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Mato Grosso do Sul é o Estado mais violento para indígenas

11 abril 2008 - 12h50

Os dados do relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil 2006/2007, que foi apresentado ontem pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), mostram o aumento da violência entre as comunidades indígenas do Mato Grosso do Sul.


De 92 assassinatos ocorridos em todo o Brasil, pelo menos 53 foram no Mato Grosso do Sul e, na maioria dos casos, os autores foram pessoas da própria comunidade indígena. Em declaração ontem, a antropóloga Lúcia Rangel, coordenadora do levantamento, diz que o aumento da violência entre os próprios índios é reflexo das condições degradantes a que eles estão submetidos, por estarem “confinados” em pequenas reservas onde há superpopulação e condições precárias de saúde e subsistência.


Ela disse ainda que mesmo falando a mesma língua e compartilhando a mesma cultura, como é o caso de Dourados, os indígenas estão organizados em unidades autônomas (chamadas tekohá) baseadas em relações familiares e com chefias políticas e religiosas independentes.


“Quando várias dessas unidades são colocadas em uma área sem espaço, começam a competir entre si, o conflito vai aumentando e entra-se num ciclo de violência interna que não se resolverá, a não ser que cada uma das unidades retome a terra que corresponde ao seu tekohá.”, afirmou Lúcia Rangel, referindo-se à reivindicação dos 45 mil índios da etnia Guarani-Kiaowá por 100 áreas de terra no estado.


Ao comentar os suicídios registrados entre jovens indígenas no país (33 em 2006 e 28 em 2007), a antropóloga disse que trata-se de um fenômeno de difícil compreensão. “Parece um grito de alerta da juventude de que as coisas não vão bem, de que a vida está violenta, de que são ameaçados, e eles buscam no mundo dos espíritos a segurança e a paz que não encontram aqui”.
 
Como era antes
A cultura Guarani não era semelhante a outros povos indígenas no Brasil. Não havia um “cacique” ou “um imperador”, como no caso dos Incas e Astecas. Quando os europeus aqui chegaram, cada grupo vivia em unidades isoladas e independentes que se auto geriam pelo regime familiar. Com a aglutinação de vários povos em um mesmo lugar esses grupos foram “amontoados” em um mesmo território, o que causa conflitos de lideranças.

 
Esta mesma aglutinação, e no caso específico de Dourados, onde a Reserva é praticamente um bairro da cidade, tem provocado a desestruturação da unidade familiar, base do “sistema de governo” Guarani/Kaiowá.
(Lessa, Barbosa. A Era de Aré:raízes do Conesul. São Paulo:Globo, 1993)

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