A aids, uma vingança da natureza?
Como sempre acontece nestes casos, a notícia não mereceu manchetes especiais nos meios de comunicação. Ela passou quase despercebida, já que contraria os interesses de pessoas influentes e de organizações poderosas. Vamos aos fatos.
Em declaração feita no dia 8 de fevereiro deste ano, Matt Foreman, expoente da "Força-Tarefa Nacional Gay e Lésbica" dos Estados Unidos, deixou muita gente inquieta ao admitir que a conduta homossexual representa um risco para a saúde do povo, sendo a principal responsável pela propagação da aids em seu país: «Internamente, quando os números dos doentes e mortos são divulgados, a classe gay parece reagir com indiferença, como se isso não a atingisse. Gente, se 70% dos portadores do HIV deste país são gays ou bissexuais, não podemos negar que o HIV é uma doença gay. Temos que aceitar isso e enfrentar a verdade».
Pouco antes, Lorri Jean, outra líder do movimento gay e lésbico, de forma semelhante chocou o movimento homossexual ao declarar: «O HIV é uma doença gay. O HIV é nosso. Acabemos com ele!Quem quer ver – ou seja, quem tem a sabedoria de Deus que nasce da fé –, não consegue ficar indiferente diante da confissão de Matt Foreman e de Lorri Jean. Costuma-se dizer que «Deus sempre perdoa; o homem, de vez em quando; a natureza, nunca!» Por mais que se proclame que tudo é permitido, a realidade é muito diferente. A aids é uma das inúmeras e terríveis conseqüências da depravação de costumes que amordaça a sociedade. O pecado contra a natureza – e, por natureza, pode-se entender tanto o meio ambiente como a ordem moral natural – nunca fica impune. Cedo ou tarde, as conseqüências virão. Não nos admiremos, portanto, se, dentro de poucos anos, outras epidemias, muito mais ferozes do que a aids, dizimarem a humanidade...
Há quase dois mil anos, São Paulo descrevia o ambiente que se cria quando são pagãos os que ditam as leis da sociedade: «Visto que eles trocaram a verdade de Deus pela mentira, venerando as criaturas em lugar do Criador, Deus os entregou a paixões vergonhosas. Suas mulheres substituíram as relações naturais por outras antinaturais. O mesmo aconteceu com os homens: deixando a relação natural com a mulher, arderam de paixão uns com os outros, cometendo infâmias entre si e recebendo em si próprios a paga devida a seus extravios» (Rm 1, 25-27).
O que queria dizer São Paulo com as palavras «recebendo em si próprios a paga devida a seus extravios?» Deixo a resposta para o leitor, lembrando que, para bom entendedor, poucas palavras bastam!
Não sendo formado em medicina, não me atrevo a afirmar que a aids é fruto do homossexualismo. Mas que a libertinagem é um campo fértil para sua difusão, isso ninguém me tira da cabeça.
A bem da verdade, porém, devo reconhecer que não é somente a aids que pode ser vista como uma vingança da natureza. Existem muitas outras que demonstram o que acontece quando não a respeitamos: a destruição das florestas cria os desertos; a poluição da atmosfera descontrola o clima; o celibato suportado como imposição gera traumas psicológicos; o casamento sem amor leva a desajustes psíquicos e emocionais, etc.
Aliás, para ser completo, preciso acrescentar que a maior parte dos males que afligem a humanidade são sempre conseqüência do pecado, ou seja, do desprezo da lei natural – que na prática se identifica com a lei de Deus. Das dezenas, centenas ou milhares de mortes que acontecem no trânsito de nossas cidades todos os anos, quantas não são devidas à imprudência, à bebida e ao desrespeito pela pessoa do outro? E a violência que aumenta assustadoramente em toda a parte, não tem sua origem no paganismo que leva a buscar somente o que gratifica e prestigia? Não terá sido por isso que, após curar um paralítico em Jerusalém, Jesus o admoestou dizendo: «Eis que estás curado. Não voltes a pecar, para que não te aconteça algo pior» (Jo 5, 14)?
Com isso, não se quer jogar no mesmo caldeirão uma multidão de enfermos – inclusive aidéticos – que sofrem sem culpa e sem pecado. São vítimas inocentes de uma sociedade doente. É o próprio Jesus quem no-lo lembra. Ante o infortúnio de um cego de nascença, os apóstolos lhe perguntaram: «Jesus, quem pecou para que nascesse cego: ele ou os pais?» A resposta de Jesus abriu horizontes infinitos – até mesmo para a dor e a doença: «Nem ele nem seus pais; mas isso aconteceu para que as obras de Deus se manifestem nele» (Jo 9, 2-3).
*Bispo de Dourados
domredovino@terra.com.br
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