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Meios de Comunicação: santuário da casa

22 março 2011 - 09h32

Hoje aos 42 anos de idade, relembro a oportunidade que tive de viver, 30 anos atrás, outro modo de relação familiar. Longe de ficar remoendo lembranças saudosistas, quero simplesmente refletir sobre os meios, que usando as mais variadas propostas, têm contribuindo para formar o perfil do atual modelo de família.
 
Quando criança e adolescente era comum encontrar nos lares, inclusive em cidades grandes, como Salvador, um pequeno altar, onde a família mantinha a fotografia de alguém - que nós católicos - conhecemos como santo (a) ou do próprio Jesus, junto a estes, os retratos dos familiares. Aquela lembrança de alguém que passou pelo mundo fazendo o bem os colocava na dimensão transcendental, sempre que a eles se reportavam.
Não era de admirar que nas refeições, a família fizesse uma oração de gratidão a Deus e que no final da noite aquela imagem psicológica acompanhasse cada membro da mesma à cama, proporcionando uma sensação de paz e segurança.
Infelizmente, este costume simples e de fácil acesso foi trocado por outras imagens. Qual é a última recordação no final da noite? Para os mais velho é a novela ou os informativos cheios de notícias de desastres e corrupção, que criam uma sensação de insegurança e, às vezes, de desespero, já os mais jovens levam as imagens da internet, nem sempre usadas para a pesquisa e busca do saber. Felizmente, ainda existem aqueles que primam por uma boa leitura, alguns até leituras espirituais.
Com o advento da globalização estas novas tecnologias e modos de conceber a pessoa humana e a família criaram uma dispersão assustadora nos lares, pois os afazeres da vida hodierna instituíram exigências antes nunca vistas, mudando radicalmente a concepção existencial. Agora se fala numa sociedade de passagem, isto é, alguns terapeutas falam que estamos socialmente entre uma neurose e psicose, este estado intermediário é chamado de borderline ou região fronteiriça, tamanha a dispersão.
É claro que a globalização facilitou, em muitos aspectos, a vida da humanidade, no entanto, se estudiosos salientam tais realidades é porque também está se criando muitos entraves à boa convivência consigo com os outros. Quem não presenciou nas cidades maiores, como andam as pessoas, sempre com fones de ouvido, para escutar música e/ou outras “coisas”, mas que não são capazes de pedir licença de modo educado para o semelhante? Esta necessidade de escutar o externo e não valorizar a reflexão e as relações, não nos faz desconfiar que realmente exista algo de verdadeiro nesta denúncia?
Por que valorizar tanto estes ambientes visuais que carregam em imagens e propostas de dispersão da pessoa, da família e das relações, em detrimento da busca da interioridade? Pode-se até fazer críticas ao fato de se usar altares e outros meios para rezar e meditar, mas não se pode negar que estes eram meios eficazes de provocar o relacionamento da criatura com seu Criador.
É preocupante esta anestesia social, em que passivamente nossa liberdade fica comprometida porque não temos nem tempo de refletir sobre a própria vida e sobre aquilo que nos “vendem” como politicamente correto.
 
 
 
Pe. Crispim Guimarães
Pároco da Paróquia Cristo Rei, Laguna Carapã

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