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Márcio Braga assume presidência do Flamengo amanhã

04 janeiro 2004 - 12h37

Assumir a presidência do Flamengo não é novidade na vida de Márcio Braga, que amanhã, às 19 horas, será empossado pela quinta vez em solenidade no salão nobre da Gávea. Mas nem tudo será como antes, ele garante. Se já não conta com o talento da geração de Zico, Júnior e Leandro dentro de campo, ele agora espera promover uma revolução administrativa na Gávea, profissionalizando todos os departamentos.PRIMEIRO ATO: “Meu primeiro ato após a posse será o encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Brasília, na próxima terça-feira (dia 6), para tratarmos da reformulação do futebol. É o nosso ponto de partida para uma gestão que pretendemos que seja exemplar”.AJUDA DO GOVERNO: “Queremos mudar um modelo de administração dos clubes que é secular. E nosso foco principal será o futebol, que é a mola-mestra do clube. O Fluminense, por exemplo, é um clube de futebol fundado em 1902 e até hoje a forma de gerir o futebol é a mesma, amadorística. Vamos fazer essa passagem para um modelo profissional. Mas, para crescermos, dependemos da ajuda do governo, de uma mudança na distribuição dos recursos públicos. As confederações são entidades essencialmente administrativas. Os clubes são formadores de atletas e têm de ter participação maior nessa distribuição”.ÊXODO: “É preciso haver uma legislação especial para os atletas. Não podemos nos basear apenas pela CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas). Hoje, uma vez formado, o atleta vai embora e o clube não tem como se defender. É preciso haver uma taxação sobre as transferências. Futebol e músicas são nossos melhores produtos de exportação”.DÍVIDA: “O Flamengo é grandioso em tudo. É o clube que mais ganha, o mais amado e também o maior devedor (a dívida do clube atualmente é de cerca de R$ 205 milhões). O Flamengo hoje consegue ter superávit primário. Não fosse a dívida, viveríamos do que arrecadamos. Queremos pagar tudo o que devemos, não vamos fugir às nossas responsabilidades. Mas contamos com o auxílio do governo federal para estabelecermos uma nova forma de quitar as dívidas, como um Refis 3 voltado para os clubes”.ALIANÇAS: “O modelo que defendo não vale apenas para o Flamengo, mas para outros clubes. E não estamos sozinhos. Já estabelecemos uma frente com Corinthians, São Paulo e Vasco na defesa de nossos interesses comuns. Dentro de campo, vamos continuar nos pegando. Mas em termos de política externa nossas decisões serão tomadas em conjunto. E não se trata de uma aliança entre Eurico Miranda e Márcio Braga. É entre Flamengo e Vasco”.RELAÇÃO COM A CBF: “Não vejo problema nessa relação com a CBF. Vamos continuar buscando nossos interesses, sem problemas. O presidente Lula não pegou um avião e foi lá nos Estados Unidos conversar com o Bush, sorrir ao lado dele? É assim que faremos daqui para frente. Se a CBF hoje é uma casa-madrasta no futebol brasileiro, tem de deixar de ser”.CRISE POR CASTILLO: “Essa contratação do argentino que acabou não acontecendo foi uma boa lição para nós. Já sabíamos que o início desta transição no futebol seria muito difícil. Afinal, estamos rompendo uma tradição para implantarmos um sistema profissional. Já tivemos o primeiro curto-circuito e acho que viveremos situações parecidas nas outras áreas do clube. Queremos profissionalizar todos os departamentos”.FUTEBOL: “O programa estabelecido para o futebol do Flamengo é o seguinte: para o Estadual vamos formar um time competitivo, mas sem grandes astros. Vamos desenvolver a prata da casas, observando a Copa São Paulo de Juniores e trazendo três ou quatro reforços. Tudo dentro de uma faixa salarial estabelecida. Para o Brasileiro, vamos estudar a situação em que nos encontramos para reforçar ainda mais a equipe. Mas contamos sempre com a prata da casa”.FÁBRICA DE CRAQUES: “É a quinta vez que assumo a presidência e sei que o Flamengo só é forte com time prata da casa. O problema é que nossa fábrica de craques incendiou, ruiu. Temos que reconstruir tudo, começando pela conclusão de um centro de treinamento e a chegada do Carlinhos, um profissional que conhece bem o clube e sabe revelar novos valores”.FORÇA EM 2004: “Vamos promover uma revolução administrativa e também em termos esportivos. Mas sabemos que dificilmente alcançaremos tudo aquilo que almejamos em 2004 no futebol. É claro que esperamos colher frutos imediatamente, se for possível. Mas é uma tarefa difícil neste início de trabalho”.ESCUDO NA CAMISA: “Vamos ter uma terceira camisa no ano que vem e já informei à Nike que não quero mais o escudo do clube no peito. Quero o CRF, que é nossa tradição e foi usado por Zico, Dida, Domingos da Guia, Zizinho, Evaristo e tantos outros”.

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