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Menina torturada em Goiânia tem deformação permanente

09 abril 2008 - 15h34

O laudo de lesão corporal feito pelo Instituto Médico Legal (IML), divulgado hoje à tarde, concluiu que a menina L.R.S., de 12 anos, vítima de tortura, maus-tratos e cárcere privado por dois anos, em Goiânia (GO), sofreu lesões que deixaram marcas prolongadas em pelo menos 40 locais diferentes do corpo. Algumas delas causaram deformações que vão ficar pelo resto da vida: na língua e nos glúteos. L. foi encontrada no apartamento da empresária Sílvia Calabresi Lima, 42 anos, no dia 17 de março, amarrada, amordaçada e com marcas de mutilação.

Foram encontrados ferimentos em quase todas partes do corpo de L., menos no rosto e no couro cabeludo. "É importante ressaltar que as cicratizes e os traumas encontrados são compatíveis com o relato da menina. Ela se lembrava de todos", disse o médico legista Décio Marinho, responsável pelo laudo.

L. teve ferimentos que lhe causaram "dor muito intensa", principalmente as provocadas pelo ferro de passar. "Ela tem a forma do ferro marcado na pele", afirmou Marinho.

Os exames mostraram que L. vinha sofrendo com as agressões em épocas diferentes. Há marcas bem antigas e outras "recentíssimas". "Tudo condiz com o que a menina disse no inquérito. Não houve uma explosão de maldade da acusada, mas sim uma ação repetitiva e contundente, com o intuito de causar sofrimento", disse Marinho.

O médico disse que será preciso uma nova avaliação daqui a dois meses para saber se as lesões nos dentes e nas unhas também serão permanentes. De acordo com ele, é possível afirmar que as lesões na língua e nas nádegas são permanentes e irreversíveis. "Ela não pode, por exemplo, usar um biquíni na piscina sem que se perceba a lesão nos glúteos, causada por um ferro de passar repetidas vezes", falou o médico legista.

Segundo Décio Marinho, ficou evidente o uso de diversos instrumentos durante as sessões de tortura, como martelo, ferro de passar roupas, fios elétricos e alicate. Outro fato que, na opinião do médico, comprova a crueldade contra L. é que não havia sinais de lesões que pudessem causar a morte da menina ou deixa-la incapacitada.

Marinho comentou que muitos dos ferimentos poderiam ter sido detectados e denunciados pelos médicos que atenderam L. em postos de saúde ou clínicas particulares. "Muitos ferimentos chamam a atenção e causam estranheza. Poderia ter sido denunciado antes. Um dentista, por exemplo, quando fosse ver uma cárie, com certeza teria visto a língua toda machucada. Acho que fica uma lição para toda a classe médica", comentou Marinho.

O laudo será entregue à delegada Adriana Accorsi, titular da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), que concluiu as investigações no dia 26 de março. Depois o laudo será remetido à Justiça, onde já se encontra o processo. "Foi uma crueldade excessiva, com a intenção de causar sofrimento. Isso está na conclusão do laudo", disse o médico legista.

A empresária Sílvia Calabresi Lima, 42 anos, e a empregada doméstica Vanice Maria Novaes, 23 anos, foram presas em flagrante e se encontram na Casa de Prisão Provisória (CPP). Ambas vão responder por crime de tortura, maus-tratos e cárcere privado.

O marido de Sílvia, o engenheiro civil Marco Antonio, 42 anos, e o filho do casal, o estudante Thiago, 21 anos, vão responder por omissão em caso de tortura.

A primeira audiência dos acusados na Justiça está marcada para quinta-feira, no Fórum de Goiânia. A Justiça do Trabalho também investiga denúncia de trabalho escravo infantil e pode mandar Sílvia e o marido indenizarem L. em até R$ 3 milhões.


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