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Leia na íntegra a carta dos acadêmicos ao governador

01 abril 2008 - 06h46

Ontem, acadêmicos do curso de Medicina da UFGD recepcionaram o governador André Puccinelli com manisfestação. Eles querem os repasses de R$ 400 mil para o Hospital Universitário por parte do Governo do Estado para a continuidade do atendimento da região e das aulas práticas que, segundo eles, vêm sendo prejudicados por falta de dinheiro para a instituição.
 
Faixas de protesto e até uma réplica de um caixão com a inscrição "André decreta a morte da saúde"  integravam o visual do plenário, cheio de acadêmicos. Depois de um 'bate boca' com os estudantes do hall de entrada do plenário, André ocupou a mesa de autoridades, ocupada também por vereadores, pelo vice-governador Murilo Zauith e pelo prefeito de Dourados, Laerte Tetila, e pediu para que os estudantes formassem uma Comissão de seis acadêmicos para conversarem com o governo.
André fez uma explanação da situação da saúde de Dourados vista pelo Governo do Estado e entregou 9 lâminas de cheque para o prefeito de Dourados referente aos repasses bloqueados desde janeiro deste ano, no valor total de R$ 1 milhão e 456 mil. Os cheques nominais são para o HU, para incentivo de média complexidade e para o arrendamento do Hospital Santa Rosa.
Antes de encerrar a cerimônia, a acadêmica do 2º ano de Medicina, Raquel Tauro, leu uma carta elaborada pelos estudantes ao governador e presentes na Câmara, como forma de 'desabafo' dos estudantes sobre a situação. O governador ficou de se reunir com a Comissão de alunos em Campo Grande para detalhar as finanças da saúde de Dourados por parte do Estado.
Leia na íntegra a carta dos acadêmicos:
Depois de um Dourados, 29 de março de 2008.

Exmo Governador do Estado de MS,

Os acadêmicos do curso de Medicina da UFGD, aqui presentes na Câmara de Vereadores de Dourados, manifestam seu repúdio à postura do Governo do Estado em relação à Saúde Pública da região da Grande Dourados. Nossa cidade é referência em atendimento público para uma região que abrange 38 municípios, totalizando uma população de aproximadamente 800.000 habitantes. Diante disso é fato o fluxo de pacientes e a alta demanda de serviços de saúde, sendo indiscutível o importante papel desempenhado pelo Estado na manutenção do atendimento público a uma parcela tão expressiva de nossa sociedade.
No entanto, as atitudes do Governo do Estado de corte de verbas para a saúde pública (iniciado ainda na gestão Zeca do PT), colocam em risco a assistência à Saúde de toda população. Entendemos que usar a Saúde Pública de todo um povo para fins de retaliação política não condiz com o papel de um governador, eleito para solucionar crises, principalmente as de ordem social, sejam elas originadas em governos anteriores ou não. O que se percebe é que não existe diferença entre este Governo e o anterior, já que todas as particularidades político partidárias entre ambos se desfazem a partir do momento em que os governos se igualam na mesma atitude de boicote e irresponsabilidade criminosa com a Saúde Pública de Dourados e região.
A situação é ainda mais digna de repúdio, pelo fato de essas atitudes de descaso com Saúde Pública partirem de um governador MÉDICO, que melhor que ninguém, deveria saber a importância que o atendimento público tem para nosso povo e defender acima de qualquer coisa a vida humana e não fazer uso de seu poder político para ignorá-la. Toda essa crise se tornou nos últimos dias insustentável, fazendo com que 63 leitos do HU fossem fechados, cancelados encaminhamentos de outros municípios e 40 profissionais fossem demitidos. Materiais básicos já estão em falta como sondas, nutrição parenteral, sabonetes líquidos, entre outros. Assim, é ilusão acreditar que R$ 500 mil reais solucionarão um problema gravíssimo decorrente de uma dívida com fornecedores que ultrapassa R$ 5 milhões de reais.
O argumento de que o Governo do Estado não teria obrigação de financiar sua parte para garantir o financiamento do HU, pois o contrato teria vencido, não é válido absolutamente, uma vez que o compromisso com a Saúde Pública vai além de um mero contrato assinado em duas vias de igual teor e conteúdo.
Além do mais, toda essa crise, coloca em risco as atividades práticas do curso de Medicina da UFGD, que são em grande parte realizadas nos ambulatórios e enfermarias do HU. Destacamos nisso o internato, que pela primeira vez em nossa trajetória sofrida (a qual muitas vezes o atual Governador se demonstrou nos apoiar) está sendo feita em Dourados, para que nosso curso seja reconhecido. No entanto, sem leitos suficientes, sem fluxo de pacientes e com serviços sendo fechados, o internato médico da UFGD fica totalmente impraticável. Dessa forma, os acadêmicos de Medicina que através do ensino praticam assistência à população vêem, mais uma vez, e sentem na pele um verdadeiro atentado à sua formação.
Diante do exposto, queremos do Governador do Estado uma postura mais condizente com o cargo que ocupa e com a profissão médica que possui. Queremos o retorno dos repasses à saúde pública de Dourados e a volta dos repasses mensais ao Hospital Universitário, para que ele possa recuperar o atendimento público, gratuito e de qualidade, que vinha prestando à população da região e assim garantir a sobrevivência da Instituição até sua incorporação pela UFGD.
Defendemos a saúde 100% pública, pois é dela que depende a grande maioria da população brasileira e é nela que toda nossa formação médica é viabilizada. Por isso, estaremos sempre defendendo a Saúde Pública da região da Grande Dourados e não hesitaremos em voltar para as trincheiras de luta usando todo nosso poder de mobilização caso esse atentado em forma de retaliação permaneça.
Queríamos nós poder aplaudir o Exmo. Governador em pelas obras já realizadas em prol do MS. Porém, perante esta situação de descaso com a saúde pública da região da Grande Dourados, só nos resta indignação, desprezo e ódio, não puramente ódio, mas aquele ódio de Cruz e Souza, que faz mudar as coisas.

Muito obrigada pela atenção.
Assinam todos os alunos de medicina da UFGD aqui presentes.

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