Menu
Busca quarta, 27 de maio de 2020
(67) 99659-5905

Médico aparece e rebate acusações após briga em hospital

26 fevereiro 2010 - 11h46

Depois de quatro dias calado, o médico Orozimbo Ruela, 42 anos, envolvido em pancadaria dentro do Hospital Municipal de Ivinhema, que terminou com a morte de um bebê antes do parto, resolveu apresentar sua versão sobre o que ocorreu.

Em e-mail, ele diz que o episódio é “indesculpável”. Depois de ser acusado pelo colega Sinomar Ricardo, 68 anos, de induzir partos, usando abortivos, Orozimbo explica que resolveu apresentar sua versão porque “a população necessita de esclarecimentos”.

Segundo ele, que há 4 meses trabalhava no local, todo o pré-natal da paciente Gislaine Matos, de 32 anos, foi acompanhado por ele. “Como a maioria das minhas pacientes, ela declarou que queria fazer seu parto normal comigo porque não queria cesariana”, justifica.

Orozimbo relata que chegada a data do parto, o bebê não nasceu e a paciente foi orientada a esperar ainda duas semanas, o que ocorreu no dia 22. “Então pontualmente às 17h30, mesmo sem estar de plantão, eu compareci ao hospital, pois médico que ama a profissão não tem horário nem plantão, atende quando é chamado e iniciamos o trabalho de dilatação do colo com misoprostol e combinei com o casal que quando atingíssemos a marca de 8 centímetros de dilatação no colo uterino nós romperíamos a bolsa e o bebê nasceria”, detalha.

O outro médico envolvido na confusão acusa Orozimbo de ter usado um abortivo, o que provocou dores na mãe e a morte do bebê antes do nascimento.

O obstetra lembra que o procedimento de dilatação é normal. “Para esclarecer o misoprostol é como a morfina que na mão do médico é remédio e na mão do traficante é tóxico, é um medicamento abortivo sim, mas para mulheres até 25 semanas, de 25 até 36 semanas passa a ser parto pré-maturo e num caso como este que se está acima de 40 semanas”, argumenta.

Ele ataca o médico Sinomar, questionando a capacidade profissional do colega. “É só um medicamento que tem a venda avulsa proibida e uso hospitalar liberado e que deve ser usado por profissionais hábeis, o que lamentávelmente não é o caso do Dr. Sinomar que sem saber a diferença entre aborto e parto induzido, irresponsavelmente, sem meu conhecimento, retirou o medicamento iniciando o quadro de sofrimento fetal, pois o útero continuaria contraindo contra um colo fechado”.

Orozimbo diz ainda que “para complicar”, Sinomar mandou aplicar ocitocina no soro, medicamento para aumentar as contrações. Segundo ele, o uso do misoprostol refletiria em contrações naturais e parto sem sofrimento.

“Por volta das vinte horas (o dr Sinomar chegou às dezenove) fui novamente examinar a paciente e notei que o medicamento não estava no local, mas achei que tivesse saído pela movimentação da paciente então esclareci ao casal que colocaria a parturiente na sala de parto e faria uma avaliação melhor e caso houvesse viabilidade nós romperíamos a bolsa e o bebê logo nasceria (estes fatos podem ser comprovados pelo casal)”, garante.

Orozimbo diz que foi impedido de fazer o parto, mesmo depois de ter solicitado à equipe de enfermagem para preparar a sala para o atendimento à gestante.

“Foi quando o Dr Sinomar surgiu com a papeleta da paciente na mão informando que eu não era o médico dela e sim ele que estava de plantão. Eu limitei me a explicar que a paciente tinha direito de ser atendida pelo médico de sua preferência e que isso era um direito constitucional, logo que a paciente foi posicionada na mesa de parto, ele correu para dentro da sala e tentou fechar a porta comigo do lado de fora”, na versão de Orozimbo.

Sinomar conta que foi surpreendido pelo colega com chutes e pontapés na porta da sala de cirurgia, Orozimbo apresenta outra versão.

“Eu forcei a porta antes que ela se fechasse e entrei, ele então me deu um soco na face, foi difícil mas eu não revidei. Ele tentou me impedir de chegar a paciente e eu dei a volta na sala e me posicionei no local do exame, ele segurou minha mão para me impedir de fazer o exame, temendo levar outro soco, eu o empurrei ele e ele caiu no chão. Aí eu pus a mão na cabeça e vi que já tinha ido longe demais mais ainda assim exigi que se retirasse da sala e ele se recusou, então alguém sugeriu que a Dra Elza (esposa dele) assumisse o parto e nos dois aceitamos e deixamos o recinto. Infelizmente na sua avaliação a doutora optou por interromper o trabalho de parto em curso retornando a parturiente para a enfermaria e sem fazer uma ampola de Inibina para anular os efeitos a ocitocina e esperar até o momento da cesariana. Eu não tinha mais acesso à parturiente por razões óbvias e até aquele momento não tinha a informação de que o soro continha o medicamento”, conta Orozimbo.

O caso é investigado pela Polícia Civil, por auditoria aberta pela Secretaria Municipal de Saúde e pelo Conselho Regional de Medicina.

“Meu único erro foi forçar demais a barra para prestar este atendimento, pois estou acostumado a lutar para que meus pacientes tenham direito à saúde. Torço para que a decisão da justiça e do CRM seja breve, pois merece cadeia um irresponsável que põe em risco a vida de uma mulher e ceifa sua cria com uma torpeza tão cruel”, conclui o médico, em e-mail enviado ao site Ivinotícias. .



Deixe seu Comentário

Leia Também

TENTATIVA DE ASSALTO
Após gritos, comerciante consegue assustar assaltante que foge sem levar nada de distribuidora
PERSEGUIÇÃO
Alegando ser membro do PCC, jovem é preso com quase 400 kg de maconha na MS-156
105 MESES
Ampliado prazo de renegociação de empréstimos consignados
PANDEMIA
MPE cobra estudo técnico sobre alternativas para conter avanço da Covid-19 em Dourados
DEPUTADO, EMPRESÁRIO E BLOGUEIRO ALVOS
PF cumpre mandados judiciais em investigação sobre fake news
FRIO
Embrapa apurou condições favoráveis a ocorrência de geada na região
DOURADOS
Prefeitura vai pagar mais de R$ 1 milhão sem licitação a Hospital para usar leitos
COMER BEM
Dona Neide Marmitaria: agora com mais opções para seus clientes
SAÚDE
Especialista do ‘Casal Grávido’ fala sobre protagonismo paterno na gestação
APÓS PRORROGAÇÃO
Prazo de inscrição no Enem 2020 termina nesta quarta-feira

Mais Lidas

DOURADOS
Prefeitura estende toque de recolher em 2h em Dourados
PANDEMIA
Dourados tem mais de 150 casos de Covid-19 e secretário diz ser assustadora a crescente na região
PANDEMIA
Dourados investiga morte com suspeita do novo coronavírus
DOURADOS
Empresários cobram de Délia prova científica para justificar toque de recolher