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Mario Sá pergunta: Do que estamos a falar?

25 agosto 2005 - 17h22

Do que estamos a falar?Mario SáDesde que li esta frase, como título de um capítulo de livro, ela faz parte de minhas reflexões. As vezes chego a temer o número de vezes que a utilizo em artigos e textos científicos que produzo. Mas existem coisas que são assim: demoram um certo tempo em nossa mente. Creio existirem motivos.Os últimos meses têm sido muito difíceis para aqueles que, como eu, participaram, de forma mais ou menos ativa, na construção do Partido dos Trabalhadores. Plenamente identificado com o mesmo, hoje gasto um tempo, maior que o necessário, respondendo a e-mails, geralmente em forma de "brincadeiras", ou a perguntas, nem sempre bem intencionadas, sobre um membro, um político ou, sei mas lá quem do Partido. Da noite para o dia parece que o sonho desabou.Muitos falam em crise institucional, político-partidária, eleitoral etc. Creio que tudo isso é verdadeiro, mas, hoje penso em crise de perspectivas; se fosse mais romântico diria de sonhos. Há alguns meses atrás via um Brasil crescendo. Não discordo de que o governo deveria ser mais contundente no combate as mazelas que afligem o país e os mais necessitados. Mas, sei também, ser esse um processo histórico e que as instituições governamentais dentro do mundo capitalista tem suas limitações. Sei que promessas foram feitas sem o lastro de possibilidades. Mas, sei também, que vivíamos o período "menos pior" desde muitos anos. Nunca havia respirado uma atmosfera de tamanha credibilidade no país, como vi nesses últimos dois anos. Jamais vi um presidente com tanta credibilidade e liderança na América Latina e mesmo no mundo chamado "em desenvolvimento", proveniente do Brasil. Lula estava sendo comparado a Fidel Castro e a Hugo Chaves. Líderes mundiais curvavam-se diante de nosso Chefe do Executivo. Não era apenas o Futebol que nos trazia sentimento de vitória.A confiança, se não era total, era majoritária. A exceção ficava com as oposições, onde, algumas cumpriam o seu papel e outras, demonstrando os seus interesses mesquinhos, buscavam ofuscar, de forma raivosa, os rumos do país. Muitas vezes elas não percebiam que essas atitudes retiravam os méritos de governos anteriores, muitos deles sob a égide de seus Partidos. Mas, ainda há uma classe política assim! Setores internos ao Partido também se manifestavam contrariamente a chamada timidez do governo para questões fundamentais, visando o desenvolvimento da nação.Sem abrir mão do fato de que erros e acertos ocorriam não é possível negar que a o sentimento de pertença à brasilidade crescia a olhos nus. Nenhum povo cresce se não possui fé em si mesmo. E isso brotava e formava raiz.A perplexidade daqueles que, honesta e sinceramente, contribuíram para que a fé sobre o Brasil e o ser brasileiro, hoje é enorme. Converso com companheiros (as), homens e mulheres de bem, que ergueram a Estrela Vermelha por mais de vinte anos, que deram parte de sua energia para que o país chegasse onde, acreditávamos ter chegado, sentindo-se parte dessa coisa grande. Hoje estão a procurar respostas; permanecendo atônitos. Sei que o momento é de perplexidade e indignação. Vontade de entregar os pontos e deixar tudo para traz. Mas isso seria um atestado de conivência com esses canalhas que macularam uma vivência política de milhares de brasileiros, eleitores ou não do PT. Não permitamos que eles dancem sobre as nossas covas. Que os aprendizes do modo canalhocrata de ser, petistas ou não, sejam devorados pelos seus mestres. Que feras devorem feras. Mas, em nome de uma longa e digníssima história não permitamos que eles realizem os seus sonhos de destruírem um grupo que buscou a justiça social, a decência política e um mundo mais fraterno. Que se corte a carne, se degole o pescoço, que se faça o que se tem que fazer; mas que o justo não pague pelo pecador. Não esqueçamos as palavras do mestre Paulo Freire (petista) "aqueles que nadam contra a maré não podem esperar belos finais de semana em lindas praias tropicais". Estamos diante de uma maré contrária, forte, mas não tombaremos. É disso que estamos a falar.Professor de História e Cultura Brasileira no Ensino Superior e Doutorando em História da UNESP

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