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Mais de 40 entidades protestam contra a violência em MS

12 abril 2008 - 10h10

Centenas de pessoas, representando 40 entidades, se uniram hoje para protestar contra a violência. O movimento começou na Praça do Rádio Clube e seguiu em passeata até o calçadão da Barão.
Poucos metros depois do início da caminhada, a intransigência de motoristas provocou reações exaltadas em plena manifestação que deveria ser pela paz. A paciência deu vez a pequenas doses de intolerância entre participantes e condutores, que de dentro dos carros fizeram protestos particulares contra o protesto e pela falta de apoio policial e ausência de amarelinhos para ordenar o trânsito durante o protesto.
Logo a violência no trânsito foi lembrada pelos manifestantes em um dia que a imprensa informa a morte de uma senhora, de 48 anos, Dalva Aparecida de Carvalho Moura, que na noite de sexta-feira foi atropelada em plena 13 de Junho, por um jovem de 24 anos. Só nas últimas 12 horas, foram 23 acidentes nas ruas da capital.
A violência em todas as suas formas é o motivo do protesto deste sábado, assim como tantos outros já realizados pelas ruas de Mato Grosso do Sul, com cobrança não só ao poder público, mas a toda sociedade, dizem os organizadores. A diferença é o surgimento de novas vítimas, como a travesti Débora Mansini, assassinada no dia 13 de março com dois tiros, às 19h47.
Com camisetas que estampam o rosto de Débora, amigos detalham o dia do crime. Ela estacionou o carro, seguiu para o ponto onde trabalhava como profissional do sexo e acabou executada. Até agora nenhum suspeito foi apontado pelo Polícia.
A também travesti Donatella Splash protesta neste sábado pela amiga e também como vítima de violência. Em 2002 foi espancada no trabalho por homens. “Me senti desprotegida fui socorrida por populares porque não havia policia perto.”
Grupos mais vulneráveis foram maioria hoje na passeata. Mas os moradores da periferia, estudantes, índios, negros e homossexuais, somaram suas reivindicações a categorias cada vez mais ameaçadas, como de motoristas de ônibus.
Ônibus - No mês passado, mais de 100 assaltos foram registrados ao transporte coletivo da capital. A orientação de não reagir aos ladrões é cumprida a risca, mas só isso não basta, reclama o motorista, Edmir Pereira da Silva, de 53 anos. Em 18 anos de trabalho, ultimamente na linha que atende o bairro Roselândia, ele já ficou cara a cara com assaltantes por dez vezes, o caso mais recente foi em dezembro de 2007. “A gente não sabe mais quem é bandido ou quem é passageiro. Nós nunca sabemos quando vai acontecer de novo.”
A promessa de ações contra os bandidos é para o segundo semestre deste ano, com a criação de uma patrulha especial para rondas em corredores de ônibus, conforme compromisso assumido pela Sejusp (Secretaria de Justiça e Segurança Pública).
Aldeias - Em dois ônibus, índios de guarani kaiowá de Paranhos e Dourados também vieram para o protesto em Campo Grande. A comunidade indígena é um símbolo do que pode significar o descaso, o abandono em diferentes aspectos, desde a violência imposta pela fome e pelo confinamento causado pela falta de terras, até o preconceito, passando por deficiências no atendimento a saúde e educação.
O guarani Getúlio de Oliveira, da aldeia Jaguapiru, de Dourados lembra da miséria, mas avalia que o maior problema da atualidade é o assassinato de jovens índios, por motivo torpe. “Toda semana algum jovem morre na aldeia, seja pelo álcool ou pela droga”, conta.
Dados de 2007, divulgados pelo Conselho Indigenista Missionário, revelam uma dimensão ainda maior da questão. No ano passado foram registrados 92 assassinatos no País: 53 em Mato Grosso do Sul, estado recordistas de execuções no país. E os índices nunca melhoram, só neste ano já foram 19 mortes, entre elas suicídios.
Apoio - Hoje também houve quem gritasse contra a agressão ao meio ambiente, como a associação do Córrego Balsamo.
A dona de casa de 49 anos, Maria Sebastiana da Costa, saiu neste sábado para fazer compras e foi surpreendida pela passeata. “Apoio o protesto porque já fui vítima de violência, porque sou mulher e pobre”, contou sem detalhar os episódios.

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