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Leia o artigo 'Eleição exige 'jogo de cintura'!' de Manoel Afonso

24 março 2008 - 06h57

Dinheiro é um componente muito importante em qualquer eleição. Com ele o candidato abre muitas portas e amplia as chances de coligações e apoiamentos preciosos ao longo da campanha. Mas dinheiro não é tudo! Lembram-se daquela derrota do poderoso Antonio Ermírio de Moraes para  Quércia
em São Paulo
?  Existem centenas de exemplos neste sentido, mas esse  talvez seja o mais emblemático deles todos.
 

Dentre as qualidades exigidas ao candidato, não se pode esquecer a sua facilidade de superação ou adaptação nas mais complicadas e diferentes situações. É o velho “jogo de cintura” de guerra, tão destacado ao longo da história do cenário político de todo mundo.  
 

As imagens ainda estão vivas na memória de todos nós:  o sociólogo Fernando Henrique colocou o chapéu de vaqueiro e montou num jegue no Nordeste;  embriagado, o  insuperável Boris Yeltins – não vacilou e dançou ao som de uma banda de rock russa; Bill Clinton cansou de dar canja de saxofone ao longo de suas campanhas eleitorais; Romeu Ruma, de descendência libanesa, comeu buchada de bode e disse que adorava essa iguaria nordestina e JK. dançava com todas as mulheres em suas peregrinações como candidato e presidente.  Tancredo Neves também é um bom exemplo de político articulado: conseguiu ser unanimidade nacional num período difícil e onde muitas lideranças disputavam os espaços.
 

O jogo de cintura é uma necessidade no dia a dia do político. Hoje os meios de comunicação registram tudo: um gesto, uma expressão facial, uma simples palavra ou frase pode colocar tudo a perder. Tido como esperto, Maluf acabou se complicando. Na pergunta se era a favor ou contra a pena de morte para o estuprador - ele disparou: “estupra, mas não mata”! E aí passou a imagem de defensor deste crime hediondo.
 

Para alguns,  Lula está sendo incoerente com seu passado. Para outros, ele tem jogo de cintura ao se cercar de ex-adversários em nome da governabilidade.  Sabe que se radicalizasse governando apenas com sua velha “tchurma” não aprovaria nada no Congresso e não teria chances de êxito.
 

Em ano de eleição vale lembrar aos candidatos  a importância do jogo de cintura. Claro que em certas ocasiões é preciso ser radical e direto, mas em outras é preciso transigir.  Conheço vários cidadãos probos e preparados que não venceram na política exatamente porque viam o jogo de cintura como uma violência, uma negação de postura e até do próprio estilo de vida que sempre tiveram.
 

Como lembra um amigo: jogo de cintura  também é dançar o xaxado, ir à missa, beijar a mão da mãe de santa, tomar cachaça, dar o pontapé inicial em partida de futebol, ser jurado de concurso de beleza, não reclamar de nada, nem do xixi do garoto de colo na hora da foto com os pais. Se você tem pretensões políticas, aproveite o texto para uma reflexão.
 

E aí! Vai encarar?
 

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