“Uma coisa é uma coisa...outra coisa é outra coisa”
Trata-se de uma questão de âmbito universal, comum a todos os homens que vivem no regime democrático. Se há alguém no poder, presume-se que haverá uma futura eleição e discute-se a influência do governante na vitória do seu candidato preferido.
Se não bastasse estarmos vivendo num ano de eleições municipais, o tema ganhou dimensão maiúscula devido as constantes provocações verbais do presidente Lula prometendo que seu candidato sairá vitorioso no pleito ainda distante de 2.010. Como lembra o ditado popular: “até lá muita água ainda vai correr debaixo da ponte”. À exemplo de Lula, muitos prefeitos de notória popularidade ancorada no bom desempenho administrativo, imaginam que poderão eleger facilmente o sucessor graças ao seu dedo mágico e ponto final.
Mas não é bem assim! Por todo o Brasil são comuns exemplos de prefeitos e governadores aprovados por maioria esmagadora da população, mas que não obtiveram sucesso na tentativa de eleger o sucessor. O mesmo eleitor que aprova o seu desempenho administrativo pode reprovar o perfil do candidato escolhido e os critérios que determinaram sua escolha. É a sabedoria popular fruto da percepção natural que diz: “uma coisa é uma coisa – outra coisa é outra coisa”.
Está mais que provado: o êxito da transferência de prestígio não depende exclusivamente do brilho do titular do mandato. Está sujeito a vários fatores, como o retrato atualizado do quadro político, o perfil do candidato que recebe o apoio e do potencial de seus adversários. O eleitor compara as qualidades do “padrinho” e do “candidato afilhado” e depois traça um paralelo entre o potencial desse último com os outros postulantes. É uma comparação que ocorre naturalmente ao longo da campanha eleitoral.
O eleitor de hoje recebe diariamente uma carga muito grande de informações, principalmente através de televisão. Por analogia começa a enxergar aspectos novos na política, ao contrário de antigamente, quando as oligarquias impunham candidatos escolhidos ao sabor dos interesses dos coronéis. O candidato escolhido pelo detentor do mandato, tem que ter qualidades próprias, pois do contrário, será como a terra ruim que não consegue germinar a boa semente.
Finalmente pode-se dizer que os conceitos de avaliação do eleitor mudaram nos últimos tempos. Ninguém tem mais tanto prestígio a ponto de pretender eleger um poste, mas é inegável que o uso da chamada máquina oficial (governo) pode ser decisivo dependendo do quadro eleitoral. Quanto à Lula, seria o caso de perguntar: “será mesmo que ele tem interesse de eleger seu sucessor”? Ele não é bobo. Sabe que há o risco da criação engolir o criador.
Manoel Afonso
Comentarista da TV. Record-MS
mcritica@terra.com.br
Deixe seu Comentário
Leia Também

Jovem é assaltada e precisa de atendimento médico após crise de ansiedade

Mulher é presa após se recusar a entregar filha ao pai durante cumprimento de ordem judicial

Brasileiro Feminino: Flamengo encara São Paulo em uma das semifinais

Bahia abre 26ª rodada do Brasileirão com triunfo sobre o Bragantino

STF: Mendes propõe vetar delegados da PF como assessores de ministros

Alison dos Santos conquista o título da Liga Diamante pela 3ª vez

Dallagnol divulga sigilo fiscal de Zanin, que pede responsabilização

Novo campus da UFSCar terá bacharelados interdisciplinares

Especialistas defendem protagonismo indígena na restauração de terras

Anvisa aprova importação de remédio experimental para piloto Lito
Mais Lidas

Leonardo DiCaprio e amigos se hospedam em fazenda no Pantanal

Dourados deve ter tempestade na sexta, instabilidade no fim de semana e sol no feriado

Caçador de tempestades de Dourados encara raios e tornado durante expedição no Sul do país
