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Lula disse que é preciso construir parcerias estratégicas que atendam os países mais pobres

30 novembro 2006 - 15h12

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva denunciou nesta quinta-feira (30), em discurso na Cúpula África-América do Sul, na Nigéria, as barreiras protecionistas dos países ricos. "Queremos ampliar o comércio de bens e serviços para promover o desenvolvimento dos nossos países, mas as barreiras protecionistas dos países ricos fecharam mercados aos nossos produtos", disse Lula, que mesmo com o tornozelo direito machucado manteve sua agenda de encontros bilaterais com governantes africanos.

"Se queremos outra globalização, menos desigual, mais solidária, precisamos construir parcerias estratégicas que atendam os países mais pobres", disse o presidente brasileiro, que discordou da imprensa de seu país ao enfatizar a importância do encontro. "Esta cúpula abre um novo capítulo na história das relações sul-sul. Duas regiões em desenvolvimento se reúnem por vontade política própria, sem intermediários", destacou Lula, enquanto a mídia brasileira sublinhava as ausências dos presidentes Hugo Chávez (Venezuela), Nestor Kirchner (Argentina) e Michelle Bachelet (Chile).

"Prioridade indiscutível" para a África

Lula, que realiza sua sexta viagem à África em quatro anos de primeiro mandato, voltou a destacar a importância que seu governo atribui ao continente. "Hoje a África é para o Brasil uma prioridade indiscutível. Desde o início do governo, visitei 17 países africanos e recebi 15 líderes da região, além de ter reaberto 12 embaixadas brasileiras", disse. Destacou também os dividendos derivados dessa prioridade. O comércio entre os dois continentes cresceu 110% nos últimos quatro anos e a África passou a consumir 5% das exportações do Brasil.

O discurso do presidente apontou que a paralisação das negociações na Organização Mundial do Comérico (OMC) afeta os países em desenvolvimento; e defendeu a reforma do Conselho de Segurança da ONU, onde o Brasil reivindica uma cadeira permanente. "Precisamos adaptar as instituições aos nossos tempos. A reforma da ONU é vital para fazer frente aos novos desafios. O Conselho de Segurança reflete uma ordem internacional que não existe mais. Sua ampliação, com novos assentos permanentes e não-permanentes, para países em desenvolvimento, é a chave para torná-lo mais legítimo e democrático", afirmou.

No campo econômico, Lula destacou o papel potencial dos biocombustíveis para desenvolver os países do Sul. "Esses combustíveis têm um enorme potencial para realizar uma verdadeira revolução agrícola e energética em nossos continentes, pois diversificam a matriz energética, criam abundantes empregos, mantêm a população no campo e favorecem o comércio exterior".

Encontros bilaterais

Mesmo com o tornozelo machucado, o que o obrigou a se deslocar em cadeira de rodas e com o pé enfaixado, Lula manteve sua agenda de quatro encontros bilaterais com chefes de Estado africanos. Após quatro dessas reuniões na quarta-feira, ele teve hoje um café-da-manhã de trabalho com o presidente da Líbia, Muamar Khadafi.

"A parceria com a Líbia deve aumentar, com maior participação de construtoras brasileiras em obras líbias e novas operações da Petrobras", comentou depois do encontro o presidente interino do PT, Marco Aurélio Garcia, que até as eleições ocupava o cargo de Secretário Especial para Assuntos Internacionais, e acompanhou a reunião. Os outros interlocutores de Lula foram os presidentes do Togo, Fauré Gnassingbe, de Gana, John Agyekum, da Argélia, Abdelaziz Bouteflika, e de Moçambique, Armando Guebuza.

Khadafi falou logo depois de Lula na Cúpula África-América do Sul. Também ele enfatizou a necessidade de se reformar o Conselho de Segurança da ONU. "É hora de acelerarmos o passo e vencer desafios, deixando de ser apenas fornecedores de matérias primas e nos tornarmos industrializados", disse o líder líbio. E expressou apoio a Hugo Chavez, que não foi à cúpula devido às eleições venezuelanas do próximo domingo, onde ele concorre à reeleição.

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