temos uma relação muito antiga. Eu já fui deputado federal pelo PSDB em 1998 e nessa época era eu e a Marisa [Serrano] que éramos deputados pelo partido e o Reinaldo era prefeito de Maracaju e nós ajudamos muito ele na administração daquela cidade. Depois fui candidato a vice da Marisa e eu e Reinaldo continuamos estreitando relacionamento, ele era coordenador dela e depois, agora como deputado federal no meu último mandato também seguimos como colegas. Então a gente sempre teve uma boa relação. Ele me convidou e como eu estava bastante desconfortável com o PMDB, não há diálogo dentro do partido. Vejo que o PMDB, é um partido de um projeto pessoal, ou seja de uma pessoa e só desta pessoa, não um projeto de um partido. Eu por exemplo, estou entrando no PSDB, mas, não estou impondo a condição de ser o candidato a prefeito, se o meu nome figurar e o partido achar que é o que deve ser, meu nome está a disposição, mas não estou entrando com esta condição. O que no PMDB acontece ao contrário, antes mesmo da eleição para deputado federal, o presidente do partido já tinha definido isso. Outra coisa é que na última eleição para prefeito que havia sido combinado que aquele que tivesse melhor nas pesquisas seria o candidato e isso não foi cumprido em convenção. Deixo claro que a minha restrição então, quanto ao PMDB se deve a decisões tomadas aqui em Dourados.
D.N- Falando ainda em PSDB, quais fatores de atraíram de volta ao partido?
M.G.L.F- O PSDB sempre teve aqui em nível de Estado e isso só não ocorreu na última eleição, mas nas eleições anteriores PSDB e PMDB sempre caminharam juntos. O PSDB aliás é um partido que veio do PMDB e a nível nacional, em Brasília, também eu mantinha uma boa convivência em 1998 quando eu fui deputado federal pela sigla, na época, Aécio Neves já despontava como líder. Eu tenho uma admiração por ele, acho que é uma grande liderança no país hoje então, penso que o partido traz ideias que o país precisa e me identifico com isso.
D.N- Existe algum acordo para que você seja lançado como candidato a prefeito nas eleições do ano que vem?
M.G.L.F- Não. Existe a minha natural pré-candidatura dentro do PSDB, mas apenas isso. Como falei isso não é uma imposição minha para o partido, mas a pré candidatura existe por conta das sondagens eleitorais que são feitas e que meu nome aparece, mas a gente espera fazer uma construção de um projeto para uma candidatura e não de uma candidatura para um projeto. Vamos construir isso não só com o PMDB mas, em conjunto com pessoas que querem o bem de Dourados.
D.N – Hoje, quem ‘caminharia’ junto ao PSDB numa possível chapa majoritária?
Marçal afirma que já está filiado ao PSBD e falta apenas oficializar isso (Foto: Gizele Almeida) M.G.L.F- Olha, eu não parei para pensar nisso. Conversei com muitas pessoas nesse período da minha filiação ao PSDB e fui procurado por várias pessoas, entre essas a Dona Délia [também de saída do PMDB], o Barbosinha [deputado estadual PSB], Zé Teixeira [deputado estadual pelo DEM], e tenho conversado com todos. Hoje existe uma possibilidade maior do Zé Teixeira porque o DEM é o grande aliado do PSDB a nível de Estado e o Zé foi parceiro de primeira hora do Reinaldo, então nós estamos falando uma mesma linguagem. Mas, estamos iniciando as conversações apenas.
D.N – Falando do PMDB, qual o motivo da saída após anos no partido?
M.G.L.F- Fiquei no partido desde 1988, cheguei a sair rapidamente mas, voltei. Não é novidade para ninguém, todo mundo lembra do episódio da convenção a prefeito das últimas eleições quando estava combinado com todo mundo que aquele que fosse o mais bem cotado nas pesquisas dentro do partido, seria o candidato a prefeito. Tivemos a convenção do partido e o resultado mostrou que aquilo que havia sido combinado não foi feito. Eu não fui escolhido o candidato e o partido preferiu indicar o vice do atual prefeito, ao invés de lançar candidatura própria, preferiu indicar candidato a vice e conseguir secretarias. Então, óbvio que não teria o menor sentido eu continuar no partido, diante disso.
