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Marçal de Souza - Tupã-Y é o personalidade desta semana

14 abril 2008 - 16h12

Esta semana, o Dourados News vai homenagear uma das figuras indígenas mais importantes de todo o território nacional, o líder indígena Marçal de Souza, ou Marçal Tupã-Y (pequeno Deus), em comemoração ao Dia do Índio, 19 de abril.
Defensor incansável dos povos nativos da América do Sul e um dos líderes precursores das lutas dos guaranis pela recuperação e pelo reconhecimento de seus territórios ancestrais (onde estão hoje Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo, principalmente), Marçal de Souza foi também um dos criadores do movimento indígena brasileiro, tendo sido um dos fundadores e participado da primeira diretoria da União das Nações Indígenas (UNI), entidade que congrega indígenas brasileiros, fundada em 1980.
Nasceu em Rincão Júlio (região de Ponta Porã), Mato Grosso do Sul, Brasil, no dia 24 de dezembro de 1920, foi assassinado em 25 de novembro de 1983. Líder da etnia guarani-nhandevá (que habita o oeste do Brasil, nas fronteiras com Argentina, Bolívia e Paraguai).
Aos 3 anos mudou-se para a aldeia de Tey Kuê, na cidade de Caarapó. Órfão aos 8 anos, passou a morar na Nhanderoga, nome dado a orfanatos de crianças indígenas, na Missão Caiuá, área indígena de Dourados. Aos 12 anos conheceu um casal de missionários e mudou-se para Campo Grande. Conheceu um oficial do Exército que o levou para o Recife, onde realizou trabalho braçal em troca de comida, roupa e estudo.
De volta a Dourados, foi contratado pela Missão Caiuá como professor de crianças órfãs e intérprete de guarani. Em 1959 fez um curso na Organização Mundial de Saúde (OMS) e formou-se atendente de enfermagem, profissão que exerceu até a morte. Na aldeia Campestre, onde morava, a 57 quilômetros de Ponta Porã, também se tornou guia e intérprete dos antropólogos Darcy Ribeiro e Egon Shaden.
Desde o início dos anos 70 denunciava a expropriação de terras indígenas, a exploração ilegal de madeira, a escravização de índios e o tráfico de meninas índias. Vítima de perseguições, em 1978, foi expulso de Dourados pela Funai e voltou a morar na aldeia Tey Kuê. Nesse ano, novamente transferido pela Funai, vai para a aldeia de Mbarakaju, em Antonio João.
Em 1980, foi escolhido representante da comunidade indígena para discursar em homenagem ao papa João Paulo II durante sua primeira visita ao Brasil. Ele afirmou em discurso ao pontífice: "Nossas terras são invadidas, nossas terras são tomadas, os nossos territórios são invadidos... Dizem que o Brasil foi descoberto. O Brasil não foi descoberto não, o Brasil foi invadido e tomado dos indígenas do Brasil. Essa é a verdadeira história".
No mesmo ano, envolveu-se na luta pela posse de terras na área indígena de Pirakuá, em Bela Vista. A demarcação foi contestada pelo fazendeiro Astúrio Monteiro de Lima e seu filho Líbero Monteiro, que consideram a região parte de sua propriedade. Eles ofereceram a Tupã-Y uma grande quantia de dinheiro para que convencesse os kaiowá a sair da aldeia de Pirakuá, em Bela Vista (MS), para reservas já demarcadas pelo governo. Tupã-Y recusou a oferta.
Após diversas ameaças e agressões, em 1983, Marçal de Souza é assassinado a tiros no rancho de sua casa, na aldeia Campestre. O fazendeiro foi considerado inocente em dois julgamentos. Em 2003, passados 20 anos do assassinato, o crime prescreveu e os culpados não podem mais ser julgados. Um pouco antes da sua morte ele teria dito: "sou uma pessoa marcada para morrer, mas por uma causa justa a gente morre...".
Fontes:
Wikipédia e Site da Presidência da República Federativa do Brasil/Heróis Nacionais.

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