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Membros do MST que invadiram área de FHC voltam a liderar atos

21 setembro 2003 - 08h17

Pelo menos 5 dos 16 líderes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) presos pela Polícia Federal durante a desocupação da fazenda Córrego da Ponte, de propriedade dos filhos do então presidente Fernando Henrique Cardoso, em março de 2002, estão à frente da nova onda de invasões em Buritis (722 km a noroeste de Belo Horizonte).Dos cinco líderes, quatro foram excluídos do PNRA (Programa Nacional de Reforma Agrária), por meio de portaria do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) publicada em 28 de março de 2002, logo após a desocupação.São eles: Jorge Augusto Xavier, 36, um dos principais nomes do MST em Minas, Álvaro Alves Alcântara Júnior, 41, e Adriano Paiva Coutinho, 37, ambos da articulação política, e Celito Carlos da Costa, 46, do setor de produção.Hoje, menos de um ano e meio após a publicação da portaria, todos estão reinseridos no programa, com acesso à terra e crédito.O grupo beneficiou-se de liminar concedida em outubro de 2002 pelo juiz Iran Esmeraldo Leite, da 16ª Vara Federal de Brasília, que atendeu mandado de segurança impetrado pelo MST.Na decisão, o juiz argumentou que os líderes foram "sumariamente excluídos do rol de beneficiários do PNRA, sem oportunidade de se defenderem das acusações que lhes foram imputadas".SofáNa invasão, imagens de sem-terra deitados nos sofás da fazenda dos filhos de FHC causaram polêmica. Pouco depois, descobriu-se que os 16 líderes presos já haviam sido assentados em áreas cedidas pelo governo.É o caso de Celito Carlos da Costa, que aparece de camisa listrada e deitado no sofá da fazenda em uma das fotos. Como os outros líderes que hoje comandam as invasões no noroeste mineiro, ele integrava o assentamento Mãe das Conquistas, área de 4.630 ha na zona rural de Buritis invadida em 1995 e que acabou sendo revertida para fins agrários.Com a exclusão, outros acampados assumiram os lotes. Após a expedição da liminar, os líderes negociaram a divisão dos lotes com os assentados, solução que foi aceita pelo Incra.Segundo Costa, cada um ficou com cerca de 19 hectares de terras e já recebeu R$ 3.000 para construção de moradias. Em seu lote, onde moram a mulher e dois filhos, planta arroz, feijão, mandioca, milho, banana e abóbora.Recorda, com humor, da tentativa de invasão, em março de 2001, da fazenda do então embaixador Paulo de Tarso Flecha de Lima, da qual participou. Saldo: 16 sem-terra feridos e um --o líder Xavier-- preso.O chefe da divisão técnica do Incra do Distrito Federal e entorno, Ricardo Pereira, confirmou a reinserção dos líderes no PNRA. "Como o juiz determinou, eles voltaram a fazer parte normalmente do programa."Devido ao caráter provisório da decisão, ela poderá ser revertida pelo mesmo juiz, que analisará pareceres produzidos pelo réu -no caso, o Incra- e pelo Ministério Público Federal.MobilizaçãoNas últimas semanas, o MST invadiu duas fazendas e as duas agências bancárias de Buritis. Em uma das fazendas, o proprietário já conseguiu a reintegração de posse, mas os sem-terra se recusam a deixar a área enquanto o Incra não atender sua pauta de reivindicações, que inclui, entre outros pontos, a liberação de crédito para a safra 2003-04 e a desapropriação de áreas para 1.100 famílias acampadas na região.De acordo com Xavier, a atual mobilização do MST em Buritis "não é capricho político", e vem da "necessidade real de resolver a questão do plantio deste ano". Negou, com ressalvas, que a fazenda Córrego da Ponte esteja entre os próximos alvos do movimento na região."Também não vamos dizer que não há interesse, porque é um latifúndio de mais de mil hectares."

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