D.N– Você tentou diálogo?
M.G.L.F- Como houve isso no partido eu me afastei totalmente porquê eu não podia ser incoerente, eu havia pregado que nós tínhamos que ter uma candidatura própria e nós tínhamos um projeto que era diferente do do atual prefeito e nós teríamos que seguir por esse caminho. Não havia como eu seguir diante do que ocorreu, acho que não é possível isso. Diferentemente do grupo que optou pelo prefeito, que no dia seguinte já estava indicando vice-prefeito e secretarias. Acho que você deve ter uma posição só, seria incoerente da minha parte permanecer ou tentar qualquer coisa com o partido. O PMDB faz parte da administração municipal hoje e eu não fazia parte disso e não faço parte disso, então não tinha como permanecer no partido e nem ter qualquer diálogo em relação a isso.
D.N– Pode-se dizer que o clima é ‘pesado’ no PMDB a nível municipal?
M.G.L.F- Eu não sei. Eu tive várias oportunidades de conversar com a dona Délia e ela se diz muito insatisfeita como o PMDB, em relação a mim, não preciso nem dizer. Acho que essa tensão existe por conta da posição personalista do presidente e acaba criando esse clima, creio que ele vai ficar com o partido sozinho. Agora para mim, isso já é página virada, o negócio é o PSDB.
D.N– Como já citou a candidatura a prefeito do PMDB deve ser do presidente do partido, Geraldo Resende. Acredita que seria um adversário difícil para você em uma suposta corrida pelo cargo?
M.G.L.F- Acho que quando você se propõe a se candidatar a alguma coisa, a concorrer algo você não pode escolher adversário. Se o partido vier a escolher o meu nome e achar que é adequado para disputar a eleição, eu vou apresentar as minhas ideias, o meu projeto o que penso para a cidade onde nasci, não importando para mim quem esteja do outro lado. Isso não me preocupa, o que me preocupa é o PSDB e outros partidos que queiram somar algo de positivo para Dourados para junto chegarmos a uma candidatura. Se for a minha, todos serão muito bem vindos. Eu espero que tenhamos vários candidatos, as pessoas têm que ter opções.
D.N– Esse fato que o impediu de concorrer a prefeito em 2012, detalhe como foi. Existia uma pesquisa que o colocava entre os preferidos, não é?
M.G.L.F- Fomos para convenção do partido com o combinado a nível municipal e regional de que quem tivesse melhor nas pesquisas seria o candidato a prefeito. Todo mundo concordou que o candidato seria eu e na convenção nós “bateríamos o martelo” e eu fiz toda a festa, lotamos o anfiteatro da Câmara e para minha surpresa, eu só tive os votos dos convencionais que eu indiquei no partido, então os demais optaram pelo vice do atual prefeito e pelas secretarias. Quer dizer, a convenção do partido me impediu de ser candidato a prefeito. A pesquisa foi apresentada pelo André [Puccinelli, ex-governador] para nós, não lembro o percentual ao certo, mas eu estava na frente e isso foi admitido pelos outros nomes da pesquisa, demos entrevistas a imprensa sobre isso e tudo mais, e foi dito que eu seria o candidato e na convenção não aconteceu.
D.N – Recentemente o STF manteve a condenação contra o senhor pelo crime de falsidade ideológica. Acha que essa decisão pode atrapalhar seus planos futuros?
