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Leia: Empregos para Obama, por João Francisco Salomão

18 março 2011 - 16h32

O momento favorável da economia nacional, prestes a ser reconhecida como a sétima maior, o seu aquecido mercado consumidor, no qual se incluíram 30 milhões de pessoas nos últimos oito anos, e as promissoras perspectivas de investimentos em energia e infraestrutura são os grandes focos da visita ao Brasil do presidente norte-americano, Barack Obama. Não há dúvida de que, para ele, a ampliação do intercâmbio com o nosso país é uma ação importante da cruzada para acelerar o ritmo da recuperação dos Estados Unidos, ainda combalidos no cenário pós-crise e com taxa de desemprego de 9%.

Os números corroboram essa percepção, pois o atual saldo do comércio bilateral é favorável ao Tio Sam em US$ 8 bilhões. Em 2010, segundo o nosso Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, exportamos US$ 19 bilhões e importamos US$ 27 bilhões. Dados oficiais de Washington revelam que as vendas ao nosso país dobraram no último quinquênio, tornando o nosso mercado o oitavo maior para os norte-americanos. Somente no ano passado, o crescimento foi de 35%. O aspecto mais insólito, porém, é que as exportações para o Brasil são diretamente responsáveis pela manutenção de 250 mil empregos nos Estados Unidos.

As estatísticas mostram que precisamos agir com inteligência e estratégia na nova etapa das relações com os norte-americanos, aproveitando nossos diferenciais para reequilibrar a balança comercial e ampliar o volume de investimentos produtivos. A conjuntura é altamente favorável ao Brasil nas negociações de antigas divergências, principalmente quanto aos subsídios aos produtores agrícolas norte-americanos e às tarifas, barreiras não-tarifárias e cotas impostas ao ingresso de nossos produtos.

O exemplo mais enfático desses problemas é o subsídio ao etanol, somado à tarifa de importação de 54 centavos de dólar por galão (3,78 litros). Os Estados Unidos preferem continuar produzindo cerca de 20 bilhões de litros anuais de álcool combustível a partir do milho, reduzindo a oferta e encarecendo o preço desse alimento, ao invés de facilitar a compra do produto brasileiro. Para processar praticamente o mesmo volume, a partir do cultivo da cana-de-açúcar, nosso país utiliza apenas 1,5% do total de suas áreas agricultáveis.

Contudo, o potencial relativo à produção de energia limpa e renovável, bem como de alimentos e commodities, não é o único trunfo brasileiro. Temos, ainda, a maior reserva hídrica do mundo, o petróleo na camada do pré-sal, um mercado consumidor no qual 52% das pessoas são de classe média, indústria bem estruturada e capaz de atender ao crescimento da demanda e imensas oportunidades de investimentos em infraestrutura, inclusive devido à Copa do Mundo de 2014 e à Olimpíada de 2016.

Como se não bastasse, também contamos com o cacife de não termos exercido o direito, outorgado pela Organização Mundial do Comércio (OMC), de retaliar os Estados Unidos em US$ 829 milhões, por conta dos subsídios concedidos aos produtores de algodão. Nosso governo preferiu, em 2010, o caminho da negociação, e este deve mesmo balizar o tom do diálogo e do novo processo de interação com os norte-americanos, facilitados pelas posições menos conflituosas da presidente Dilma Rousseff no tocante a questões da política externa da Casa Branca, como a do Irã.

Por outro lado, em paralelo aos entendimentos com os norte-americanos e outras nações, o Brasil precisa adotar medidas urgentes para resgatar a competitividade de sua indústria. O setor, cuja balança comercial registrou déficit recorde em 2010, superior a US$ 70 bilhões, está premido pela soma do câmbio sobrevalorizado com os altos juros, impostos exagerados, encargos trabalhistas onerosos e excesso de burocracia. Se não removermos tais gargalos, criaremos cada vez mais empregos em outros países, como os 250 mil que já sustentamos na pátria de Barack Obama.

*João Francisco Salomão é o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Acre — FIEAC (salomao@fieac.org.br).

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