Melhor tarde do que nunca. A proposta do Território da Cidadania do ponto de vista tático está chegando um pouco tarde porque os Prefeitos e Vereadores estão encerrando os seus mandatos e, exatamente estes, pela experiência acumulada, poderiam rapidamente potencializar ações de mobilização territorial, por um novo modelo de desenvolvimento. Contudo, alguns serão reeleitos e novos virão, e esperamos que iniciem os mandatos embalados por uma nova visão, de caráter participativo, que consiga estabelecer um arco de alianças, envolvendo os atores locais, no reordenamentodo do desenvolvimento territorial.
Falo da importância dos prefeitos e vereadores para sintetizar o conceito do desenvolvimento local como arranjo sócio-político e econômico feito no compromisso compartilhado do próprio desenvolvimento, a partir do capital social, político, ambiental e econômico local, que sai da decisão do povo em se desenvolver.
Nesse sentido questões importantes foram reafirmadas na recente Conferência Mundial de Desenvolvimento Local das cidades, realizadas
em Porto Alegre. A primeira reafirma o conceito básico de desenvolvimento, isto é, que ele depende mais do capital social local do que de recursos vindos de governos centrais ou de investidores privados. Esta é uma estratégia fundamental de sustentabilidade porque o desenvolvimento para não ser predatório é preciso que tenha controle social e seja orientado por decisões da própria comunidade, no sentido inclusivo, da apropriação coletiva, que organiza e responde pela governança local.
Não precisamos achar que essa orientação é excludente ao grande capital, ao contrário, prevê o convívio harmônico entre grandes e pequenos como ocorre, por exemplo, na região da Emília Romana, na Itália, onde está um dos mais altos PIBs da Europa, num processo amplo de produção e de participação social.
A outra questão da conferência são as provas de importância do desenvolvimento local mostrando que, quando o desenvolvimento é intervencionista, de cima para baixo, movido pelo interesse exclusivo do capital externo, a drenagem de recursos é violenta, deixando apenas 15% do faturamento, contra 45% , que o empreendimento local apropria a economia local.
Mas onde está o limite, ou a inteligência nesse processo de escolhas por modelos? Em primeiro lugar, a sustentabilidade está na diversidade e não na simplificação. Promover processos sustentáveis é complexar as relações e não simplificá-las, como ainda acha parte do mundo acadêmico. A simplificação é própria de exclusão e a sustentabilidade depende da diversidade, logo, se queremos desenvolvimento sustentável precisamos romper com os ranços e egoísmos e, dentro do mesmo balaio, encontrarmos os arranjos possíveis com a participação de todos os atores locais, políticos, econômicos e sociais de forma solidária.
Nessa equação complexa é bom lembrar a fórmula do sucesso: Estudo, ousadia e trabalho. Assim agiu Bill Gates quando ousou, inovou e mudou o perfil de Seattle agregando o software a uma cidade produtora de alumínio de aviões.
Então o que o Território da Cidadania, senão uma orientação estratégica ao desenvolvimento, sugerindo a organização dos atores locais para que dialoguem e juntos busquem soluções aos seus problemas, em novas bases técnicas, inovações e trabalhos, em arranjos sócio-políticos amplo, sem exclusões, para a construção de um processo sustentável que garanta um futuro melhor para todos.
* Engenheiro agrônomo e secretário Agricultura Familiar de Dourados
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