M.G.L.F- Na realidade não há condenação do STF, lá no site do órgão aparece que fui condenado por falsidade ideológica, mas não vai ser executada a pena. Nós entramos com embargos infringentes e na prática mesmo que o STF considere isso improcedente, não cai a minha primariedade, eu continuo ficha limpa, juridicamente não muda nada. Não houve condenação na realidade, pois, se não existe quebra de primariedade, punibilidade, então não existe condenação, foi isso que nós colocamos e por um voto eles não aceitaram isso e entramos com embargos infringentes e esperamos que eles reconsiderem. Mas, mesmo que mantenham juridicamente não há nenhuma alteração nisso.
Marçal reitera que não concorda com a atual gestão municipal e diz que falta planejamento (Foto: Gizele Almeida) D.N – No rádio, o senhor se mostrou sempre crítico a atual administração municipal, como você avalia o desempenho do atual gestor, Murilo Zauith (PSB)?
M.G.L.F- Aí eu gostaria de fazer uma ressalva em relação a rádio. A rádio 94 FM é um meio de comunicação social, não é o meio do Marçal Filho. Evidente que ela tem que ser um veículo aberto a população, assim como outros veículos de comunicação que devem abrir espaço para as pessoas, para a comunidade e é isso que sempre fizemos e temos feito por esses 14 anos. Durante esse tempo passaram três prefeitos por Dourados: Tetila (PT), Ari Artuzi e Murilo e nos três casos a população sempre teve espaço aberto. Essa é uma situação. A situação minha enquanto Marçal político, essa permanece a mesma. Continuo sendo um crítico da atual administração como fui na eleição e preciso continuar a ter coerência. Não acho que a gestão atual da cidade esteja num caminho correto, a população tem visto isso e eu desde o início pensava que o projeto tinha que ser outro e é por isso que havia me colocado como candidato. Eu pensava e continuo pensando que há outra forma de administrar e que dá para fazer muita coisa e melhorar muito. Não dá para resolver todos os problemas, porém, pode-se melhorar muito, Dourados é muito forte, muito pujante.
D.N- Existe a possibilidade de aproximação com o atual prefeito, na intenção de se formar um novo bloco, como no passado, na eleição dele?
M.G.L.F- Aí voltamos na questão que dependerá do que o PSDB definir. Como não estou impondo nada, pois impor não é democrático, eu não posso impor qual será a posição do partido nas eleições. Então dizer que o partido não poderá fazer uma coligação com o partido que o prefeito atual pertence, seria irresponsabilidade minha, não posso dar uma de dono de ditador do partido. Eu vou defender dentro do PSDB um outro projeto para Dourados, diferente do que está aí, agora quem vai decidir se o partido deve fazer uma coligação com este ou com aquele partido vai ser o conjunto em si. Minha posição sempre foi que deve ser diferente do que temos na atual administração e eu vou continuar defendendo isso.
D.N- O que é preciso mudar na cidade, na sua opinião?
M.G.L.F- Desde da administração do ex-prefeito José Elias Moreira que Dourados não tem um projeto de desenvolvimento. Eu acho que Dourados está necessitando de planejamento. Falta por exemplo, um plano de mobilidade urbana. Nós, já estamos tendo problema de trânsito aqui em Dourados e imagine isso daqui a 10, 20 anos quando a população aumentar? Outra coisa que eu acho muito importante é que temos condições pelo tamanho e pela importância da cidade de buscar muitos recursos federais desde que se tenha bons projetos. Eu vi muita dificuldade nessa atual administração de elaborar projetos, cansei de ver recursos perdidos que eu coloquei por falta de projetos. Então nós temos que ter um banco de projetos e é com isso “embaixo do braço” que se consegue recurso e isso não acontece aqui em Dourados. É preciso melhorar a malha asfáltica que está completamente acabada e pra isso se precisa de muitos recursos e claro, projetos. É preciso atuar também junto ao governador, ele tem um papel importante aqui no cenário e pode viabilizar muitos recursos para a área de infraestrutura urbana. Ao meu ver é isso que falta, planejamento a curto e longo prazo e tem que contar com essas parcerias do governo do estado e do governo federal.
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