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Leia: Depois do carnaval , por Waldir Guerra

14 março 2011 - 07h14

Carnaval já não é uma festa somente para brasileiros; hoje é mais um dos bons produtos nacionais para fomentar o turismo.

Os saudosistas lamentam a transformação da maior festa popular brasileira em mais um produto mercantil, mas fazer o quê se a globalização está levando nossa alegria mundo afora? Ainda mais com a TV espalhando nossas músicas carnavalescas e imagens espetaculares por 115 países, mostrando ao mundo a apoteose da alegria brasileira, isso já não surpreende mais ninguém, muito menos os milhares de turistas que aportam ao Brasil para assistir e – participarem também, por que não? – dos desfiles das escolas de samba.

Hotéis lotados de turistas. E o que mais dizer das divisas que chegam pelas mãos desses apaixonados pelo Carnaval? Somos obrigados a dizer que é dinheiro bem vindo; limpo, produzido por uma indústria sem chaminés, ou seja, a indústria do turismo. O Carnaval é produto tipicamente nosso; fruto da pura criatividade brasileira.

Se a cada ano que passa mais belos se tornam os desfiles das escolas de samba, ao ponto de, nós brasileiros, nos arrepiarmos e emocionarmos às lágrimas com algumas apresentações, é de se imaginar a impressionante sensação que causa naqueles europeus encafifados essas nossas festas carnavalescas; eles até cruzam mares para se fazerem presentes no nosso Carnaval.

A cada ano mais estrangeiros estarão por aqui para verem in loco o Carnaval, e a emoção será tamanha que irão querer voltar sempre. Bom para eles – e melhor ainda para nós.


Daqui a pouco, aquele propalado prejuízo de uma semana sem trabalho que o país se dá o direito de usufruir durante as festas do rei Momo, estará compensado pela arrecadação com o turismo vindo do exterior – se já não estiver hoje.

É bom ver que o Carnaval está melhorando como espetáculo; é muito bom saber que está se transformando numa grande fonte de renda para o país e é bom ver que o esforço feito, especialmente pelos cariocas, que a cada ano mais se aprimoram; mais nos surpreendem pela criatividade. Mas...

Mas por que não melhoramos nossos índices com os acidentes no trânsito, por exemplo?

Por que não conseguimos diminuir o número de vítimas fatais na semana do Carnaval? (213 mortos!). Justo na semana que deveria ser somente de alegria, tantas famílias têm que sofrer e chorar por causa dos acidentes no trânsito?

As maiores causas dos acidentes nas estradas brasileiras são o excesso de velocidade e o grande número de caminhões nas rodovias.



O excesso de velocidade já está sendo programado para ser freado pelo governo federal através de chips obrigatórios a serem implantados em todos os veículos nas estradas federais – e as pedagiadas também.

Quanto a diminuir o número de caminhões nas rodovias será necessário construirmos mais ferrovias. Mas nessa matéria não dá para se ter muita esperança, não. Sem esperança porque abordando este mesmo assunto no início do governo Lula, nos entusiasmamos com uma das primeiras atitudes do presidente do BNDS, na época, Guido Mantega. O banco deu uma ajuda às empreiteiras a fim de saneá-las. E ainda autorizou um empréstimo de um bilhão para ser aplicado em ferrovias. Houve, depois disso, algum avanço na construção de ferrovias? Muito pouco; e esse pouco aconteceu no Nordeste.

Se em oito anos pouca coisa foi acrescentada ao transporte ferroviário, e considerando que os mesmos administradores continuam no atual governo, tudo diz que os acidentes nas rodovias por conta de o transporte de cargas ser feito por caminhões vai piorar ainda mais.

Quem sabe a modernidade que vem acontecendo nos desfiles do Carnaval contagie os administradores públicos e tenhamos maiores progressos também nos transportes. Quem sabe? Talvez depois do Carnaval que é quando o Brasil começa a trabalhar.
* Membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal

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